terça-feira, 24 de Setembro de 2013

Cúmulo da exigência II


Eis o futebol do qual os adeptos do FC Barcelona se queixam!

Cúmulo da exigência



Nos últimos tempos, a prova de que o futebol é tremendamente injusto vem da Catalunha, onde o treinador do FC Barcelona (Tata Martino) tem sido insistentemente criticado e posto em causa, por aquilo que é considerado como o fim do Tiki-Taka. Acontece que o FC Barcelona joga um futebol de estilo diferente, mais rápido e incisivo na procura da baliza adversária. É um futebol que privilegia menos a posse de bola e mais a velocidade e imprevisibilidade dos seus jogadores. Pela primeira vez em muitos anos, o FC Barcelona teve menos posse de bola do que o seu adversário e, apesar de ter goleado (4-0), os adeptos não perdoam tamanha "traição" à já quase tradição do futebol culé... 

A verdade é que, acredite-se ou não, com as novas ideias impostas pelo treinador argentino, o futebol do FC Barcelona tem sido agradável de ver e (espante-se) tem-se traduzido no melhor arranque de sempre da equipa da Catalunha com 15 pontos em 5 jogos e 18 golos marcados (média superior a 3 golos por jogo). Apesar de tudo, Tata Martino é fortemente contestado... Isto sim são adeptos exigentes!!!

Fernando: problema ou solução?



Os tri-campeões nacionais, talvez desiludidos com o futebol pouco entusiasmante da equipa de Vítor Pereira e ainda mais desiludidos com as prestações europeias da mesma, decidiu apostar na juventude de Paulo Fonseca para dar um passo em frente no futebol do FC Porto. Se é verdade que os adeptos não se podem queixar do percurso da equipa até ao momento (7 jogos oficiais, 6 vitórias, 1 empate e 1 supertaça conquistada), não será menos verdade que o futebol da equipa portista não tem entusiasmado minimamente os adeptos... e não há resultado que o consiga esconder!

O FC Porto treinado por Paulo Fonseca conta com um plantel mais equilibrado do que o da época passada, mas ao mesmo tempo sente-se, jogo após jogo, orfão da organização e inteligência de João Moutinho e da magia de James Rodriguez (as duas principais vendas do clube) e começa a ser frustante para qualquer adepto perceber que o melhor Lucho dos últimos anos (está numa forma impressionante) tem sido desperdiçado no meio de tanta falta de consistência e tantas indefinições. A meu ver, Paulo Fonseca está a cometer no FC Porto um erro que lhe pode custar caro, erro esse que se desenha em torno de um dos maiores nomes do núcleo duro azul e branco: Fernando.

O médio defensivo brasileiro é, sem qualquer dúvida, um dos melhores pivôs defensivos do futebol mundial, um jogador com uma inteligência táctica defensiva incrível, com uma capacidade de ler os movimentos dos adversário muito acima da média e com uma abrangência de jogo defensivo simplesmente assombrosa (por alguma razão lhe chamam Polvo). O grande problema para Paulo Fonseca e para o FC Porto é que Fernando é isso e nada mais. Apostando num meio campo em que existem dois jogadores mais defensivos a jogar em linha, o treinador do FC Porto "obriga" Fernando a desempenhar funções para as quais não está de todo talhado, abdicando de um pivô de topo para ganhar um médio pouco mais do que banal, que tem dificuldades em partilhar o seu espaço defensivo com outro jogador e que raramente consegue sair a jogar com qualidade. Este é, na minha opinião, um pormenor que faz toda a diferença na consistência e qualidade do futebol portista. Neste caso e, em beneficio do próprio clube, parece-me que Paulo Fonseca precisa de tomar uma de duas decisões: ou abdica do "seu" duplo pivô, entregando a posição "6" a Fernando e montando o meio campo portista à imagem do de Vítor Pereira, ou por outro lado, abdica de Fernando e descobre alguém capaz de interpretar de outra forma o seus sistema de jogo (é aqui que eu pergunto o que é feito de Herrera). Só assim o meio campo do FC Porto poderá ganhar consistência (que se estende ao sector defensivo) e equilibrar o seu jogo... o futebol portista precisa disso e, verdade seja dita, Lucho Gonzalez e a qualidade do seu futebol merecem-no! Depois há ainda que encontrar espaço para um talento como o de Quintero, mas aí a música é outra e sobre esse tema falaremos mais tarde...

quarta-feira, 18 de Setembro de 2013

Época 2013/2014



Nova época, esperanças renovadas, objectivos bem definidos e a ambição em alta pra triunfar. Os três grandes do nosso campeonato estão renovados (uns mais do que outros) para encarar de frente os novos desafios que aí vêm. FC Porto e SL Benfica são, uma vez mais, os grandes candidatos à conquista do título nacional, mas apontam igualmente à conquista das taças nacionais (Taça de Portugal e Taça da Liga) e a uma passagem honrosa pela mais prestigiada prova do futebol mundial (UEFA Champions League). Com orçamentos muito superiores a todos os outros clubes do nosso campeonato, FC Porto e SL Benfica têm a obrigação de fazer a dois a caminhada do titulo, mas atenção ao clube leonino, que depois de uma época para esquecer, surge renovado a todos os níveis e com gente de muito talento que promete crescer e dar que falar. Os leões estão apenas focados nas competições nacionais (ficaram fora das provas europeias) e mesmo não sendo óbvios candidatos às vitórias finais, são com toda a certeza um adversário a ter em conta pelos "crónicos" favoritos.

Esta promete ser mais uma época de luta a dois pelo principal titulo nacional, com Sporting CP e SC Braga à espreita de toda e qualquer oportunidade para se envolver nesta autêntica luta de titãs. Uma época que promete bom futebol e muitas emoções.

quinta-feira, 20 de Junho de 2013

Que Viva España



A Espanha é, de há uns anos a esta parte, a melhor escola de futebol do mundo (pode ser uma opinião controversa mas é a minha). As selecções espanholas, desde a formação até aos seniores, apresentam uma qualidade de futebol impressionante, cheia de talentos, repleta de jogadores extraordinariamente evoluídos a todos os níveis e com uma típica garra latina que apaixona qualquer adepto. O futebol espanhol é sinónimo de perfume e ao mesmo tempo combatividade e ver a Espanha jogar é sinónimo de espectáculo e de 90 minutos de puro prazer. 

Aquilo que vi acontecer ao longo dos últimos dias no campeonato europeu de Sub-21, fez-me perceber que realmente a supremacia espanhola no futebol mundial não é apenas e só fruto de um acaso ou de um "vento" de inspiração passageira. É fruto de trabalho, de competência, de qualidade e de uma enorme aposta na formação. A supremacia da Espanha enquanto potência máxima das selecções de futebol está mesmo para durar.

Se por um lado é maravilhoso ver a Roja jogar e é delicioso deixarmo-nos embalar pelo bailado que Iniesta, Xavi e companhia desenham no relvado, por outro, ver as selecções jovens de nuestros hermanos não é, em nada, menos prazeroso (do ponto de vista do amante do futebol) e ao mesmo tempo assustador (do ponto de vista do adversário). De repente, percebemos que a Roja dos mais pequeninos tem a mesma capacidade para espalhar classe e talento pelo campo e para construir um autêntico carrossel futebolístico com o talentoso Thiago Alcântara e o fabuloso Isco ao comando de uma autêntica armada de estrelas.      

Perceber que o futebol espanhol não morre na equipa A e terá continuidade assegurada com esta maravilhosa fornada de miúdos que agora se mostram ao mundo, é uma delicia para qualquer amante da modalidade. Por outro lado, para um adversário, é doloroso perceber que depois de um Xavi e um Iniesta haverá um Thiago ou um Isco e que depois destes ainda haverá um Denis Suárez, um Jesé ou um Deulofeu. É angustiante perceber que, se há uns anos o futebol eram onze contra onze e no fim ganhava a Alemanha, o presente e aquilo que promete ser o futuro (pelo menos o mais próximo) oferece-nos um período em que no fim desse onze contra onze ganham e irão ganhar os Nuestros Hermanos. Mas verdade seja dita, basta vê-los jogar para perceber que trabalharam para isso e bem o merecem.

Nos últimos seis anos a selecção espanhola venceu sete troféus internacionais (dois europeus e um mundial de seniores, dois europeus de sub-21 e dois europeus de sub-19) e isso é o fruto colhido pelo árduo trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no país.  Se a Espanha está na posição que está no que a futebol diz respeito, deve-o à sua competência e à capacidade que teve para fazer desabrochar e evoluir o talento que existe nos seus jovens futebolistas. Um trabalho impressionante que merece o respeito e o aplauso de qualquer amante do futebol!