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segunda-feira, 3 de junho de 2013

De pequenino...



Aquilo a que se assistiu no Olival após o jogo que colocou frente-a-frente FC Porto e SL Benfica no escalão de juvenis (meninos de 16 anos), foi uma demonstração terceiro-mundista do que é (ou no que se está a transformar) a formação de jogadores em Portugal. A vergonhosa batalha campal na qual participaram os jogadores de ambas as equipas demonstra que, para estas crianças de apenas 16 anos, o futebol já não é apenas um desporto e a rivalidade já não é (se é que alguma vez foi) uma coisa saudável que motiva e faz avançar os clubes. O futebol, principalmente nas camadas jovens, deve ser acima de tudo formação desportiva e pessoal. Nestes escalões e nesta fase precoce de uma possível carreira futebolística, deve ser incutido nos atletas o respeito pela modalidade, o respeito pelo adversário e o respeito por si próprio, devem ser ensinados valores e devem-se formar (ou pelo menos tentar) não só jogadores mas também homens. 

Os miúdos devem saber estar no desporto e na vida de forma saudável e isso só lhes pode ser incutido por aqueles que no dia-a-dia lhes servem como modelo. Pais, treinadores e dirigentes têm que assumir a responsabilidade dos seus papeis e reflectir sobre aquilo que pode estar a correr mal na educação dos seus filhos e atletas. O que aconteceu no Sábado foi uma demonstração vergonhosa de não saber ganhar por parte dos vencedores e de não saber perder por parte dos vencidos. Foi, acima de tudo, uma preocupante demonstração de falta de educação, respeito e desportivismo de miúdos que não têm mais de dezasseis anos. A continuar assim, podemos estar a criar gente com habilidade para jogar futebol mas não estamos, de modo algum, a formar homens.

O futebol jovem do nosso país precisa de uma profunda reflexão e, quem sabe, uma profunda renovação. É preciso perceber que os clubes não estão nisto sozinhos e que os pais não podem simplesmente entregar os seus filhos e depositar nas instituições desportivas todas as responsabilidades. A base da educação de cada um destes atletas vem de casa e dos valores que os pais transmitem e, verdade seja dita, também aí o trabalho deixa muito a desejar. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

JJ agradece e desembrulha



VITÓRIA SC vs SL BENFICA (0-4)

Ao contrário do FC Porto, o SL Benfica de Jorge Jesus soube lidar com a pressão e o esgotamento físico de um jogo a meio da semana, para cimentar ainda mais a liderança isolada do campeonato português. Depois da desgraça da época passada em que uma má gestão dos jogadores disponíveis empurrou os lisboetas para fora de todas as competições (excepção feita à Taça da Liga), Jorge Jesus vai mostrando que aprendeu com os próprios erros e faz agora uma gestão criteriosa dos seus principais atletas, sem nunca retirar competitividade e qualidade à equipa. Quando assim é, torna-se muito mais fácil atingir objectivos. 

Depois de mais uma vitória nas competições europeias que colocou o SL Benfica nos quartos de final da Europa League (é sem dúvida um dos mais fortes candidatos à vitória final), os encarnados subiram ao relvado de Guimarães cientes da possibilidade de aumentar para quatro pontos a vantagem sobre o FC Porto. Quem pensava que esse "pormenor" aumentaria a pressão sobre os jogadores enganou-se redondamente pois, mais uma vez, os comandados de Jorge Jesus entraram em campo com uma enorme disponibilidade mental e física, um jogo ofensivo de grande qualidade e uma enorme tranquilidade para saber esperar o golo, que mostra bem a forma adulta como a equipa se comporta. Não espantou por isso que o SL Benfica fosse tomando conta do jogo e "apertando" a jovem equipa do Guimarães até a massacrar com uma chuva de golos. O jogo da cidade berço, deu para golear, entusiasmar os adeptos, aumentar a vantagem sobre o segundo classificado e ainda para passear durante largos minutos, gerindo o esforço físico com a bola nos pés. Pode não ter sido uma exibição brilhante da equipa de Jorge Jesus, mas foi sem qualquer dúvida uma mostra de maturidade, profissionalismo e enorme auto-confiança. 

Depois de mais uma escorregadela azul e branca, o SL Benfica mostrou estar mais preparado para enfrentar a fase decisiva da época e respondeu com quatro golos, tendo agora tudo a seu favor para chegar ao tão desejado título. Mas atenção, além do campeonato nacional há ainda uma Taça de Portugal e uma Europa League para disputar. Esta pode muito bem ser uma época histórica para os encarnados da Luz.    

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ferro(s) e fogo



SL BENFICA vs BAYER LEVERKUSEN (2-1)

Depois de uma vitória extremamente bem conseguida em solo alemão, o SL Benfica comandado por Jorge Jesus subiu ao relvado do Estádio da Luz "possuído" por uma onda de apatia que só não teve resultados mais nefastos porque, por um lado Cardozo fez o que fez na Alemanha - que classe - e por outro porque os alemães não foram capazes de desviar as suas oportunidades de golo dos ferros da baliza de Artur. Talvez levada pelo discurso do treinador na antevisão da partida - o que foi aquilo Jesus? - a equipa encarnada passeou no frágil relvado da Luz a uma velocidade demasiado lenta. Os primeiros 45 minutos foram jogados sem pressão alta, sem mobilidade, sem velocidade e com muitas perdas de bola - que o diga Carlos Martins. Valeram nessa fase as exibições quase soberbas de André Almeida - qual Maxi qual quê - e de Matic. 

Se ao intervalo o resultado era simpático para com os portugueses, nem isso alertou para o que ainda faltava jogar e a verdade é que a equipa da casa voltou a entrar desconcentrada, estranhamente lenta e sem ideias para se superiorizar aos alemães. Quando o jogo prometia começar a complicar-se Carlos Martins teve a infelicidade de se lesionar e o SL Benfica teve a felicidade de passar a jogar novamente com 11 jogadores - o médio português era um jogador a menos dentro do campo. Os encarnados passaram a contar com a irreverência e velocidade de Salvio - só para ser poupado pode fazer sentido a sua não titularidade - e pouco depois com a magia nos pés de Ola John. O holandês até estava escondido no jogo e era um dos candidatos à saída mas resolveu abrir o livro e com um pontapé certeiro fechar a eliminatória. A partir deste momento de inspiração, a equipa acalmou, passou a respirar melhor e a controlar o jogo do adversário sem sobressaltos. Os alemães abanaram com o golo sofrido e só não foram de vez ao tapete porque lhes caiu do céu o golo do empate numa fase em que não o mereciam e em que o SL Benfica já era dono e senhor do jogo. A esperança durou pouco tempo pois dois minutos bastaram para que a euforia desse lugar à distracção e Lima fizesse perfeita assistência para Matic coroar mais uma bela exibição com um golo e dizer de vez basta ao sofrimento dos benfiquistas. 

Principalmente por aquilo que fez na primeira mão na Alemanha, a equipa de Jorge Jesus é uma justa vencedora desta eliminatória. Hoje o jogo não correu bem, a equipa pareceu cansada e vazia de ideias mas soube-se unir, sofrer e usufruir da ponta de sorte que nestas competições é tão fundamental. Nos Oitavos de Final segue-se o desafio com o FC Bourdeaux, que por aquilo que vai mostrando promete ser um adversário bem menos complicado do que os alemães. O SL Benfica tem tudo para carimbar a passagem aos Quartos de Final da prova.


Destaques:

Matic: O médio sérvio voltou a fazer uma exibição de encher o olho e na primeira parte foi ele quem, sozinho, segurou o meio campo encarnado e não deixou a equipa desmoronar. Inteligente na forma como se posiciona e se movimenta em campo parece estar sempre no sitio certo. Recupera bola, destrói jogo adversário e ainda tem capacidade física e técnica para sair a jogar e matar o jogo com um golo de cabeça. Pena o amarelo que o deixa fora do próximo jogo pois é, neste momento, o elemento em melhor forma na equipa de Jorge Jesus.

André Almeida: A continuar assim promete vida bem complicada para Maxi Pereira. Ao mesmo ritmo que o uruguaio vai perdendo o fulgor de outros tempos, este jovem que começou a época na equipa B vai ganhando confiança e mostrando toda a sua qualidade. O desafio não era fácil e o lateral direito ultrapassou-o com distinção. Excelente exibição a pedir continuidade.   

Ola John: O holandês não estava a fazer uma grande exibição, mas quem marca um golo daqueles merece um lugar de destaque. Grande trabalho do "miúdo" que teve o condão de tranquilizar as hostes benfiquistas e levantar o estádio inteiro. É por momentos destes que vale a pena ir ao futebol. Brilhante!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

20 minutos de loucos!



SL BENFICA vs FC PORTO (2-2)

Num jogo que colocava frente-a-frente as duas melhores equipas do futebol português e as grandes - únicas - candidatas ao título de campeão nacional, SL Benfica e FC Porto fizeram questão de não desiludir os respectivos adeptos e entrar no jogo com uma vontade gigante e uma garra de guerreiro. Foram 20 minutos completamente loucos e de enorme qualidade, recheados de grandes momentos, muitos golos - Mangala aos 8, Matic aos 10, Jackson aos 15 e Gaitan aos 17 minutos - e uma constante incerteza sobre quem iria ser capaz de rir por último e melhor. Foram 20 minutos de pura magia e de um futebol capaz de fazer qualquer amante do desporto rei não portador de bilhete, roer-se de inveja por não ter marcado presença numa das vermelhas cadeiras do Estádio da Luz. É destes grandes momentos que se faz o futebol. 

Após este alucinante período, o jogo foi perdendo alguma da sua intensidade - era impossível aguentar sempre assim - e a velocidade com que se desenhavam as jogadas de encarnados e azuis e brancos não era a mesma. Ainda assim, a qualidade do jogo, a inteligência técnica e táctica dos protagonistas nunca deixou de marcar presença e, apesar do coração começar a bater a um ritmo mais normal, foi com um misto de sentimentos que os adeptos viram chegar o intervalo. Os sorrisos no rosto espelhavam bem o prazer de fazer parte deste grande espectáculo, mas por dentro, ninguém duvidará que se escondia uma profunda tristeza por não ser possível prolongar ainda mais este pequeno momento de "apenas" 45 minutos. 

Após o merecido descanso, SL Benfica e FC Porto entraram em campo com intensidade reduzida. Quem acompanhou a primeira parte sem conseguir manter o "rabo" colado à cadeira começou a achar estranho o conforto com que se ia "enterrando" no lugar. A emoção foi-se - em parte - perdendo e as equipas assumiram uma estratégia de minimização de riscos e de mútuo respeito. Nesta fase, jogou-se muito mais no meio campo e o jogo tornou-se mais físico. Cresceu o número de faltas, aumentaram os erros e os passes falhados e diminuiu o interesse pelo clássico. Começava-se a desenhar "nas estrelas" o justo empate final. Com o jogo instalado a meio campo, foi o FC Porto quem se mostrou mais confortável conseguindo-se superiorizar aos encarnados no controle do jogo, no domínio do meio campo e na ocupação dos espaços. Os dragões usavam a inteligência e capacidade da sua reforçada linha média - ao contrário do que eu esperava, Defour foi aposta acertada - para amarrar o futebol do SL Benfica, obrigando mesmo Jorge Jesus a abdicar do reforço ofensivo para povoar o miolo com Aimar e Carlos Martins. Apesar de tudo, verdade seja dita, a principal oportunidade de desbloquear o jogo pertenceu à equipa da casa, que teve nos pés de Cardozo a chave para os três pontos, mas viu a ponta dos dedos de Hélton afastar a vitória para canto e manter o resultado num justo 2-2. O paraguaio mostrou que não estava nos seus dias e o brasileiro aproveitou para ao vivo "responder" a Luís Filipe Vieira e mostrar que sozinho pode mesmo valer pontos. 

No final, o resultado acaba por ser justo - mais favorável ao FC Porto que jogava fora de casa - por aquilo que ambas as equipas fizeram em campo. Pelo trabalho, pela motivação, pelo empenho, pela garra e pela enorme qualidade daqueles inesquecíveis 20 minutos iniciais, nenhuma das equipas merecia perder. 


Destaques:

Mangala: Um miúdo de 21 anos transformado num senhor defesa central. Enorme exibição do central francês tanto a defender, como a atacar. Marcou o primeiro golo da equipa, meteu os avançados do SL Benfica num bolso - excepção ao lance em que Cardozo se isola - e foi o patrão do sector defensivo do FC Porto. Por vezes é demasiado duro na forma como aborda os lances - Cardozo que o diga - mas limando essa pequena aresta terá tudo para ser um dos grandes centrais do futebol europeu. 

Alex Sandro: Alguém se lembra quem era o lateral esquerdo do FC Porto antes dele? O brasileiro adaptou-se de tal forma à sua nova realidade que se está a transformar num caso sério. Ontem voltou a fazer um enorme jogo. Sempre cheio de vontade conseguiu "secar" Salvio durante grande parte do jogo e ainda soube aproveitar o momento menos bom de Maxi Pereira para criar desequilibrios na defensiva encarnada. Está em grande forma.

Matic: Tal como o lateral portista também o sérvio do SL Benfica tem feito tudo para que os adeptos não sintam saudades de Javi Garcia... e de certeza que não sentem. Matic encheu completamente o campo. Foi enorme a defender e a apoiar o ataque. Tem uma inteligência táctica apurada e uma capacidade técnica muito acima da média o que lhe permite sair a jogar com facilidade. Mais uma excelente exibição, desta vez coroada com um golo digno de registo, que será sem sombra de dúvidas candidato a golo do ano. Matic bem o mereceu. 



sábado, 12 de janeiro de 2013

O Clássico - Parte II



SL BENFICA: Com o grupo praticamente na máxima força - apenas Rodrigo é baixa - Jorge jesus não tem razões para mexer demasiado na sua equipa. Sendo certo que muito pouco - ou mesmo nada - mudará no SL Benfica, acredito que o treinador se veja tentado a mexer ligeiramente no ataque. Uma vez que o FC Porto joga com três homens de grande qualidade e intensidade no meio campo, jogar apenas com Matic e Enzo na zona mais central poderá não ser o suficiente. Os alas não têm características nem capacidades defensivas pelo que deixar uma zona tão importante do jogo entregue a apenas dois jogadores poderá traduzir-se num risco de perder o jogo a meio campo. Para que essa posição fosse reforçada seria necessário abdicar de um avançado - Lima seria a meu ver o escolhido - e colocar um médio que fizesse a dupla função de apoiar Cardozo nos momentos ofensivos e apoiar os médios no momento defensivo. Aimar seria o elemento perfeito para essa pequena mudança no onze encarnado, mas o argentino não tem neste momento a condição física para ser titular e muito menos para o fazer num jogo destes. Sobram Bruno César, que dificilmente será opção tendo em conta o seu momento de forma e Gaitan - na minha opinião a melhor opção - que embora não seja um "expert" nos movimentos defensivos é um jogador de enorme inteligência e que pode desequilibrar na hora de atacar. Na minha opinião a colocação do argentino por trás do ponta de lança paraguaio permitiria ao SL Benfica "amarrar" de forma mais eficaz o meio campo do FC Porto, travando aquele que é um dos sectores mais importantes do futebol do campeão nacional.

O meu onze seria: 

FC PORTO: Tendo em conta as várias ausências do ataque azul e branco - à qual se junta a do central Maicon -, é certo que Vítor Pereira vai ser obrigado a mexer e a descobrir uma solução. A saída de James Rodriguez da ala direita do ataque portista apontaria a titularidade ao jovem ganês Atsu, mas estando este ao serviço da sua selecção na CAN - e estando Iturbe com os sub20 argentinos - não sobra qualquer extremo no plantel. O treinador portista tem algumas soluções mas nenhuma delas passa pela troca directa de jogadores. Por aquilo que se viu na segunda parte do jogo frente ao CD Nacional e no jogo da Taça da Liga frente ao Vitória FC o escolhido deverá ser o belga Defour. Mas será esta adaptação do médio belga a melhor opção? A meu ver, mesmo sendo Defour um grande jogador, não me parece que a sua colocação nas alas seja benéfica para a equipa. Se é certo que, por um lado, permite mais liberdade para que Lucho Gonzalez apareça ofensivamente em zonas do terreno normalmente pisadas por James - mas Lucho não é James -, por outro lado o belga não tem rotinas de extremo e muito facilmente abandona a sua posição acabando por se perder na faixa central afunilando o jogo da equipa. O FC Porto tem outras soluções para fazer esquecer a ausência do seu numero 10. Izmaylov, recentemente contratado, poderá ser uma hipótese para ocupar a ala esquerda, desviando Varela para a direita. O russo está mais do que habituado a esta posição e seria a opção mais óbvia para o lugar, mas tendo em conta que apenas chegou a meio da semana não parece provável, nem mesmo benéfico, que Vitor Pereira lance desta maneira o seu novo reforço. Há também o miúdo Sebá que muito se destacou no jogo da Taça da Liga. O brasileiro mostrou ter imensa qualidade e vontade, mas será isso suficiente para ser lançado a titular no estádio da Luz, ao fim de apenas 90 minutos com a equipa A? Sinceramente não me parece que Sebá esteja preparado para tamanha missão. Resta uma última solução, que na minha opinião será a que mais beneficia a equipa e que passa por adiantar Alex Sandro no terreno. O lugar não é desconhecido do brasileiro - na selecção é frequente vê-lo nessa posição - e a sua capacidade técnica e de explosão poderiam ser uma mais valia para a equipa. Para que essa mudança fosse possível seria necessário colocar Mangala na esquerda - o que não seria inédito nesta época - e fazer de Abdoulaye titular ao lado de Otamendi - o senegalês já mostrou estar preparado para a tarefa -, o que a meu ver não afectaria a eficácia defensiva da equipa de Vítor Pereira. James Rodriguez é um jogador único e substitui-lo é uma tarefa impossível, ainda assim há várias soluções dentro do plantel para ocupar a sua posição. A meu ver esta opção - Alex Sandro - será a que mais benefícios pode trazer à equipa.

O meu onze seria:

O Clássico - Parte I



Joga-se amanhã o primeiro grande clássico da época, entre as duas melhores equipas do actual panorama futebolístico português e, como tal, os dois principais - e únicos - candidatos ao título nacional 2012/2013. Um jogo que coloca frente a frente duas equipas com estilos e filosofias de jogo diferentes e que ainda não conheceram o sabor da derrota na Liga Portuguesa. Duas equipas que aspiram vencer todas as provas em que entram e que muito dificilmente entram em campo à procura de um resultado útil que não seja a vitória. SL Benfica e FC Porto jogam amanhã aquele que, mesmo não sendo um jogo decisivo, poderá contribuir para uma primeira tentativa de fuga rumo ao título. 

SL Benfica: A equipa comandada por Jorge Jesus tem feito uma época exemplar no que a Liga Portuguesa diz respeito. Os encarnados chegam a esta 13ª jornada com 11 vitórias, 2 empates e 0 derrotas, contando com um registo extremamente positivo de 35 golos marcados e 9 sofridos. Apesar de ter perdido no início da temporada duas das suas principais figuras - Javi Garcia e Witsel -, Jorge Jesus soube ser capaz de "inventar" uma solução quase perfeita e fazer de Enzo Perez - que um ano antes era dado como caso perdido - o homem certo no lugar certo. Apesar dos desequilíbrios no plantel - demasiados avançados e poucos defesas - a equipa do SL Benfica tem conseguido resolver, com menor ou maior dificuldade, todos os problemas que as competições domésticas lhe proporcionam. Com Cardozo novamente em grande destaque - 13 golos marcados - os vice-campeões nacionais prometem luta até ao fim para roubar o título ao rival do Norte. O ponto negativo da época encarnada acabou por ser a Champions League. Colocado num grupo que se apresentava perfeitamente ao seu alcance, o SL Benfica bem cedo começou a sentir as dificuldades de um grupo de trabalho com desequilíbrios, e se nas competições nacionais essas lacunas não se notam, já nas competições europeias podem ter papel fundamental. Apesar da eliminação precoce e de tudo o que ela significa desportiva e financeiramente, a equipa de Jorge Jesus conseguiu "garantir" a presença na Europa League na qual será certamente um dos grandes candidatos à vitória final. 

FC Porto: A equipa comandada por Vítor Pereira entrou na época 2012/2013 com o grande objectivo de revalidar o titulo nacional, chegando assim ao tri-campeonato. Os campeões nacionais chegam à 13ª jornada sem qualquer derrota - tal como o seu adversário -, com 10 vitórias, 2 empates e 0 derrotas - com um jogo em atraso por disputar - e com um registo de 28 golos marcados e apenas 6 golos sofridos. O FC Porto que no início da época apresentava, apesar da saída do seu principal jogador, uma equipa bem equilibrada e homogénea, chega a esta fase da época com um plantel desfalcado de opções ofensivas -  James, Atsu, Iturbe e Kleber estão fora de competição nos próximos tempos - o que obriga os dragões a investir no mercado de Inverno - Izmailov foi o primeiro reforço. Apesar das contrariedades, a verdade é que o FC Porto tem o mérito de manter a sua equipa extraordinariamente sólida. Um meio campo fortíssimo, cheio de talento e experiência e uma defesa que se tem mostrado praticamente intransponível. O ponto negativo da equipa comandada por Vítor Pereira foi a eliminação da Taça de Portugal aos pés do SC Braga. Os portistas têm apostado todas as fichas na revalidação do título e numa grande campanha europeia e isso já lhes custou uma competição. Falta saber se irá compensar. Após uma fase de grupos disputada em grande nível e discutida até ao fim com o Paris SG os campeões nacionais conseguiram o apuramento no segundo lugar do grupo saindo-lhes em sorte o surpreendente Malaga FC. Apesar da qualidade dos espanhóis, o FC Porto tem tudo para marcar presença nos quartos de final e isso, por si só, já será o significado de uma bela prestação europeia e de um objectivo - desportivo e financeiro - atingido com sucesso. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Natal à Benfica




Uma forma inteligente, inovadora e divertida de desejar um feliz natal aos adeptos. Excelente trabalho!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Católicos traíram Jesus



FC BARCELONA vs SL BENFICA (0-0)

Estava tudo reunido para que o SL Benfica conseguisse o apuramento para os oitavos de final da Champions League. Apesar da difícil tarefa que é jogar na Catalunha, fica bem mais fácil quando a equipa da casa se apresenta com apenas um habitual titular e com cinco jogadores da equipa B e, mais ainda, quando a estrela da companhia - Leonel Messi - se lesiona 25 minutos depois de entrar. Ao SL Benfica pedia-se que jogasse bem, com cabeça, com garra e, acima de tudo, fosse eficaz - e isso é tão importante nesta competição. Os homens de Jorge Jesus foram capazes - principalmente na primeira parte - de fazer quase tudo isso, mas na hora de atirar à baliza o desperdício foi demasiado. Uns podem-lhe chamar azar, mas a meu ver os portugueses apenas se podem queixar de si próprios. Afinal de contas, haverá melhor sorte do que apanhar este FC Barcelona em plena Champions League?

Enquanto as forças duraram e os homens do FC Barcelona corriam desnorteados pelo campo, tentando imitar o "tiki taka" que os habituais titulares fazem de olhos fechados e na perfeição, o SL Benfica conseguiu impor o seu jogo, pressionar bem alto, aproveitar a velocidade dos seus alas e criar verdadeiros calafrios aos adeptos catalães. Durante o primeiro tempo foram inúmeras as oportunidades de golo que os portugueses desperdiçaram. Quando não foi Pinto e o poste a negar o golo aos encarnados, foi a falta de pontaria a trair a equipa da Luz. O FC Barcelona pouco ou nada incomodava Artur e se os portugueses chegassem ao intervalo a vencer, seria certamente um prémio justo para quem tanto trabalhou e um castigo para quem olhou de forma tão sobranceira a qualidade do adversário. É verdade que a "cantera" do FC Barcelona é excelente e de lá saíram alguns dos maiores talentos do futebol mundial, mas jogar com uma equipa construída  desta forma num jogo da Champions League é um autêntico suicídio. Os catalães deram todos os brindes e mais alguns, o SL Benfica não aproveitou. 

Na segunda parte, mesmo não fazendo uma boa exibição, a equipa Catalã equilibrou a pouco e pouco o jogo, conseguindo impor o ritmo que lhe interessava. A culpa, ou pelo menos a grande parte dela, foi a quebra física dos jogadores do SL Benfica. Ola John, que tão bem tinha estado no primeiro tempo, tornou-se menos explosivo e mais previsível, Nolito tornou-se um jogador faltoso e, lá na frente, Lima e Rodrigo iam desaparecendo. Tornava-se confortável para os catalães trocar a bola no meio campo e, em determinados momentos, explorar a velocidade de Tello que, aproveitando a pouca ajuda de Ola John nos momentos defensivos, ia fazendo a cabeça de Maxi Pereira em água. Jorge Jesus sentiu um FC Barcelona bem mais perigoso e viu-se obrigado a mexer, mas não o fez da melhor forma. Se tirar Nolito era quase óbvio, colocar Bruno Cesar no seu lugar deixando Gaitan sentado no banco não lembra mesmo a ninguém. Os encarnados continuaram lentos nas alas e, pior ainda, perderam a raça nos momentos defensivos. Já com Messi em campo, a história prometia complicar-se um pouco mais. E na verdade, no pouco tempo que esteve em campo, o argentino criou a melhor situação de golo da segunda parte. Falhou - enorme intervenção de Artur - e saiu lesionado, nascendo nova esperança para os portugueses que enfrentariam o resto do jogo com um homem a mais. 

Nos últimos minutos do jogo e, certamente, com o conhecimento do resultado que o Celtic Glasgow ia conseguindo em casa - os escoceses venciam 2-1 - o jogo do SL Benfica foi feito muito mais com o coração do que com a cabeça. Nesta fase do jogo, em que era necessário dar o tudo por tudo para chegar ao golo, até porque tendo em conta as circunstâncias, empatar ou perder ia dar rigorosamente ao mesmo - Europa League - pedia-se mais cabeça, mais concentração e uma muito melhor capacidade de aproveitar o espaço que os catalães permitiam. A jogar com um homem a mais o SL Benfica nunca foi capaz de pegar no jogo e de se instalar com perigo perto da baliza de Pinto, conseguindo apenas no último lance da partida estar novamente perto do golo e partir o coração de milhões de adeptos. Primeiro Cardozo e depois Maxi deveriam ter feito muito melhor. O SL Benfica não foi além do empate no Camp Nou o que, tendo em conta a vitória dos escoceses em casa, deixa os encarnados no terceiro lugar do grupo. Pelo jogo que fez, pelo espirito que demonstrou e até pelas oportunidades que criou o SL Benfica podia ter conseguido mais do que um empate na Catalunha, mas quem não aproveita tamanha oportunidade para o fazer, só se pode queixar de si. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Olá esperança



SL BENFICA vs CELTIC GLASGOW (2-1)

Um jogo muito bem conseguido e dois golos - Ola John e Garay - que poderiam ter sido muitos mais, mantêm o SL Benfica no sonho do apuramento e, tal como o próprio treinador admite, garantem o segundo objectivo europeu da época: pelo menos a Europa League já não foge. 

Aquilo que o SL Benfica fez no estádio da luz ao longo dos 90 minutos de jogo, assim como aquilo que o Celtic Glasgow não fez - não sei se por não saber ou não querer mas estes escoceses fora de casa são irreconhecíveis - mostrou bem a realidade deste grupo. Apesar da classificação actual e seja qual for o duo de apurados, não me restam dúvidas nenhumas de que os encarnados são a segunda melhor equipa. O problema foi começar a mostra-lo demasiado tarde e a este nível isso paga-se. Na minha opinião - e já o digo desde essa altura - o jogo que "tramou" a equipa de Jorge Jesus não foi a surpreendente vitória dos escoceses na recepção ao FC Barcelona, mas sim a vitória dos mesmos escoceses na visita à Rússia. Nessa altura, parecia-me que o Celtic Glasgow iria ser o verdadeiro rival dos portugueses. Assim foi!

A verdade é que entre portugueses e escoceses, se já havia ficado a ideia - na altura do jogo da Escócia - que o SL Benfica era muito superior, ontem foram retiradas todas as dúvidas. A precisar de vencer para manter a esperança, os encarnados entraram em jogo motivados e com vontade de resolver a partida rapidamente. Com Ola John e Salvio a emprestar muita velocidade e irreverência às alas, a equipa de Jorge Jesus criava perigo lance após lance. Não espantou que logo aos 7 minutos o holandês inaugurasse o marcador, num lance pleno de oportunidade. Com o golo, o SL Benfica cresceu ainda mais e os escoceses que até então estavam remetidos à sua defesa, por lá continuaram explorando a única coisa em que são realmente perigosos, as bolas paradas. É precisamente num lance de bola parada que o gigante Samaras, contra a corrente do jogo, empata a partida - muitas culpas para Artur - e leva a sua equipa para intervalo com um injusto ponto no bolso.

Se o SL Benfica tinha entrado em jogo com vontade de mostrar a sua supremacia e tinha sentido na boca o amargo de um empate injusto, voltou a mostrar no início do segundo tempo a determinação necessária para levar de vencida os escoceses. Estes, por sua vez, voltaram a confiar na sorte que os tem protegido para levar da Luz o apuramento. Os encarnados fizeram por não deixar e lançaram-se para uma segunda parte de absoluto domínio e constante assalto à baliza de Forster - grande exibição - que ia segurando o empate conforme podia. Mas nem mesmo a grande exibição do guarda-redes inglês foi capaz de "roubar" pontos à equipa portuguesa e, depois de muito insistir - e merecer - o golo do argentino Garay - um grande jogador a merecer destaque - ao 70 minutos de jogo colocou o SL Benfica na frente do marcador, fazendo renascer a esperança da qualificação e dos milhões que esse feito representa.

O SL Benfica foi sempre superior aos escoceses e tirando os lances de bola parada, só mesmo nos últimos minutos, com os encarnados mais recuados, é que o Celtic Glasgow conseguiu ter espaço e vontade para criar relativo perigo. Seja como for, nunca esteve verdadeiramente perto do empate e o resultado final acaba por ser justíssimo para a equipa de Jorge Jesus. O SL Benfica parte agora para a última jornada com a difícil tarefa de fazer em Barcelona - contra a melhor equipa do mundo - o mesmo resultado que os escoceses forem capazes de fazer em casa frente ao frágil Spartak Moskva. Depois de duas belas exibições em casa, esperemos que o acordar do SL Benfica europeu não tenha surgido tarde demais. Caso contrário resta a Europa League, o que seria uma enorme desilusão!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Uma lima bem doce



RIO AVE FC vs SL BENFICA (0-1)


Sabendo que o FC Porto tinha vencido no Estádio do Dragão, o SL Benfica só tinha um objectivo possível em mente, que passava por levar os três pontos do Estádio dos Arcos e partir para mais uma pausa do campeonato lado a lado com os azuis e brancos no topo da classificação - FC Porto e SL Benfica são claramente duas equipas à parte nesta liga.

Ao contrário do seu rival, o SL Benfica resolveu a partida durante uma primeira parte em que foi sempre superior. O jogo até começou mal para ambos os lados e, durante os primeiros 20 minutos, pouco ou nenhum futebol se viu em Vila do Conde. Os encarnados, apesar de superiores, jogavam mal e falhavam imenso nas transições e os vila condenses não conseguiam sequer chegar perto do guarda redes Artur. A partir desta fase, com o Rio Ave FC ainda fechado na sua defesa, a equipa de Jorge Jesus foi crescendo, aumentando a velocidade do seu jogo, corrigindo os erros que cometia na construção do futebol ofensivo e, por isso mesmo, foi-se tornando cada vez mais perigosa. Apesar de tudo, ia falhando na finalização e o resultado mantinha-se num nulo que já começava a ser injusto. Mas quando já quase todos pensavam no intervalo, o brasileiro Lima apareceu rapidíssimo a "explodir" uma autêntica bomba na baliza de Oblak, oferecendo a justíssima vantagem com que o SL Benfica saía para o descanso. É certo que os encarnados deveriam ter ficado reduzidos a 10 jogadores logo no primeiro minuto de jogo - Enzo Perez tinha que ser expulso depois da bárbara entrada sobre Filipe Augusto - e talvez isso alterasse o rumo do jogo, mas nunca o iremos saber. 

Talvez por ter percebido que ficar remetido à defesa não levava a lado nenhum, Nuno Espirito santo mandou a sua equipa subir no terreno e jogar olhos nos olhos com o SL Benfica. O Rio Ave FC surgiu na segunda parte como se fosse uma nova equipa, mais atrevido, mais ofensivo, mais perigoso e sempre com muita personalidade. A equipa da casa começava a ser capaz de levar perigo à baliza de Artur e de construir oportunidades para chegar ao empate. Com o jogo equilibrado e o golo a poder surgir para qualquer um dos lados, esteve bem o treinador do SL Benfica que, numa leitura perfeita do jogo, soube fechar o resultado e garantir três preciosos pontos, colocando em campo o defesa Miguel Vítor no lugar do avançado Lima. A substituição permitiu ao SL Benfica passar André Almeida para o meio campo defensivo - sua posição de origem - e reforçar a zona mais importante do campo. Foi aqui que o SL Benfica segurou o jogo e estancou o caudal ofensivo do Rio Ave FC, que nos 10 minutos que faltavam jogar apenas conseguiu criar verdadeiro perigo no último lance do jogo. Os da casa quase gritaram golo, mas o cruzamento de Esmael já foi feito fora das quatro linhas e, de qualquer forma, na baliza dos encarnados estava o "gigante" Artur para garantir o triunfo da sua equipa com uma defesa monstruosa.

A equipa de Jorge Jesus consegue três pontos num jogo complicado, contra uma das equipas mais surpreendentes do campeonato. A vitória dos encarnados é justa e premeia aquela que foi, ao longo de quase todo o jogo, a melhor equipa. Por aquilo que fez no segundo tempo talvez o Rio Ave FC merecesse mais, mas o futebol joga-se em 90 minutos e, verdade seja dita, durante os primeiros 45 só existiu SL Benfica.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A primeira final já está



SL BENFICA vs SPARTAK MOSKVA (2-0)

A vitória era o único resultado possível para a equipa de Jorge jesus poder continuar a sonhar com o apuramento. O adversário, verdade seja dita, é bastante inferior à equipa portuguesa e por isso mesmo não havia desculpas para qualquer outro resultado. O SL Benfica sabia disso e, mais do que ninguém, os seus jogadores queriam isso. Foi o que mostraram durante 90 minutos. A vitória foi justíssima e garantida pela única equipa que se preocupou com os 3 pontos. 


Desde o primeiro minuto, o SL Benfica fez questão de mostrar que, apesar de alguns deslizes comprometedores, continua a ser a segunda melhor equipa do grupo - existindo o FC Barcelona é impossível ser melhor - e vai lutar pelo apuramento até ao fim. O problema dos encarnados é que, ao contrário do que aconteceu neste jogo, as primeiras jornadas foram uma desilusão que atiraram o clube da Luz para o inacreditável último lugar do grupo. Desta vez, num jogo em que, apesar de alguns sustos bem resolvidos por Artur, dominou por completo, o SL Benfica conquistou a primeira vitória da fase de grupos e não fosse a milagrosa vitória do Celtic Glasgow sobre o FC Barcelona estaria a depender apenas de si. 

Apesar do absoluto domínio da partida, o SL Benfica demorou a fazer golos e a ineficácia da primeira parte irritou - e de que maneira - os adeptos encarnados. Jorge Jesus insiste em deixar o seu melhor avançado no banco - Cardozo - e a verdade é que apesar das criticas - absolutamente injustas - o paraguaio continua a ser o grande goleador do SL Benfica. Ontem, uma vez mais, voltou a sentar-se no banco para mais tarde entrar em jogo e calar os críticos, marcando os dois golos que mantêm a equipa "agarrada" à competição - só não foram 3 golos porque falhou um pénalti.

A equipa russa foi incapaz de se superiorizar ao SL Benfica e com o sistema defensivo que adoptou para o jogo da Luz deu a entender que vinha à procura de um empate. Felizmente os encarnados souberam manter a atitude e não se enervar com o passar do tempo. Foram focados no seu objectivo e procuraram sempre o golo. Fizeram dois - poderiam mesmo ter sido mais - e venceram com toda a justiça. Agora, é preciso derrotar o Celtic Glasgow e depois vem o FC Barcelona e aí... logo se vê.

domingo, 4 de novembro de 2012

Resolver e controlar



SL BENFICA vs VITÓRIA SC (3-0)


Depois de ter visto o FC Porto golear o CS Marítimo no estádio do Dragão, o SL Benfica  precisava de vencer na recepção ao Vitória SC para não deixar fugir os campeões nacionais. Foi precisamente isso que a equipa de Jorge Jesus fez, sem encontrar pelo caminho grandes dificuldades.

Os vimaranenses viajaram até Lisboa com o objectivo de defender e atrasar ao máximo o golo do SL Benfica. A primeira oportunidade da partida até foi da equipa de Rui Vitória - extraordinária defesa de Artur negou o golo aos visitantes - mas, verdade seja dita, não mais se viu capacidade ofensiva ao Vitória SC e nunca mais se viu Artur em acção. Uma única oportunidade de golo, mesmo que em casa de um dos grandes candidatos ao titulo, é muito pouco para quem luta pelo acesso às competições europeias. Apesar do susto inicial, a equipa de Jorge Jesus dominou por completo a partida e se o primeiro golo chegou apenas aos 37 minutos, foi muito por culpa da falta de pontaria dos encarnados. Chegar ao intervalo a vencer por apenas 1-0 era curto para aquilo que foi a produção da equipa da casa.

Para a segunda parte o SL Benfica trazia o dilema entre "atacar" a goleada para ganhar vantagem sobre o FC Porto, ou aumentar a vantagem e controlar o jogo, poupando o físico dos jogadores para o desafio de quarta feira frente ao Spartak Moskva - decisivo nas aspirações do SL Benfica na Champions League. Apesar de marcar bastante cedo - 48 minutos - por intermédio de Cardozo, Jorge Jesus tomou a decisão mais acertada e fez a equipa descansar com bola, controlando o jogo. O Vitória SC mostrava-se inofensivo e sem capacidade para reagir à vantagem benfiquista, pelo que não eram precisos grandes esforços para meter no bolso 3 pontos que permitem ao SL Benfica chegar ao topo da liga, a par do FC Porto. A partir do segundo golo encarnado o jogo foi perdendo interesse e qualidade com o passar do tempo. O Vitória SC era uma equipa mais do que conformada com a derrota e o SL Benfica mostrava-se satisfeito com a vantagem que tinha, nada que impedisse Lima de fazer o gosto ao pé e colocar o resultado em 3-0. 

Se com 2-0 o SL Benfica abrandou, com o terceiro golo quase convidou o Vitória SC  a ficar com a bola para si. Os minhotos foram fazendo os possíveis para não sofrer muitos golos, mas quando era necessário atacar mostravam ser uma equipa curta e limitada. Nem mesmo a expulsão de André Gomes - lance escusado do jogador português - foi capaz de espevitar um Vitória SC mais morto do que vivo. Os encarnados foram deixando o tempo correr até ao apito final sem grandes preocupações - embora lhes faltasse apenas 1 golo para ficar em vantagem sobre o FC Porto - e o Vitória SC, completamente derrotado, foi somando minutos de coisa nenhuma e vendo morrer nas suas próprias limitações a esperança de fazer, pelo menos, um golo no estádio da Luz. 

O SL Benfica foi um justo vencedor, num jogo em que dominou do início ao fim. Os encarnados somaram os três pontos que necessitavam para não deixar fugir o FC Porto e só não marcaram mais golos porque a eficácia não foi a melhor. De qualquer forma o jogo permitiu a Jorge Jesus gerir o esforço dos seus jogadores, numa altura em que existem problemas no meio campo e se aproxima um jogo decisivo para o futuro do clube na Champions League. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Benfica congelou na Rússia



SPARTAK MOSKVA vs SL BENFICA (2-1)


Se dúvidas houvesse acerca da dificuldade deste jogo para a equipa portuguesa, o primeiro lance da partida - ainda não tinha decorrido 1 minuto - tratou de mostrar que a tarefa dos encarnados ia ser extremamente complicada. O Spartak Moskva entrou muito bem no jogo e conseguiu trocar completamente as voltas ao SL Benfica, que durante grande parte da partida, deu ideias de viajar para a Rússia sem conhecer verdadeiramente esta equipa de Unai Emery. Os russos, a jogar com o brasileiro Ari - enorme exibição - bem solto na frente e com dois talentosos médios - Jurado e Ananidze - no apoio, controlaram completamente o jogo a meio campo e, aproveitando um SL Benfica lento e desequilibrado, tornaram-se donos e senhores do jogo durante os primeiros 45 minutos. Com golos a abrir e a fechar a primeira parte, o Spartak Moskva conseguiu a justa vantagem com que chegou ao intervalo. Por sua vez o SL Benfica, teve o mérito de aproveitar a única oportunidade de golo de que dispôs, para ainda levar para o intervalo alguma esperança na disputa do resultado. Pelo meio Artur e a trave da sua baliza - excelente exibição do guarda-redes brasileiro - foram evitando um descalabro ainda maior.

Depois de na primeira parte a equipa da casa ter controlado o jogo da forma que quis, a estratégia para o que faltava jogar passou claramente por entregar a "despesa" o jogo ao SL Benfica, recuar linhas, manter a organização e apostar na qualidade de passe dos médios e na velocidade e talento do brasileiro Ari para a qualquer momento matar o jogo. O SL Benfica conseguiu assim ter mais tempo a bola em sua posse, mas nunca o fez com qualidade. A pouca mobilidade e os inúmeros erros nas transições permitiam aos russos sair com espaço para o contra-ataque e, não fossem os homens de Unai Emery estar mais interessados em congelar o jogo e segurar a vantagem sem correr qualquer risco, o resultado poderia ter sido ainda pior. Mas a equipa russa esteve longe de ser perfeita e os seus erros poderiam mesmo ter permitido ao SL Benfica trazer 1 ponto para Portugal. Nesta fase, faltou a Sálvio a frieza e eficácia de Lima na primeira parte. O SL Benfica não aproveitou e saiu da Rússia sem pontos e no último lugar do grupo - apenas 1 ponto conquistado e 1 golo marcado. O apuramento para os oitavos e final da Champions League 2012/2013, afigura-se agora como uma tarefa complicada para a equipa de Jorge Jesus. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Manobras do presidente



"Um mau gestor, que só pensa em novelas e não quis saber do SL Benfica durante muito tempo. Um mau benfiquista, que não pagou quotas durante muitos anos". Foi assim que Luís Filipe Vieira classificou, há data das últimas eleições do SL Benfica, aquele que apresenta agora como trunfo eleitoral: José Eduardo Moniz.

Por sua vez, Moniz, que em tempos defendia uma oposição forte à má gestão de Luís Filipe Vieira, garante agora que este último, é o único homem capaz de liderar o clube contra os poderes instalados e o único capaz de recolocar o SL Benfica no caminho dos títulos. 

Em pouco tempo o mau benfiquista deixou de o ser, transformando-se num aliado de peso para a mais do que previsível reeleição de LFV e o mau presidente - ainda pior gestor - passou a ser o único homem capaz de levar o clube ao sucesso! No desporto, tal como na política, as qualidades dos homens mudam num abrir e fechar de olhos.

O futebol é, cada vez mais, um jogo de poderes! 

domingo, 7 de outubro de 2012

Serviços mínimos



SL BENFICA vs SC BEIRA-MAR (2-1)


Na ressaca de uma noite europeia que não correu bem, os encarnados recebiam, num jogo teoricamente fácil, o último classificado da liga: o SC Beira-Mar. Se na teoria a recepção à equipa e Ulisses Morais era o jogo perfeito para o SL Benfica recuperar a confiança, na prática não foi bem isso que aconteceu. 

A jogar perante os seus adeptos, o jogo não podia ter começado pior para os encarnados que sofreram logo aos 4 minutos de jogo - golo de Sasso. O SC Beira-Mar, tal como havia mostrado em jornadas anteriores, voltou a ser uma equipa extremamente defensiva e depois de inaugurar o marcador em casa de um adversário com muito mais argumentos, fez da defesa a sua arma, recolheu-se à frente da baliza de Rui Rego e foi esperando que o tempo passasse o mais rapidamente possível. Por sua vez, o SL Benfica demorou a reagir ao golo sofrido e, mesmo estando sempre por cima no jogo, insistiu num futebol pouco convincente, demasiado lento e previsível, que esbarrava constantemente na muralha defensiva aveirense. Os encarnados falhavam inúmeros passes e o SC Beira-Mar ia-se sentindo confortável na defesa de um resultado bastante positivo. O SL Benfica não conseguia criar grandes oportunidades de golo e nem mesmo de grande penalidade foi capaz de bater Rui Rego. O intervalo chegava com os visitantes em vantagem e com muitos assobios nas bancadas da Luz. 

Para a segunda parte a equipa da casa trouxe muito mais vontade e, mesmo não mostrando uma grande melhoria no seu futebol, pelo menos insistia no ataque com maior crença e determinação. Na verdade esse espírito resultou e, bem cedo - 58 minutos -, Maxi Pereira abriu o livro para de forma brilhante - pontapé de bicicleta - empatar a partida. O golo do SL Benfica abanou a muralha aveirense e 2 minutos bastaram para que a equipa da casa completasse a reviravolta no marcador por intermédio de Rodrigo. Em apenas 2 minutos a equipa de Jorge Jesus mudava por completo o jogo e a estratégia aveirense desfazia-se. Os visitantes precisavam agora de atacar para ainda tentar levar algo deste jogo, mas rapidamente mostraram que o ataque não era o seu forte. O SL Benfica percebeu que não precisaria e correr muito para levar de vencida a equipa de Ulisses Morais e foi deixando o jogo correr até ao fim.

No final, vitória justa mas sofrida para o SL Benfica, que não se livrou de um susto e de um bom puxão de orelhas - em forma de assobios - do seu público. A equipa da casa fez um jogo bem abaixo das expectativas dos adeptos, mas amealhou os 3 pontos que lhe continuam a garantir a liderança. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Digno vencido



SL BENFICA vs FC BARCELONA (0-2)

À segunda jornada da Champions League, o SL Benfica recebeu no seu estádio, perante cerca de 64.000 adeptos, o maior colosso do futebol mundial das últimas décadas, o FC Barcelona. Mesmo a viver momentos de menor fulgor, fruto da saída de Guardiola, os catalães são uma equipa simplesmente fabulosa e quase impossível de vencer. Jorge Jesus sabia-o e, por isso mesmo, montou uma estratégia na qual o seu SL Benfica não está habituado a jogar. Jogou quase sempre com 10 homens atrás da linha da bola e uma forte pressão, tentando contrariar o "Tiki Taka" catalão e aproveitar possíveis perdas de bola para, dando uso à velocidade dos seus alas - Salvio e Gaitan - e agilidade do seu avançado - Lima - levar perigo à baliza de Valdés.

O jogo do Estádio da Luz começou exactamente como se previa, ou seja, com o FC Barcelona a dominar por completo o meio campo e a posse de bola e o SL Benfica a sair rápido para o ataque sempre que os homens de Tito Vilanova perdiam a bola. E a verdade é que num desses momentos Bruno César esteve perto de marcar um golo que poderia ter ditado um jogo diferente. Não marcou Bruno César, marcou Alexis Sanchez logo aos 6 minutos colocando o FC Barcelona na frente do marcador. Depois de se colocar em vantagem, os catalães controlam totalmente as operações, definem o ritmo de jogo e gerem o seu cansaço e o do adversário com uma mestria impressionante. Foi isso que aconteceu na Luz.  Durante a primeira parte o SL Benfica ainda foi capaz de aproveitar alguns contra ataques para levar perigo à baliza do FC Barcelona - chegou ao intervalo com 9 remates -, mas falhou na hora da finalização. 

Depois de uma primeira parte em que o FC Barcelona entrou a marcar para depois gerir o jogo a seu belo prazer, a segunda parte começou precisamente da mesma forma. Os espanhóis entraram a todo o gás, marcaram cedo - 55 minutos - fechando de vez o jogo e a partir daí trocaram a bola e fizeram a equipa de Jorge Jesus correr atrás dela até ao desespero. Os jogadores do SL Benfica raramente conseguiram ter a bola nos pés - os 75% de posse a favor do FC Barcelona são a maior prova disso. Se na primeira parte a equipa de Jorge Jesus ainda teve disponibilidade física para aproveitar contra ataques, na segunda foi perdendo força e frescura à medida que era obrigado a correr atrás da bola e raramente incomodou Valdés - excepção para um remate perigoso de Salvio. 

Ficou o registo de um SL Benfica que deu tudo o que tinha e até fez um bom jogo - principalmente na primeira parte -, mas para maior parte das equipas do mundo, jogar bem contra o FC Barcelona serve apenas para não ser goleado. A diferença de qualidade deste FC Barcelona para o SL Benfica é de de tal forma incomparável que o resultado acaba por ser perfeitamente normal, afinal de contas estamos a falar de uma derrota com a melhor equipa do mundo. 

No final do encontro Pablo Aimar explicou o que significa jogar contra o FC Barcelona com a seguinte frase: "É complicado jogar com o Barcelona. Só há uma bola e eles têm-na durante três quartos da partida...".

sábado, 29 de setembro de 2012

Valeu Lima



PAÇOS FERREIRA FC vs SL BENFICA (1-2)


Paços de Ferreira e SL Benfica, pareciam vir dispostos a dar um bom espectáculo de futebol na abertura a jornada. O jogo na Mata Real começou  bem mexido e com as equipas a tentarem impor o seu futebol, mas de repente, quando estavam decorridos apenas 6 minutos de jogo, todo o estádio ficou às escuras. Apagão em Paços de Ferreira. E poderia haver melhor forma de descrever o que se viria a passar depois? De certeza que não.


Depois de alguns minutos à espera de condições para retomar a partida, o jogo entre FC Paços de Ferreira e SL Benfica recomeçou da mesma forma que tinha "terminado". Os homens da casa fortes e rápidos no contra-ataque e os visitantes a apostar na mobilidade ofensiva para chegar ao golo. A equipa de Paulo Fonseca adiantou-se no marcador, num excelente lance de ataque concretizado por Cícero e na resposta, Lima aproveita uma clamorosa falha do guarda-redes Cássio para empatar novamente o jogo. Pareciam reunidas todas as condições para um grande jogo de futebol, mas de repente, e tal como tinha acontecido com a iluminação da Mata Real, também a qualidade do jogo se apagou. 

A partir daqui, e estavam decorridos apenas 20 minutos de jogo, assistiu-se a uma partida de futebol mal jogada, lenta, sem imaginação por parte dos seus protagonistas e tremendamente aborrecida para quem estava a assistir. A equipa de Jorge Jesus, que já havia perdido pontos na jornada anterior, fez questão de "pegar" no jogo e ditar o seu ritmo, mas fazia-o sem criar grande perigo para a baliza da equipa da casa - excepção feita aos erros do guarda-redes Cássio. O ataque encarnado bem tentava mexer com o jogo, mas a sua previsibilidade - principalmente de Nolito -  condenava as intenções a morrer na muralha defensiva do FC Paços de Ferreira, que abanava mas teimava em não cair.

Na segunda parte, e com a entrada do argentino Gaitan para o lugar de Nolito, o futebol do SL Benfica teve uma ligeira melhoria - coincidente com o descalabro total do FC Paços de Ferreira - e a equipa de Jorge Jesus ganhou um pouco mais de objectividade. Os encarnados foram, a pouco e pouco, crescendo no jogo mas iam falhando, uma atrás de outra, todas as oportunidades que conseguiam criar. Por esta altura já FC Paços Ferreira tinha desaparecido e limitava-se a defender com unhas e dentes o empate. O problema é que até isso fazia mal e mostrou-o aos 71 minutos numa falha enorme que "ofereceu" novo golo a Lima e a vantagem ao SL Benfica. 

Aqueles que, a partir deste momento, esperavam uma melhoria na qualidade do jogo, ficaram profundamente desiludidos. O FC Paços de Ferreira continuou a não saber atacar com qualidade e o SL Benfica continuou a dominar a partida e a falhar as oportunidades que criava. O jogo arrastava-se para o fim, perdendo qualidade - a pouca que ainda tinha - a cada minuto que passava e apenas o recuo excessivo das linhas encarnadas permitiu alguma emoção nos últimos minutos de jogo, altura em que Artur, com uma enorme defesa, segura a vitória da sua equipa. O SL Benfica foi um justo vencedor numa partida em que, apesar de não ter feito um grande jogo, foi sempre superior a um adversário que mostrou muita garra e determinação - como aliás é sua imagem de marca -, mas a quem faltou tudo o resto. 


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Xistralhada



ACADÉMICA COIMBRA vs SL BENFICA (2-2)


Por muita qualidade que o futebol português possa ter, há sempre personagens que destoam e fazem questão de ser figuras maiores de um espectáculo que na verdade não é - pelo menos não deveria ser - o seu. É por isso, que quando leio numa ficha de jogo os nomes de Bruno Paixão ou Carlos Xistra - para lembrar apenas aqueles que para mim são os dois piores - tenho o pressentimento de que alguma coisa não vai correr bem. Infelizmente, é muito raro estar enganado e hoje isso voltou a acontecer. Carlos Xistra voltou a ser figura maior num jogo que tinha tudo para ser emocionante e bem disputado, mas que teve e infelicidade de o ter a ele como juiz. A conclusão a que chego é sempre a mesma: este senhor é um árbitro horrível.

Quem viu os primeiros minutos do jogo de Coimbra, esperava um passeio encarnado em terra de estudantes, mas a falta de eficácia dos atacantes da luz tratou de adiar um golo que parecia certo e que acabou por demorar muito tempo - talvez demais - a chegar. A entrada da equipa de Jorge Jesus foi muito forte, com pressão alta, mobilidade, velocidade dos alas e muita qualidade técnica. O SL Benfica poderia ter chegado aos primeiros 10 minutos de jogo a vencer já por uma diferença de golos bastante elevada, mas os postes, o guarda-redes Ricardo ou a falta de inspiração dos atletas encarnados fizeram questão de manter o jogo empatado a zero e alimentar anímicamente a equipa de Pedro Emanuel. A Académica de Coimbra foi-se organizando, segurando a bola, enervando os lisboetas e na única vez que chegou à baliza do SL Benfica conseguiu mesmo o golo e a vantagem, num lance de grande penalidade que deixa algumas dúvidas - fica-me a ideia que a falta é fora da grande área. O SL Benfica acusou o golo e, verdade seja dita, só voltou a incomodar o guarda-redes Ricardo bem perto do intervalo.

A segunda parte do jogo voltou a mostrar um SL Benfica muito forte ofensivamente, a criar muitas oportunidades e, desta vez, a chegar ao golo bem cedo num lance de penalti a castigar mão na bola de Rodrigo Galo, que acabou mesmo expulso com vermelho directo. Com uma unidade a menos o jogo parecia complicar-se para a equipa da casa que perdia a vantagem e um jogador no mesmo minuto. A verdade é que a Académica de Coimbra não baixou os braços e soube levantar a cabeça, organizar-se defensivamente, dar a condução de jogo ao SL Benfica e aproveitar os contra ataques para criar perigo junto da baliza de Artur. É precisamente num desses momentos que volta a chegar à vantagem, em mais um lance de penalti, que ao contrário do primeiro não deixou qualquer dúvida, pura e simplesmente porque não existiu penalti nenhum. Hélder Cabral inventou o lance e Carlos Xistra inventou o penalti que devolveu a vantagem aos estudantes. O SL Benfica passava agora a ter 20 minutos para fazer aquilo que não estava a conseguir fazer há 70, ou seja, dar a volta a uma Académica defensivamente muito bem organizada. 

Os últimos 20 minutos da partida foram de sentido único. O SL Benfica partiu para cima da equipa de Coimbra na tentativa de chegar o mais rápido possível ao golo do empate. A jogar com um homem a mais, a equipa de Jorge Jesus conseguia colocar com facilidade dois jogadores bem abertos nas alas para tentar desequilibrar a defensiva contrária. Sálvio, que já havia inventado o lance do primeiro golo, continuou a dar que fazer ao defesas de Pedro Emanuel, mas quando chegava a hora da verdade, os postes, um defesa, o guarda redes ou a falta de pontaria dos avançados faziam questão de manter tudo na mesma e foi apenas à bomba que o SL Benfica conseguiu empatar - primeiro golo de Lima com a camisola encarnada - já demasiado perto do minuto 90. Os encarnados ainda tentaram até ao fim chegar à vitória, mas nesta fase a equipa de Coimbra foi heróica na forma como defendeu o seu "pontinho" e os jogadores de Jorge Jesus já não tinham capacidade - física e psicológica - para mais.  

O árbitro Carlos Xistra, que acumulou erros atrás de erros durante toda a partida, teve influência directa num resultado que acaba por ser injusto para o SL Benfica. No final, os encarnados acabam penalizados por uma péssima arbitragem do juiz da Covilhã e pela enorme falta de eficácia que os seus avançados apresentaram durante quase todo o jogo.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Noite pouco feliz



CELTIC FC vs SL BENFICA (0-0)


A jogar no antigo Celtic Park, o SL Benfica de Jorge Jesus procurava entrar a vencer nas provas europeias. Para que isso fosse possível, era necessário quebrar uma já antiga tradição de maus resultados dos lisboetas nas deslocações a Glasgow, onde nunca havia vencido e nem mesmo marcado golos. A verdade é que desta vez não foi muito melhor. 

Num jogo em que Jorge Jesus sentiu pela primeira vez o peso da ausência do capitão Luisão, o SL Benfica foi sempre uma equipa pouco corajosa e demasiado curta, que se pareceu resignar com um nulo na casa do adversário mais fraco do grupo - teoricamente. À procura de novas soluções tácticas e de alguns remendos para a sua equipa, Jorge Jesus montou uma equipa muito expectante. Desta vez, Gaitan e Salvio estiveram completamente desinspirados, Aimar, que jogou demasiado atrás, já não tem idade nem físico para resolver todos os problemas sozinho e Rodrigo é um jovem demasiado frágil para dar luta a tão duros e experientes centrais do Celtic -  a forma de jogar de Cardozo e a sua eficácia teriam sido mais úteis ao SL Benfica.

Mas se o SL Benfica era uma equipa desinspirada, o que dizer dos escoceses? Os homens de Neil Lennon são altos e fortes, mas duros de rins e demasiado toscos e mesmo dominando territorialmente - o que era consentido pelo SL Benfica - nunca criaram grandes problemas a Artur e, verdade seja dita, a haver um vencedor neste jogo, teria de ser a equipa de Jorge Jesus. 

É precisamente pela qualidade dos escoceses - ou falta dela - que considero este resultado negativo. Bem sei que pontuar fora na Champions League pode ser um bom resultado, mas sinceramente, o SL Benfica é tão superior a este Celtic FC que, mesmo a jogar desfalcado, podia ter conseguido muito mais. Passando os olhos pela imprensa desportiva fica a ideia de que a equipa da Luz fez um grande jogo e obteve um bom resultado. A mim essa ideia não convence minimamente.



SC BRAGA vs CLUJ (0-2) 




Em Braga, a "pedreira" acabou por não ser a casa de sonhos que os adeptos tanto esperavam para este arranque de Champions League. Num jogo que parecia dominado pelos homens de Peseiro a todos os níveis, o campeão romeno fez uso da sua velocidade e do talento de dois ex-bracarenses - Mário Felgueiras a defender e Rafael Bastos a marcar - para abater uma equipa minhota, que facilmente se deixou "atordoar" às primeiras contrariedades.

Tendo em conta a diferença de qualidade das equipas, não se esperava que o resultado ganhasse estes contornos. O SC Braga entrou no jogo com a intenção de dominar e fazer uso das qualidades de Hugo Viana, Micael e Mossoró para ganhar a luta numa das zonas mais importantes do terreno. Na verdade conseguiu-o, mas o Cluj, percebendo que não era aí que criava problemas aos portugueses, apostou em recuar linhas e usar o contra-ataque como forma de chegar à baliza do seu ex-guardião Beto, e foi assim que em apenas três subidas à área contrária, graças ao talento de Rafael bastos e alguma ingenuidade da defensiva arsenalista, o Cluj se colocou em vantagem de 0-2. Resultado injusto e exagerado que penalizava o mau posicionamento do SC Braga na hora de defender.

Verdade seja dita, o SC Braga lutou até ao final para virar um resultado que não era nada positivo, mas quando não era o último toque que falhava - Éder ainda parece um corpo estranho à equipa -, era Mário Felgueiras a brilhar ao mais alto nível perante o olhar do seu ex-patrão. Um resultado injusto e que não condiz com aquilo que foi o jogo, mas que pode prejudicar muito a equipa minhota na luta por um lugar nos oitavos de final.