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terça-feira, 11 de junho de 2013

Novo rosto do Dragão



Foram vários os rumores e muitos os dias de espera mas, finalmente, Paulo Fonseca foi confirmado como treinador dos dragões. O jovem técnico que em 2012/2013 orientou o FC Paços de Ferreira e qualificou a equipa da capital do móvel para a pré-eliminatória da UEFA Champions League é a mais recente aposta de Jorge Nuno Pinto da Costa para chegar ao tetra campeonato e, quem sabe, ao tão desejado penta. A escolha do presidente portista não surpreende e mesmo sendo considerada como uma aposta de risco, vai de encontro a outras escolhas que tanto sucesso tiveram no reino do Dragão: um treinador jovem, sem grande currículo, ambicioso e com novas ideias para o futebol azul e branco. 

No fundo, o presidente dos dragões aposta numa lavagem de rosto da sua equipa profissional. Numa fase em que era clara a saturação (principalmente por parte dos adeptos) para com o treinador bi-campeão e em que se processa uma remodelação do plantel (James e Moutinho já saíram e outros poderão seguir o mesmo caminho), Pinto da Costa aposta também num novo treinador que seja capaz de comandar o projecto portista e de manter o clube na senda de vitórias a que tem habituado os adeptos. Terá Paulo Fonseca capacidade e competência para tamanho desafio? A resposta está nas mãos do treinador...

Nota: Não sei se as contratações ja oficializadas pelo FC Porto têm o aval do novo treinador, mas uma coisa é certa, todas elas (Josué, Carlos Eduardo, Licá, Ricardo, Tiago Rodrigues) têm a sua cara.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

De pequenino...



Aquilo a que se assistiu no Olival após o jogo que colocou frente-a-frente FC Porto e SL Benfica no escalão de juvenis (meninos de 16 anos), foi uma demonstração terceiro-mundista do que é (ou no que se está a transformar) a formação de jogadores em Portugal. A vergonhosa batalha campal na qual participaram os jogadores de ambas as equipas demonstra que, para estas crianças de apenas 16 anos, o futebol já não é apenas um desporto e a rivalidade já não é (se é que alguma vez foi) uma coisa saudável que motiva e faz avançar os clubes. O futebol, principalmente nas camadas jovens, deve ser acima de tudo formação desportiva e pessoal. Nestes escalões e nesta fase precoce de uma possível carreira futebolística, deve ser incutido nos atletas o respeito pela modalidade, o respeito pelo adversário e o respeito por si próprio, devem ser ensinados valores e devem-se formar (ou pelo menos tentar) não só jogadores mas também homens. 

Os miúdos devem saber estar no desporto e na vida de forma saudável e isso só lhes pode ser incutido por aqueles que no dia-a-dia lhes servem como modelo. Pais, treinadores e dirigentes têm que assumir a responsabilidade dos seus papeis e reflectir sobre aquilo que pode estar a correr mal na educação dos seus filhos e atletas. O que aconteceu no Sábado foi uma demonstração vergonhosa de não saber ganhar por parte dos vencedores e de não saber perder por parte dos vencidos. Foi, acima de tudo, uma preocupante demonstração de falta de educação, respeito e desportivismo de miúdos que não têm mais de dezasseis anos. A continuar assim, podemos estar a criar gente com habilidade para jogar futebol mas não estamos, de modo algum, a formar homens.

O futebol jovem do nosso país precisa de uma profunda reflexão e, quem sabe, uma profunda renovação. É preciso perceber que os clubes não estão nisto sozinhos e que os pais não podem simplesmente entregar os seus filhos e depositar nas instituições desportivas todas as responsabilidades. A base da educação de cada um destes atletas vem de casa e dos valores que os pais transmitem e, verdade seja dita, também aí o trabalho deixa muito a desejar. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vitor Pereira... Que futuro?



Apesar dos dois títulos conquistados nos dois últimos anos, a verdade é que o treinador do FC Porto não consegue convencer os adeptos da sua própria equipa (a maioria pelo menos) e não consegue deixar de ser uma espécie de patinho feio, um mal amado no reino do dragão. Verdade seja dita que, em parte, isso acontece por culpa própria. 

Se é verdade que ao longo da época o FC Porto teve jogos em que demonstrou enorme qualidade no seu jogo e se viu elogiado por todo o mundo (lembro os jogos com Guimarães e Málaga), não é menos verdade que momentos houve de puro tédio, em que a equipa assumiu um jogo de posse que se resumia em jogar para os lados e para trás, sem conseguir ser capaz de criar qualquer situação emotiva para quem acompanhava a partir das bancadas ou da televisão. Pelo meio dos méritos de Vítor Pereira (que com certeza os tem) surgem falhas que os mais exigentes adeptos (e os do FC Porto são do mais exigente que por cá se encontra) não conseguem perdoar. A equipa é irregular a nível exibicional, a gestão do jogo e até mesmo do plantel é deficiente (se bem que na parte do plantel a culpa não é apenas do treinador) e, digam o que disserem, a verdade é que o FC Porto perdeu nos últimos anos um pouquinho da sua imagem e dimensão europeia. 

Pode parecer que vencer dois campeonatos é bom, mas para uma equipa da dimensão do FC Porto isso não chega. Não é bom vencer apenas duas ligas e ser eliminado prematuramente da taça por duas vezes (uma delas por 3-0 em Coimbra)... Não é bom vencer apenas duas ligas e ser eliminado prematuramente da Champions League por duas vezes (uma delas em plena fase de grupos). Se é certo que o treinador português, apesar das saídas de jogadores chave (Falcão e Hulk), mostrou competência suficiente para fazer do FC Porto campeão nacional contra um dos adversários mais fortes do últimos anos (o SL Benfica 2012/2013), não é menos verdade (na minha opinião) que o FC Porto necessita de mais e precisa de alguém que lhe devolva a enorme dimensão europeia que foi conquistada ao longo dos últimos vinte anos e, sinceramente, não me parece que seja Vítor Pereira o treinador capaz de o fazer.

Os últimos meses, apesar da conquista do principal objectivo da época (titulo nacional) mostraram um cenário de desgaste entre o treinador e alguns dirigentes e, principalmente, entre o treinador e a maioria dos adeptos (apesar de algumas manifestação na hora de festejar poderem fazer crer o contrário). Além de tudo mais, o FC Porto precisa de renovar a sua equipa técnica, precisa de tornar o seu futebol mais eficaz e atractivo, precisa de injectar sangue novo (o que não significa contratar um treinador jovem) e apostar em alguém que não esteja tão perto da critica logo à primeira falha, porque isso, a acontecer, afectará sempre o plantel e a própria estrutura azul e branca. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Livre de derrotas



Surpreendente ou não, a verdade é que o FC Porto treinado por Vítor Pereira conquistou a vitória na liga portuguesa e mais ainda, fê-lo sem qualquer derrota. Digo surpreendente porque, na verdade, muitos não acreditavam em tal reviravolta no desfecho da liga... eu, por exemplo, não acreditava. A verdade é que uma vez mais os comandados de Vítor Pereira foram capazes de se manter focados e fortes enquanto caminharam penosamente no segundo lugar atrás do SL Benfica e no momento decisivo, quando a equipa de Jorge Jesus escorregou, não vacilaram e foram capazes de vencer ao sprint um dos mais emocionantes campeonatos dos últimos anos. 

A liga venceu-se nos pormenores e nisso o FC Porto foi mais forte. Nos duelos entre primeiros o FC Porto não vacilou (empate na Luz e vitória no Dragão) e na altura de maior desgaste emocional e físico foi capaz de se manter unido e compacto no caminho dos seus objectivos. O SL Benfica foi a equipa que durante mais tempo apresentou melhor futebol ao longo da época (disse-o aqui várias vezes) mas, talvez fruto do excesso de frentes em que esteve envolvido, tremeu nos últimos jogos e viu-se surpreendido em casa pelo Estoril quando já ninguém esperava (nem mesmo a própria equipa como mostrara os festejos do jogo anterior na Madeira). Se este foi para muitos o jogo que decidiu o título, o que lhe seguiu carimbou definitivamente o símbolo de tri-campeão nos portistas. O SL Benfica visitou o Dragão a três dias de defrontar o Chelsea FC na final da Europa League e fê-lo com uma postura que não agourava nada de bom. Tendo a consciência de que o empate seria resultado suficiente para manter as aspirações intactas e querendo-se poupar para a final europeia que estava para vir, viu-se um SL Benfica defensivo, lento, a perder tempo e a lutar pelo resultado que lhe era conveniente. A verdade é que o desejado resultado esteve a segundos de ser uma realidade, mas costuma-se dizer que quem joga para o empate está mais perto de perder e mais uma vez foi isso que aconteceu. A inconsciência de um miúdo irreverente de apenas 19 anos mudou por completo a história do campeonato e o momento em que Jorge Jesus se "ajoelha" perante o grande golo de Kelvin fica para a história como a grande imagem desta competição. Perante a derrocada das forças anímicas dos encarnados, o FC Porto acelerou para o titulo nacional sem abrandar ou sequer olhar para trás. 

Vítor Pereira teve o mérito de ser capaz de manter a sua equipa unida e focada no objectivo mesmo quando este parecia impossível e foi capaz de, mesmo tendo menos opções que o rival (em termos ofensivos) se manter na luta até ao fim, não desistindo do seu estilo de jogo, da sua identidade e nunca alterando o seu futebol em função dos outros. Se este é ou não um estilo de jogo bonito e eficaz é conversa para outros "debates", a verdade é que Vítor Pereira se manteve fiel a si mesmo e mais uma vez (contra todos os prognósticos) acabou por vencer. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

VP embrulha o título



CS MARÍTIMO VS FC PORTO (1-1)

Depois de uma eliminação inesperada em Espanha, o FC Porto deslocou-se à Madeira com o objectivo de assegurar os três pontos, esquecer o trauma das competições europeias, manter-se na luta pelo título nacional e colocar pressão no SL Benfica, ganhando um novo ânimo para o que resta da época. Aconteceu tudo ao contrário e a verdade é que os portistas vão regressar ao continente em muito pior estado do que estavam. Terá Vítor Pereira força para sair disto "vivo"? Dificilmente! 

Depois de uma poupança de esforços mal calculada ter afastado os dragões da Taça de Portugal, Vítor Pereira conseguiu a proeza de, em apenas 5 dias destruir o que restava da época azul e branca e quase de certeza das suas esperanças num futuro de dragão ao peito. Após o falhanço redondo que foi a preparação, o jogo e o pós-jogo dos oitavos de final da Champions League, o FC Porto entrava em campo com margem reduzida para errar. Os adeptos sabiam disso, os jogadores sabiam disso, o treinador sabia disso, mas ainda assim o que se viu na Madeira foi um FC Porto sem ideias, sem mobilidade, abatido psicologicamente, sem força, sem garra, fisicamente desgastado (são inúmeras as lesões e quase não há jogador que se mostre fisicamente disponível) e pior ainda sem qualidade para dar a volta às contrariedades do jogo. Durante 90 minutos o campeão nacional voltou a mostrar uma enorme percentagem de posse de bola que raramente consegue transformar em lances perigosos ou jogadas de golo iminente. A equipa perde-se em passes laterais e para trás que mais não significam do que um mastigar de jogo enfadonho. Se a tudo isto juntarmos a gritante falta de eficácia da equipa, facilmente se chega à conclusão de que o resultado dificilmente poderia ser outro que não uma escorregadela, que estende uma enorme passadeira vermelha para o título. 

Vítor Pereira voltou a falhar na construção da sua equipa, voltou a não ser capaz de montar uma estratégia que derrubasse a muralha defensiva dos madeirenses e falhou redondamente na leitura que foi fazendo ao longo do jogo. Só assim se explica o 11 inicial, a forma como a equipa se movimentou dentro do campo, as substituições e as palavras proferidas depois de tão miserável exibição. Como se explica que o FC Porto adquira um ponta de lança (Liedson) no mês de Janeiro e num jogo em que precisa de marcar golos esse mesmo avançado não se levante do banco nem mesmo para aquecer? Será que Liedson não está em condições físicas? Mas se não está, como se explica que esteja no banco de suplentes apenas para ocupar lugar? Tem sido desastrosa a gestão feita pelo treinador do FC Porto, assim como desastrosa parece ser a preparação física da sua equipa (tantas lesões musculares numa época só?). São demasiados erros e equívocos que vão custando objectivos (a Taça de Portugal e a Champions league já foram... o campeonato vai a caminho) e que no futuro custarão certamente (espantaria-me o contrário) o futuro de Vítor Pereira no Dragão. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Clássico(zinho)



SPORTING CP vs FC PORTO (0-0)

O FC Porto vs Sporting CP que se jogou no fim de semana não passou de um "clássicozinho", um jogo quase banal e sem grandes motivos de interesse, onde nenhuma das duas equipas fez por merecer a vitória ou por dignificar a qualidade do futebol português.

Sem João Moutinho - baixa de última hora - o FC Porto entrou em Alvalade da mesma forma que entrou em muitos dos jogos da presente temporada, ou seja, a uma velocidade de tal forma reduzida que chega a dar sono ao mais ferrenho adepto de futebol. Com uma posse de bola que teve tanto de notável como de inútil - jogando para o lado e para trás - a equipa de Vítor Pereira - não se percebe a ideia de "colar" Defour a Fernando - não só se adormeceu a si própria no jogo como manteve o Sporting CP instalado na sua zona de conforto - atrás do meio campo -, explorando o pontapé para a frente onde Wolfswinkel se envolvia numa luta desigual com os centrais portistas. Se o FC Porto tinha tudo para conquistar uma grande vitória e dar um passo importantíssimo rumo ao tri-campeonato - não são muitos as oportunidades de defrontar um Sporting CP de tão pouca qualidade -, a verdade é que deu uma enorme sapatada nas suas aspirações - apesar de depender apenas de si - e mais ainda, praticou um futebol de tão baixo nível que deixou os seus adeptos à beira de um ataque de nervos. Se João Moutinho e Mangala já seriam baixas de vulto, um varela limitado a duas velocidades - lento e parado - um Jackson estranhamente apático e longe do jogo, um Alex Sandro apagado e um Lucho sozinho a tentar segurar o meio campo, são ingredientes mais do que suficientes para um jogo de sofrimento que acabou com um resultado negativo. Não poderia ser de outra forma. Ao dragão faltou garra e atitude!

Por seu lado, o Sporting CP fez o jogo que se esperava, mantendo a sua equipa sempre atrás da linha da bola e defendendo da forma como podia, lançando de quando em vez a corrida desenfreada mas inconsequente de Wolfwinkel que sozinho no meio de dois centrais portistas não desistia de tentar fazer a diferença. Se de um lado não havia consequência do outro não havia sequer fio de jogo e não fossem as falhas de atenção dos defesas portistas a permitir as melhores chances de golo aos da casa e certamente eu teria mesmo adormecido. No meio de tudo isto, nota positiva para Jesualdo ferreira que percebeu e bem as limitações do futebol portista sem João Moutinho e fez questão de encostar o "matulão" Dier ao único construtor portista -Lucho Gonzalez - limitando e muito as suas acções. O argentino ainda deu trabalho e manteve o meio campo da sua equipa vivo mas, verdade seja dita, com 32 anos a sua força já não pode durar 90 minutos.

No final fica o registo de um clássico do mais fraco que se viu nos últimos anos, entre duas equipas que, apesar de tudo, podiam e deviam fazer muito mais!


Destaques:

Dier: O jogador inglês foi surpresa no meio campo leonino mas cedo mostrou que era o homem certo para a tarefa. Soube segurar e limitar as acções de Lucho Gonzalez e, pese embora, o argentino tenha sido o melhor dos azuis e brancos, só não foi mais perigoso porque Dier não permitiu.

Patrício: Depois da noite infeliz no Estoril e da reprimenda do treinador, o guarda redes leonino mostrou que podem e devem contar com ele. Esteve sempre atento e seguro na baliza, matando toda e qualquer oportunidade de golo portista.

Lucho Gonzalez: O capitão argentino foi a alma e o coração da equipa portista. Foi ele que segurou o meio campo, que pressionou as saídas dos leões e que tentou levar com sucesso a bola para o ataque. Esteve sempre bem marcado pelo inglês Dier mas a sua classe acabou por vir ao de cima. Infelizmente já não dura 90 minutos em ritmo elevado e a sua equipa sentiu essa quebra.

Hélton: O guarda redes brasileiro acabou por ter mais trabalho do que estava a espera mas mostrou-se sempre rápido, eficaz e seguro. Salvou o FC Porto de um amargo de boca maior por duas vezes, negando o golo a Wolfswinkel.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ópera do trabalhador



FC PORTO vs MÁLAGA CF (1-0)

No regresso aos jogos da Champions League, o FC Porto de Vítor Pereira brindou os espectadores presente no Estádio do Dragão - e os muitos milhares que acompanharam o jogo pela televisão - com uma exibição de grande qualidade, cheia de segurança e inteligência. Foi com um futebol maduro, pressionante - por vezes sufocante - e de posse que o campeão português encostou o surpreendente Málaga CF às cordas e dominou a seu belo prazer - a equipa espanhola não teve nenhuma oportunidade de golo e apenas rematou por uma vez. 

Faltaram mais golos para colorir ainda mais - de azul pois claro - esta bela exibição portista. O único da partida, marcado pelo "enorme" João Moutinho - em posição irregular é certo - soube a pouco... soube a muito pouco tal foi a supremacia portuguesa e deixou os adeptos da casa a pensar que, apesar de defrontarem a defesa menos batida da Champions League, na verdade poderiam ter sido muitos mais. A eliminatória teve tudo para ficar praticamente resolvida em território português mas quis o "destino" - ou alguma falta de sorte e eficácia - que a disputa por um lugar nos quartos de final da prova ficasse em aberto até daqui a mais ou menos um mês, altura em que os dragões viajam à bela Andaluzia com o objectivo de garantir o apuramento. Espera-se, por isso, uma exibição tão positiva e cheia de garra e vontade como esta.  O Málaga CF é uma equipa de qualidade, foi a sensação desta Champions League - em ano de estreia - e defende de forma competente e organizada - sofreu hoje o sexto golo na competição - mas, verdade seja dita, o FC Porto provou ter todas as condições para ultrapassar este adversário, esperar alguma felicidade no próximo sorteio e, quem sabe, piscar um olho às meias-finais. Seja como for, uma passagem à próxima eliminatória seria já sinónimo de uma excelente prestação europeia e de um objectivo desportivo e financeiro alcançado com sucesso.

Destaques:

João Moutinho - Mais uma grande exibição do pequeno "Grande" João que encheu o meio campo dos azuis e brancos, foi fundamental na recuperação de bola e na forma como a soube conduzir para o ataque. Jogou, fez jogar e na hora da verdade não falhou, marcando à ponta de lança o golo que dá vantagem ao FC Porto na eliminatória. Uma enorme exibição de um jogador que não se cansa de trabalhar.

Alex Sandro - O brasileiro é cada vez mais um caso sério no futebol - certamente um dos 3 melhores laterais esquerdos do mundo. Hoje voltou a fazer uma exibição de encher o olho. Secou o espanhol Joaquin e trocou de tal maneira as voltas aos adversários de cada vez que subia no terreno que obrigou Pellegrini a lançar Portillo com o intuito de o travar. Um jogo quase perfeito que culminou com a fabulosa jogada do golo portista. A forma como recupera a bola e a conduz até ao passe final para João Moutinho marcar é simplesmente deliciosa.

Izmaylov - O médio russo que estava encostado no Sporting CP e que supostamente estava fisicamente inapto para a modalidade - não seria tanto mas quase -, aparece agora no FC Porto a mostrar que ainda tem muito para dar. Para já vai dando qualidade ao futebol azul e branco e, verdade seja dita, tem dado uma resposta extremamente positiva a quem apostou nele. Hoje voltou a fazer um bom jogo, com inteligência táctica, ocupando bem os espaços, abrindo linhas de passe e mostrando-se bastante rematador, o que é mais um sinal da crescente confiança com que encara os jogos.     

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Este país também é para velhos



Depois de alguma especulação em torno do negócio, FC Porto e CR Flamengo acertaram a transferência que trará de novo o luso brasileiro Liedson a Portugal, desta vez para jogar de dragão ao peito. Com um curto contrato de seis meses, os campeões nacionais garantem uma alternativa a Jackson Martinez, oferecendo à equipa treinada por Vítor Pereira um jogador que é significado de golo, experiência e maturidade. Numa fase em que a época já segue a um ritmo elevado e as decisões vão começar a qualquer momento (o jogo com o Málaga para a Champions League está já aí à porta), o FC Porto precisava de um jogador para o imediato, que fosse capaz de ser uma alternativa para o presente e não um jogador pra aprender, para se adaptar, para crescer e ser aposta no futuro (como disse e bem Vítor Pereira). Assim sendo, e partindo do principio que o jogador se apresenta fisicamente apto (em Portugal há sempre um enorme complexo com jogadores acima dos 30 anos), o FC Porto pode ter garantido com o "levezinho" um verdadeiro reforço de peso. 

A transferência de Liedson para o FC Porto, assim como a insistência de Jorge Jesus em continuar a contar com Aimar, mostram uma face do futebol português à qual os adeptos não estão habituados: a importância e valorização dos jogadores experientes. Pelo mundo fora, sem querer estar a comparar a qualidade dos atletas, vemos jogadores de enorme qualidade a espalhar o seu futebol e a sua experiência em campo nas principais ligas, sem que a idade seja um problema (Ryan Giggs, Zanetti, Totti, Del Piero, Lampard, Terry, Gerrard, Drogba entre outros). Infelizmente no nosso país há o triste hábito de considerar velho todo e qualquer profissional que ultrapasse os 30 anos de idade e desperdiçam-se (só não completamente porque há clubes mais pequenos que fazem deles referências) jogadores como por exemplo João Tomás. Houve durante estes últimos anos algum ponta de lança português que provasse ser melhor opção do que João Tomás para a selecção? Eu não me lembro, mas mesmo assim o "velho" João não veste a camisola das quinas desde 2007 (até lá só o tinha feito por quatro vezes), pese embora a excelente marca de golos que vai conseguindo época após época! 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

20 minutos de loucos!



SL BENFICA vs FC PORTO (2-2)

Num jogo que colocava frente-a-frente as duas melhores equipas do futebol português e as grandes - únicas - candidatas ao título de campeão nacional, SL Benfica e FC Porto fizeram questão de não desiludir os respectivos adeptos e entrar no jogo com uma vontade gigante e uma garra de guerreiro. Foram 20 minutos completamente loucos e de enorme qualidade, recheados de grandes momentos, muitos golos - Mangala aos 8, Matic aos 10, Jackson aos 15 e Gaitan aos 17 minutos - e uma constante incerteza sobre quem iria ser capaz de rir por último e melhor. Foram 20 minutos de pura magia e de um futebol capaz de fazer qualquer amante do desporto rei não portador de bilhete, roer-se de inveja por não ter marcado presença numa das vermelhas cadeiras do Estádio da Luz. É destes grandes momentos que se faz o futebol. 

Após este alucinante período, o jogo foi perdendo alguma da sua intensidade - era impossível aguentar sempre assim - e a velocidade com que se desenhavam as jogadas de encarnados e azuis e brancos não era a mesma. Ainda assim, a qualidade do jogo, a inteligência técnica e táctica dos protagonistas nunca deixou de marcar presença e, apesar do coração começar a bater a um ritmo mais normal, foi com um misto de sentimentos que os adeptos viram chegar o intervalo. Os sorrisos no rosto espelhavam bem o prazer de fazer parte deste grande espectáculo, mas por dentro, ninguém duvidará que se escondia uma profunda tristeza por não ser possível prolongar ainda mais este pequeno momento de "apenas" 45 minutos. 

Após o merecido descanso, SL Benfica e FC Porto entraram em campo com intensidade reduzida. Quem acompanhou a primeira parte sem conseguir manter o "rabo" colado à cadeira começou a achar estranho o conforto com que se ia "enterrando" no lugar. A emoção foi-se - em parte - perdendo e as equipas assumiram uma estratégia de minimização de riscos e de mútuo respeito. Nesta fase, jogou-se muito mais no meio campo e o jogo tornou-se mais físico. Cresceu o número de faltas, aumentaram os erros e os passes falhados e diminuiu o interesse pelo clássico. Começava-se a desenhar "nas estrelas" o justo empate final. Com o jogo instalado a meio campo, foi o FC Porto quem se mostrou mais confortável conseguindo-se superiorizar aos encarnados no controle do jogo, no domínio do meio campo e na ocupação dos espaços. Os dragões usavam a inteligência e capacidade da sua reforçada linha média - ao contrário do que eu esperava, Defour foi aposta acertada - para amarrar o futebol do SL Benfica, obrigando mesmo Jorge Jesus a abdicar do reforço ofensivo para povoar o miolo com Aimar e Carlos Martins. Apesar de tudo, verdade seja dita, a principal oportunidade de desbloquear o jogo pertenceu à equipa da casa, que teve nos pés de Cardozo a chave para os três pontos, mas viu a ponta dos dedos de Hélton afastar a vitória para canto e manter o resultado num justo 2-2. O paraguaio mostrou que não estava nos seus dias e o brasileiro aproveitou para ao vivo "responder" a Luís Filipe Vieira e mostrar que sozinho pode mesmo valer pontos. 

No final, o resultado acaba por ser justo - mais favorável ao FC Porto que jogava fora de casa - por aquilo que ambas as equipas fizeram em campo. Pelo trabalho, pela motivação, pelo empenho, pela garra e pela enorme qualidade daqueles inesquecíveis 20 minutos iniciais, nenhuma das equipas merecia perder. 


Destaques:

Mangala: Um miúdo de 21 anos transformado num senhor defesa central. Enorme exibição do central francês tanto a defender, como a atacar. Marcou o primeiro golo da equipa, meteu os avançados do SL Benfica num bolso - excepção ao lance em que Cardozo se isola - e foi o patrão do sector defensivo do FC Porto. Por vezes é demasiado duro na forma como aborda os lances - Cardozo que o diga - mas limando essa pequena aresta terá tudo para ser um dos grandes centrais do futebol europeu. 

Alex Sandro: Alguém se lembra quem era o lateral esquerdo do FC Porto antes dele? O brasileiro adaptou-se de tal forma à sua nova realidade que se está a transformar num caso sério. Ontem voltou a fazer um enorme jogo. Sempre cheio de vontade conseguiu "secar" Salvio durante grande parte do jogo e ainda soube aproveitar o momento menos bom de Maxi Pereira para criar desequilibrios na defensiva encarnada. Está em grande forma.

Matic: Tal como o lateral portista também o sérvio do SL Benfica tem feito tudo para que os adeptos não sintam saudades de Javi Garcia... e de certeza que não sentem. Matic encheu completamente o campo. Foi enorme a defender e a apoiar o ataque. Tem uma inteligência táctica apurada e uma capacidade técnica muito acima da média o que lhe permite sair a jogar com facilidade. Mais uma excelente exibição, desta vez coroada com um golo digno de registo, que será sem sombra de dúvidas candidato a golo do ano. Matic bem o mereceu. 



sábado, 12 de janeiro de 2013

O Clássico - Parte II



SL BENFICA: Com o grupo praticamente na máxima força - apenas Rodrigo é baixa - Jorge jesus não tem razões para mexer demasiado na sua equipa. Sendo certo que muito pouco - ou mesmo nada - mudará no SL Benfica, acredito que o treinador se veja tentado a mexer ligeiramente no ataque. Uma vez que o FC Porto joga com três homens de grande qualidade e intensidade no meio campo, jogar apenas com Matic e Enzo na zona mais central poderá não ser o suficiente. Os alas não têm características nem capacidades defensivas pelo que deixar uma zona tão importante do jogo entregue a apenas dois jogadores poderá traduzir-se num risco de perder o jogo a meio campo. Para que essa posição fosse reforçada seria necessário abdicar de um avançado - Lima seria a meu ver o escolhido - e colocar um médio que fizesse a dupla função de apoiar Cardozo nos momentos ofensivos e apoiar os médios no momento defensivo. Aimar seria o elemento perfeito para essa pequena mudança no onze encarnado, mas o argentino não tem neste momento a condição física para ser titular e muito menos para o fazer num jogo destes. Sobram Bruno César, que dificilmente será opção tendo em conta o seu momento de forma e Gaitan - na minha opinião a melhor opção - que embora não seja um "expert" nos movimentos defensivos é um jogador de enorme inteligência e que pode desequilibrar na hora de atacar. Na minha opinião a colocação do argentino por trás do ponta de lança paraguaio permitiria ao SL Benfica "amarrar" de forma mais eficaz o meio campo do FC Porto, travando aquele que é um dos sectores mais importantes do futebol do campeão nacional.

O meu onze seria: 

FC PORTO: Tendo em conta as várias ausências do ataque azul e branco - à qual se junta a do central Maicon -, é certo que Vítor Pereira vai ser obrigado a mexer e a descobrir uma solução. A saída de James Rodriguez da ala direita do ataque portista apontaria a titularidade ao jovem ganês Atsu, mas estando este ao serviço da sua selecção na CAN - e estando Iturbe com os sub20 argentinos - não sobra qualquer extremo no plantel. O treinador portista tem algumas soluções mas nenhuma delas passa pela troca directa de jogadores. Por aquilo que se viu na segunda parte do jogo frente ao CD Nacional e no jogo da Taça da Liga frente ao Vitória FC o escolhido deverá ser o belga Defour. Mas será esta adaptação do médio belga a melhor opção? A meu ver, mesmo sendo Defour um grande jogador, não me parece que a sua colocação nas alas seja benéfica para a equipa. Se é certo que, por um lado, permite mais liberdade para que Lucho Gonzalez apareça ofensivamente em zonas do terreno normalmente pisadas por James - mas Lucho não é James -, por outro lado o belga não tem rotinas de extremo e muito facilmente abandona a sua posição acabando por se perder na faixa central afunilando o jogo da equipa. O FC Porto tem outras soluções para fazer esquecer a ausência do seu numero 10. Izmaylov, recentemente contratado, poderá ser uma hipótese para ocupar a ala esquerda, desviando Varela para a direita. O russo está mais do que habituado a esta posição e seria a opção mais óbvia para o lugar, mas tendo em conta que apenas chegou a meio da semana não parece provável, nem mesmo benéfico, que Vitor Pereira lance desta maneira o seu novo reforço. Há também o miúdo Sebá que muito se destacou no jogo da Taça da Liga. O brasileiro mostrou ter imensa qualidade e vontade, mas será isso suficiente para ser lançado a titular no estádio da Luz, ao fim de apenas 90 minutos com a equipa A? Sinceramente não me parece que Sebá esteja preparado para tamanha missão. Resta uma última solução, que na minha opinião será a que mais beneficia a equipa e que passa por adiantar Alex Sandro no terreno. O lugar não é desconhecido do brasileiro - na selecção é frequente vê-lo nessa posição - e a sua capacidade técnica e de explosão poderiam ser uma mais valia para a equipa. Para que essa mudança fosse possível seria necessário colocar Mangala na esquerda - o que não seria inédito nesta época - e fazer de Abdoulaye titular ao lado de Otamendi - o senegalês já mostrou estar preparado para a tarefa -, o que a meu ver não afectaria a eficácia defensiva da equipa de Vítor Pereira. James Rodriguez é um jogador único e substitui-lo é uma tarefa impossível, ainda assim há várias soluções dentro do plantel para ocupar a sua posição. A meu ver esta opção - Alex Sandro - será a que mais benefícios pode trazer à equipa.

O meu onze seria:

O Clássico - Parte I



Joga-se amanhã o primeiro grande clássico da época, entre as duas melhores equipas do actual panorama futebolístico português e, como tal, os dois principais - e únicos - candidatos ao título nacional 2012/2013. Um jogo que coloca frente a frente duas equipas com estilos e filosofias de jogo diferentes e que ainda não conheceram o sabor da derrota na Liga Portuguesa. Duas equipas que aspiram vencer todas as provas em que entram e que muito dificilmente entram em campo à procura de um resultado útil que não seja a vitória. SL Benfica e FC Porto jogam amanhã aquele que, mesmo não sendo um jogo decisivo, poderá contribuir para uma primeira tentativa de fuga rumo ao título. 

SL Benfica: A equipa comandada por Jorge Jesus tem feito uma época exemplar no que a Liga Portuguesa diz respeito. Os encarnados chegam a esta 13ª jornada com 11 vitórias, 2 empates e 0 derrotas, contando com um registo extremamente positivo de 35 golos marcados e 9 sofridos. Apesar de ter perdido no início da temporada duas das suas principais figuras - Javi Garcia e Witsel -, Jorge Jesus soube ser capaz de "inventar" uma solução quase perfeita e fazer de Enzo Perez - que um ano antes era dado como caso perdido - o homem certo no lugar certo. Apesar dos desequilíbrios no plantel - demasiados avançados e poucos defesas - a equipa do SL Benfica tem conseguido resolver, com menor ou maior dificuldade, todos os problemas que as competições domésticas lhe proporcionam. Com Cardozo novamente em grande destaque - 13 golos marcados - os vice-campeões nacionais prometem luta até ao fim para roubar o título ao rival do Norte. O ponto negativo da época encarnada acabou por ser a Champions League. Colocado num grupo que se apresentava perfeitamente ao seu alcance, o SL Benfica bem cedo começou a sentir as dificuldades de um grupo de trabalho com desequilíbrios, e se nas competições nacionais essas lacunas não se notam, já nas competições europeias podem ter papel fundamental. Apesar da eliminação precoce e de tudo o que ela significa desportiva e financeiramente, a equipa de Jorge Jesus conseguiu "garantir" a presença na Europa League na qual será certamente um dos grandes candidatos à vitória final. 

FC Porto: A equipa comandada por Vítor Pereira entrou na época 2012/2013 com o grande objectivo de revalidar o titulo nacional, chegando assim ao tri-campeonato. Os campeões nacionais chegam à 13ª jornada sem qualquer derrota - tal como o seu adversário -, com 10 vitórias, 2 empates e 0 derrotas - com um jogo em atraso por disputar - e com um registo de 28 golos marcados e apenas 6 golos sofridos. O FC Porto que no início da época apresentava, apesar da saída do seu principal jogador, uma equipa bem equilibrada e homogénea, chega a esta fase da época com um plantel desfalcado de opções ofensivas -  James, Atsu, Iturbe e Kleber estão fora de competição nos próximos tempos - o que obriga os dragões a investir no mercado de Inverno - Izmailov foi o primeiro reforço. Apesar das contrariedades, a verdade é que o FC Porto tem o mérito de manter a sua equipa extraordinariamente sólida. Um meio campo fortíssimo, cheio de talento e experiência e uma defesa que se tem mostrado praticamente intransponível. O ponto negativo da equipa comandada por Vítor Pereira foi a eliminação da Taça de Portugal aos pés do SC Braga. Os portistas têm apostado todas as fichas na revalidação do título e numa grande campanha europeia e isso já lhes custou uma competição. Falta saber se irá compensar. Após uma fase de grupos disputada em grande nível e discutida até ao fim com o Paris SG os campeões nacionais conseguiram o apuramento no segundo lugar do grupo saindo-lhes em sorte o surpreendente Malaga FC. Apesar da qualidade dos espanhóis, o FC Porto tem tudo para marcar presença nos quartos de final e isso, por si só, já será o significado de uma bela prestação europeia e de um objectivo - desportivo e financeiro - atingido com sucesso. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Negócio entre grandes




Poucos dias depois da reabertura do mercado de transferências, dois dos principais clubes portugueses fecharam mais uma troca de jogadores envolvendo, desta vez, Izmailov e Miguel Lopes. Terá sido um negócio positivo para ambas as equipas?

Por um lado, temos o FC Porto que se encontra, de momento, com um plantel bastante desequilibrado - a saída de Atsu para a CAN e a lesão de James contribuem para isso - e a precisar de jogadores com qualidade e experiência, ou seja, jogadores que sejam capazes de assumir uma posição e não entrem no clube apenas como apostas de futuro. Neste aspecto, Izmailov encaixa como uma luva no plantel do FC Porto, assim como na sua forma de jogar. A grande dúvida em relação à contratação do jogador russo está no seu estado físico e na sua capacidade para poder jogar e contribuir para a equipa. Estando essa questão ultrapassada - e não me parece que um clube como o FC Porto fosse buscar um jogador com limitações - o FC porto ganha um reforço de peso para o que resta da temporada. Izmailov tem qualidade técnica, tem qualidade táctica, tem inteligência de jogo, é um jogador polivalente, tem experiência no nosso futebol, chega de borla - troca com Miguel Lopes - pelo que não traduz um grande risco financeiro e pode jogar as competições europeias, o que significa que Vítor Pereira ganha uma opção de grande valor.

Do outro lado da barricada, temos o Sporting CP que, mergulhado numa situação extraordinariamente difícil, decidiu ver-se livre de alguns dos seus jogadores mais bem pagos. Para os leões, Marat Izmailov já há muito não contava - mesmo sendo claramente o melhor jogador do plantel -, ou porque estava lesionado, ou porque pensava estar lesionado, ou porque psicologicamente não estava em condições ou porque qualquer outra razão desconhecida. Assim sendo, o Sporting CP vê-se livre de um jogador que já não contribuia para a equipa e ao mesmo tempo vê-se reforçado numa posição necessitada por um jogador relativamente jovem - 26 anos -, internacional português, que entra com vontade de triunfar no "clube do coração" e chegar novamente à selecção portuguesa, ou seja, o Sporting CP ganha um jogador motivado, coisa que vai faltando para os lados de Alvalade. O que me faz alguma confusão neste negócio e no que ao Sporting CP diz respeito é o salário do jogador. Não consigo perceber como é que elementos da direcção do Sporting CP vêm falar da redução da folha salarial com a saída de Izmailov que auferia um ordenado anual à volta do Milhão de Euros e oferecem a Miguel Lopes um contrato cujo ordenado anual ronda o mesmo valor. 

No fundo, o FC Porto deixa sair um jogador que estava descontente - e verdade seja dita não tinha mostrado valor suficiente para a equipa - e recebe alguém que poderá ser uma mais valia para posições em que necessitava de reforço. Já o Sporting CP deixa sair aquele que em forma era o seu melhor jogador mas ao mesmo tempo um dos seus casos mais problemáticos e consegue adquirir um jogador que poderá trazer alguma estabilidade e experiência ao sector defensivo - talvez o mais frágil desde o inicio da época. Ambos os clubes mantêm uma percentagem financeira de futuras vendas dos seus ex-jogadores. Na minha opinião, caso as limitações de Izmailov - sejam elas físicas ou psicológicas - estejam definitivamente resolvidas, o FC Porto sai beneficiado deste negócio pois, verdade seja dita, a qualidade do russo é incomparavelmente superior à do lateral português.  Em todo o caso, o Sporting CP também ganha um jogador de qualidade e, verdade seja dita, passa a ter menos um problema no seu balneário.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Não houve tango em Paris



PARIS SG vs FC PORTO (2-1)

À última jornada do grupo A da Champions League 2012/2013 o FC Porto conheceu pela primeira vez o sabor da derrota, caindo para o segundo lugar e sujeitando-se a defrontar nos oitavos de final da prova um dos primeiros classificados - tendo em conta as classificação dos vários grupos até poderá nem ser mau. 

O jogo de Paris começou com a equipa da casa a toda a velocidade. Muita pressão, muita velocidade e uma qualidade técnica fabulosa só ao alcance de alguns jogadores - Ibrahimovic, Pastore e Lavezzi por exemplo - e muito poucas contas bancárias. Com o FC Porto bem organizado defensivamente - este foi mesmo o sector mais forte da equipa - mas sem conseguir criar jogo ofensivo, fruto de um meio campo muito preso de movimentos, os franceses rondavam a baliza de Helton sem o sucesso desejado. O FC Porto sacudia o perigo da forma que podia, mas não mostrava lucidez na hora de atacar. James raramente se destacava pois estava a ser bem marcado, Varela nunca apareceu no jogo e o colombiano Jackson era um homem só na frente de ataque azul e branca. Não espantou por isso que o entusiasmo dos homens da cidade luz fosse crescendo a cada minuto, sempre na esperança que o talento dos seus craques pagos a peso de ouro fizesse o resto, o golo. Ao 29 minutos e, verdade seja dita, numa fase em que os portugueses até ja tinham equilibrado o jogo, conseguindo segurar a posse de bola e partir para o ataque com cabeça e convicção, o Paris SG chega à vantagem por intermédio de Thiago Silva, que nas alturas ganhou de cabeça a Danilo. O FC Porto via-se em desvantagem - algo inédito nesta Champions League - mas não tremeu e em pouco tempo voltou a repor a igualdade. Uma assistência perfeita de Danilo e Jackson Martinez, de cabeça, colocou o resultado em 1-1 quando apenas tinham passado 4 minutos desde o golo francês. Até ao intervalo, o jogo foi disputado a um bom ritmo, com enorme equilíbrio entre as duas equipas, mas sem grandes oportunidades de golo. 

Tal como na primeira parte, os franceses regressaram do intervalo com muita força e vontade de chegar à vantagem, mas quem esperava um continuar do grande jogo que foram os primeiros 45 minutos, saiu tremendamente desiludido. Depois de 5 minutos a bom ritmo, a qualidade do jogo começou a cair a pique e aquilo que havia sido um jogo frenético estava agora transformado num jogo aborrecido. Esta toada sonolenta durou até ao minuto 61, altura em que Helton - talvez adormecido pelo tédio do jogo - deixou entrar na sua baliza uma bola de defesa fácil. Sem que nada o fizesse prever, um monumental frango de Helton - que em tantos momentos já salvou o FC Porto - colocou novamente os franceses em vantagem e voltou a dar uma sapatada no jogo. Tal como no primeiro tempo, o FC Porto reagiu de imediato ao golo e foi à procura do empate. Desta vez não houve Cha Cha Cha - Jackson falhou na cara de Sirigu o empate -, o Tango também não esteve afinado - Lucho falhou na recarga de baliza aberta - e o resultado não se alterou. 

Com o resultado desfavorável, Vítor Pereira demorou uma eternidade a mexer na equipa. A troca de Fernando por Defour era obrigatória uma vez que o brasileiro não estava em bom estado, mas depois de estar a perder e a precisar de um golo mexer na equipa apenas aos 85 minutos é algo que me ultrapassa. Atsu deveria ter entrado em jogo muito mais cedo - Varela não existiu desde o início - e a desesperada tentativa de jogar em 3-4-3, juntando Abdoulaye a Otamendi e Mangala foi tão tardia que não chegou a ter qualquer efeito. Apesar do Paris SG ser uma equipa de enorme valia financeira e ter no seu plantel jogadores tecnicamente fabulosos, a verdade é que colectivamente o FC Porto não é inferior aos franceses - isso ficou provado no jogo do Dragão - e, por isso mesmo, esperava-se muito mais da equipa de Vítor Pereira. Afinal, todas aquelas absurdas poupanças de Braga foram para quê?

sábado, 1 de dezembro de 2012

Guerreiros abatem dragões



SC BRAGA vs FC PORTO (2-1)

Uma semana depois, duas das maiores forças futebolísticas do nosso país voltaram a encontrar-se, desta vez para disputar a presença nos quartos de final da Taça de Portugal. Se há uma semana atrás, em jogo a contar para o campeonato, o FC Porto venceu o SC Braga por 2-0, desta vez a história do jogo foi outra e acabou com a eliminação dos portistas. O SC Braga vingou assim a derrota do campeonato, conseguindo-se manter vivo num dos objectivos que ainda lhe resta, depois da eliminação da Champions League e do  - mais do que certo - afastamento da luta pelo título nacional. 

Na semana passada o FC Porto apresentou em Braga uma equipa consistente, experiente, bem rotinada e com futebol capaz de vergar os guerreiros do minho - pese embora as dificuldades com que o fez - desta vez, Vítor Pereira resolveu operar uma revolução no 11 inicial da sua equipa - 7 titulares ficaram de fora - e pior ainda, quando mexeu na equipa não o fez da melhor forma. Por sua vez, o SC Braga de José Peseiro, apresentou-se na máxima força fazendo alinhar de início os seus melhores jogadores - é assim que deve ser - usufruindo, em fases determinantes do jogo, de uma maior experiência, consistência, ligação entre jogadores e, em certos casos, qualidade. Apesar de ter entrado melhor em jogo e chegado cedo à vantagem, o FC Porto foi perdendo fulgor e consistência com o passar do tempo. O SC Braga, a jogar em sua casa uma partida decisiva para a sua época desportiva - e talvez o futuro de José Peseiro como treinador principal - foi, mesmo não fazendo um grande jogo, uma equipa séria, guerreira e bem consciente do objectivo que estava obrigada a atingir. Mesmo com os portistas em vantagem, os minhotos nunca perderam o norte e souberam sempre explorar as deficiências de um adversário com poucas rotinas e bastante desfalcado - culpa do treinador Vítor Pereira. 

Ao longo da segunda parte, o SC Braga manteve-se unido e focado no objectivo e o FC Porto foi, inexplicavelmente, adormecendo à sombra de uma vantagem demasiado curta e perigosa, tendo em conta o futebol que a equipa apresentava. O jogo até poderia ter ficado empatado aos 57 minutos mas Olegário Benquerença - mais uma vez um mau árbitro a apitar duas grandes equipas - mandou seguir um lance que seria de grande penalidade para a equipa da casa. Ainda com o FC Porto em vantagem, Vítor Pereira mexeu mal na equipa, tirando do jogo o pêndulo do sei meio campo - Fernando -, desequilibrando por completo uma equipa que sempre que chegava à frente - e já não eram muitas vezes - via o seu futebol esbarrar na nulidade do brasileiro Kléber. Os portistas perderam o controlo do jogo e viam os bracarenses crescer e tornarem-se numa ameaça cada vez maior.

Se o árbitro havia errado aos 57 minutos, não permitindo à equipa da casa a oportunidade de empatar o jogo e voltar a entrar na eliminatória, voltou a errar aos 72 minutos, expulsando sem qualquer razão o médio portistas Castro, deixando os azuis e brancos a jogar com uma unidade a menos. Se o meio campo azul e branco já não funcionava, após a expulsão de Castro o descalabro foi total. A expulsão virou ainda mais o jogo e o SC Braga nunca mais deixou de mandar. Bastaram 3 minutos de superioridade numérica para os bracarenses chegarem à igualdade, beneficiando de um erro infantil do lateral Danilo. O "castelo" portista começava a ruir, e se uma expulsão e um auto-golo já eram um rude golpe no objectivo azul e branco, o golo de Éder ao 80 minutos - o internacional português parte de posição irregular - deixava a equipa de Vítor Pereira com um pé fora da Taça de Portugal. Nos minutos finais ainda se viu um esboço de reacção azul e branca, mas nem Lucho nem Kléber foram capazes de bater Quim.

O FC Porto perde pela primeira vez nesta temporada e Vítor Pereira tem que ser apontado como grande culpado da derrota portista. O treinador azul e branco "desrespeitou" a competição e olhou com sobranceria para um adversário de grande qualidade. Só isso explica jogar no Estádio AXA sem sete dos habituais titulares. Mérito para a equipa do minho que apostou todas as suas fichas neste jogo e saiu dele com a vitória. José Peseiro volta a respirar de alivio depois de uma semana extremamente complicada e o internacional português Éder volta a marcar e a decidir. 

Infelizmente, SC Braga e FC Porto voltaram a encontrar um árbitro sem qualidade. Depois do miserável trabalho de Carlos Xistra no jogo do campeonato, desta vez foi Olegário Benquerença a não estar ao nível do desafio. Uma grande penalidade por assinalar, um vermelho mal mostrado, um golo decisivo em fora de jogo, um mau acompanhamento dos lances e uma inacreditável facilidade em mostrar cartões, são sinónimo de uma nota extremamente negativa para o trio de arbitragem presente na cidade de Braga. SC Braga, FC Porto e o futebol português merecem muito melhor.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Talento, sorte e liderança



SC BRAGA vs FC PORTO (0-2)


Num jogo em que a estrelinha da sorte acompanhou o talento de james Rodriguez na definição do resultado final, o FC Porto de Vítor Pereira conquistou três preciosos pontos que o colocam no primeiro lugar da classificação, em igualdade pontual com o SL Benfica. 

Se no final podemos falar em sorte, verdade seja dita que, pelo menos para o argentino Otamendi, o jogo até começou com a palavra azar. Ainda se jogava o primeiro minuto e já o defesa do FC Porto experimentava os ferros da baliza de Beto. E os primeiros minutos foram mesmo de enorme sufoco para a equipa da casa que, uma vez mais, demorou a aquecer os motores e a entrar verdadeiramente em campo. Três minutos de jogo e três oportunidades de golo que bem podiam ter decidido as contas a favor dos dragões. Falhou a finalização e a tal pontinha de sorte que no final guiou o remate de James até ao fundo da baliza do SC Braga. 

Os primeiros 20 minutos de jogo foram de claro domínio do FC Porto, que entrando forte, rápido e pressionante não dava espaços para que os médios de José Peseiro fossem capazes de sair a jogar. Nesta fase, os portistas estavam claramente por cima na partida e justificavam uma vantagem que desperdiçaram por mais do que uma vez. A partir daqui o SC Braga foi capaz de perceber o adversário e sacudir a pressão do FC Porto, equilibrando a pouco e pouco o jogo. Com um SC Braga bem mais forte do que no início, os lances de perigo sucediam-se e ficava a sensação de que o golo poderia surgir para qualquer um dos lados. Iam brilhando as defesas, que invariavelmente se superiorizavam aos ataques - Otamendi e Douglão eram claramente os elos mais fortes das suas equipas. 

Depois de uma primeira parte de bom futebol e cheia de oportunidades de golo, aquilo que se jogou - ou não se jogou - na segunda parte foi uma enorme de desilusão. Qualquer uma das equipas pareceu mais preocupada em não perder o jogo do que em arriscar para o vencer. Se durante a larga maioria do tempo, a posse de bola pertenceu aos azuis e brancos, não é menos verdade que as oportunidades de golo eram cada vez mais escassas. Jogava-se de forma demasiado receosa e lenta. Depois de uma electrizante primeira parte, assistia-se em Braga a um jogo chato e sonolento, para o qual nada contribuía a arbitragem de Carlos Xistra e dos seus auxiliares - falarei mais à frente deste senhor. 

Quando já muitos dos presentes caíam no sono e outros tantos abandonavam o estádio, o talento de James Rodriguez - porque para tirar o defesa do caminho daquela forma é preciso talento - e o azar de Douglão - o melhor jogador do SC Braga acabou por trair o seu guarda-redes - resolveram o jogo e fizeram explodir de euforia os adeptos azuis e brancos. O FC Porto chegava à vantagem num momento em que o adversário já não tinha tempo para responder. Um lance em que o talento e a sorte se misturaram, quase como que de propósito para dar razão a Jorge Jesus - a meio da semana disse que o FC Porto tinha sorte em Braga - e ao mesmo tempo a Vítor Pereira - respondeu a Jesus dizendo que a sorte se procura e dá trabalho. Ainda o SC Braga não tinha recuperado do primeiro golo portista e já Jackson Martinez acabava de vez com as esperanças minhotas - grande golo do avançado colombiano.  O resultado é claramente pesado para a equipa do SC Braga, que verdade seja dita tudo fez para não perder e merecia o seu pontinho. A estrelinha da sorte brilhou para o colombiano James Rodriguez que, numa fase de conformismo e resignação das duas equipas, foi quem tentou fazer algo mais pelo jogo. É a tal história da sorte que se procura e que dá trabalho. Enquanto outros teriam certamente segurado a bola e fazê-la circular para os lados ou para trás, o colombiano, confiante das suas qualidades e percebendo que o final se aproximava, procurou a baliza adversária. Foi audaz e é a esses que a sorte sorri!

Uma partida entre duas das melhores equipas do futebol nacional, merecia um árbitro a sério e não aquele que é, muito possivelmente, um dos piores árbitros de Portugal. O senhor Carlos Xistra - tal como o senhor Paixão - é um árbitro fraco, influenciável pelas reacções do público e sem personalidade dentro das quatro linhas. A exibição de ontem foi, uma vez mais, um absurdo e uma colecção de asneiras. Uma grande penalidade por assinalar aos 20 minutos - mão de Alex Sandro -, uma enormidade de faltas mal assinaladas, cartões mal mostrados - o amarelo a otamendi é uma comédia - e uma postura em campo que deixa muito a desejar - a forma como acaba a primeira parte, não permitindo a marcação do livre a Moutinho, depois de ele próprio ter demorado uma eternidade a "conversar" com jogadores e treinadores é um absurdo. No fundo, mais do mesmo no que a Carlos Xistra diz respeito. Invariavelmente, é o futebol português que fica a perder. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Não foi preciso carregar muito



FC PORTO vs DINAMO ZAGREB (3-0)

Depois de algumas tarefas bem mais complicadas, o FC Porto recebia uma equipa teoricamente frágil e demasiado limitada para fazer frente ao poder de fogo dos dragões. Seja como for, o treinador Vítor Pereira não foi em cantigas e, dos habituais titulares, apenas os recém regressados de lesão Fernando e Alex Sandro e o ainda lesionado Maicon, ficaram fora do jogo - os dois primeiros no banco e o último na bancada. O treinador portista deixava a mensagem de que queria uma equipa séria, forte e a dar espectáculo.

Verdade seja dita que na primeira parte o espectáculo foi lento. O FC Porto, apesar de dois sustos, percebeu que não precisava de correr e pressionar muito para ultrapassar sem dificuldades a equipa Croata. Assim, foi trocando os olhos ao adversário com o habitual carrossel do meio campo. Com uma circulação quase sempre acertada e, aqui e ali, abrilhantada com alguns momentos de classe, os portistas foram esgotando o seu adversário a todos os níveis. Num desses momentos de classe a equipa de Vítor Pereira chegou mesmo ao golo, por autoria do seu capitão - Lucho Gonzalez -, alcançando uma vantagem que obviamente não mais iria largar.

Saído para intervalo com um resultado positivo e a promessa do primeiro lugar - sem esquecer 1 milhão de euros pela vitória -, faltava ao campeão nacional trazer para o jogo mais agressividade e velocidade para, quem sabe, conseguir um resultado histórico. A segunda parte, uma vez mais dominada - sem espanto - pela equipa portuguesa, foi bem mais agradável de ver. Com o meio campo do FC Porto bastante inspirado - Lucho e Moutinho estão em grande forma - os croatas foram condenados a ver jogar. Nestes segundos 45 minutos o FC Porto chegou ao golo por duas vezes - Moutinho e Varela - mas, verdade seja dita, os golos poderiam ter sido mais, não fosse alguma falta de eficácia na hora de rematar.

No final, o resultado de 3-0 aceita-se perfeitamente. O FC Porto venceu sem qualquer dificuldade, num jogo em que foi claramente superior. Destaque para mais uma grande exibição de Moutinho coroada com um golo de belo efeito. Os portistas continuam no primeiro lugar do grupo e discutirão o topo da classificação em Paris. Para já fica a garantia de mais três pontos - o FC Porto já é a equipa com mais pontos conquistados na Champions League 2012/2013 - e 1 milhão de euros em caixa. Excelente percurso europeu da equipa de Vítor Pereira.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Campeão a meio gás



FC PORTO vs ACADÉMICA COIMBRA (2-1)


Depois do empate em Kiev e da festa do apuramento para os oitavos de final da Champions League, o campeão FC Porto voltou a casa para defrontar uma motivadissima Académica de Coimbra - vinha de uma vitória a meio da semana sobre o Atl. Madrid, a contar para a Europa league - com um único objectivo: vencer. Só assim a equipa de Vítor Pereira podia garantir o seu lugar no topo da Liga Zon Sagres. O FC porto conseguiu o que queria e, verdade seja dita, precisou de jogar apenas 45 minutos para o conseguir.

A primeira parte do encontro do Estádio do Dragão foi de total ausência de futebol. Com a equipa da casa a jogar a um ritmo demasiado baixo - com o motor quase desligado - e os visitantes refugiados na sua defensiva, o máximo a que se assistiu foi a um chapéu de Jackson Martinez a Ricardo que quase deu golo. O lance do colombiano foi mesmo o único lance de relativo interesse numa primeira parte cheia de coisa nenhuma. 

Se há jogos em que o intervalo faz bem às equipas, este foi sem dúvida um deles. Depois de 45 minutos demasiado gelados sobre um relvado do dragão em cada vez pior estado - quem viu o tapete verde do FC Porto e quem o vê -, FC Porto e Académica de Coimbra vieram para jogo decididos a mudar o rumo dos acontecimentos. Os dragões pegaram no jogo, aumentaram o ritmo à procura do golo e os estudantes, mesmo tendo o resultado a seu favor, foram à procura de mais qualquer coisa e apareceram mais atrevidos - vénia a Pedro Emanuel pela coragem. O inicio da segunda parte fica marcado por uma entrada fortissima da equipa de Vítor Pereira, não espantou por isso que nesta fase começassem a aparecer as grandes estrelas do jogo - Moutinho e James -, assim como não espantou que o FC porto inaugurasse o marcador por intermédio do colombiano James e, apenas 7 minutos mais tarde, aumentasse a vantagem num grande golo de João Moutinho. Numa fase em que o dominio do FC Porto era total, a Académica de Coimbra tentava ser atrevida e responder com a velocidade dos seus avançados, mas a defesa dos azuis e brancos mantinha-se concentrada e eficaz - Danilo vai crescendo e ganhando confiança, Otamendi continua em grande forma, Abdoulaye começa a mostrar muita qualidade e Mangala é uma adaptação que não compromete minimamente -  e apenas um tremendo erro de Helton permitiu a Wilson Eduardo reduzir a vantagem para 2-1, depois dos dragões terem desperdiçado várias oportunidades de chegar ao terceiro golo. Apesar do contratempo a equipa de Vítor Pereira não se deixou afectar pelo golo e, até ao final, continuou dona e senhora do jogo, não permitindo qualquer lance de perigo perto da sua baliza.

O FC Porto conquistou no Dragão mais três pontos que lhe permitem manter o primeiro lugar, em igualdade pontual com o SL Benfica. Ao fim de oito meses os campeões nacionais voltam a sofrer um golo em casa, mas nem isso mancha o excelente inicio de época que os azuis e brancos estão a fazer.  

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Apuramento garantido



DYNAMO KYIV vs FC PORTO (0-0)

O FC Porto conseguiu, à passagem da quarta jornada, garantir o apuramento para os oitavos de final da mais importante prova do futebol europeu, a Uefa Champions League. E conseguiu-o com mérito, num campo extremamente complicado, mostrando qualidade, determinação e muita experiência. Quem se lembra do percurso europeu da época passada?

Precisando de apenas 1 ponto para garantir o apuramento - fruto de três vitórias nas primeiras jornadas -, a equipa de Vítor Pereira fez um jogo de qualidade na Ucrânia, de onde saiu com o resultado necessário e com a garantia de 15,6 milhões nos cofres do clube - 3,5 milhões garantidos pelos resultados, 8,6 milhões garantidos pela presença na fase de grupos e 3,5 milhões garantidos pela qualificação para os oitavos de final da prova. Para que tal fosse possível os portistas, desfalcados de dois dos seus mais importantes jogadores - Maicon e Fernando -, tiveram que se mostrar adultos e competentes. Durante os primeiros minutos foi preciso saber sofrer, manter a união e a concentração para estancar o imenso caudal ofensivo dos ucrânianos - mais do que previsível já que para os da casa era obrigatório vencer - e, verdade seja dita, o FC Porto soube-o fazer com mestria. Aqueles que à partida desconfiavam da titularidade de Defour e principalmente Abdoulaye - excelente exibição do central africano - rapidamente perceberam que as suas preocupações não tinham sentido. Passados os primeiros 10 minutos de supremacia ucraniana, o FC Porto pegou no jogo e a pouco e pouco foi assumindo o seu controle, chegando ao intervalo com a melhor oportunidade de golo - cabeceamento de Jackson Martinez - e com vantagem na posse de bola. 

Se a primeira parte tinha começado com um Dynamo Kyiv lançado no ataque, a segunda começou completamente ao contrário. O intervalo serviu para o FC Porto - que já tinha acabado os primeiros 45 minutos por cima - respirar fundo e ajustar estratégias para o que faltava jogar. A equipa de Vitor Pereira entrou em campo apostada em fazer deste o seu jogo e, se possível, acabar com ele o mais rápido possível - Varela teve a soberana oportunidade de o fazer mas falhou por centímetros. Os campeões nacionais foram seguríssimos, inteligentes na forma como abordaram o jogo e se moldaram à estratégia dos ucranianos e comportaram-se sempre como uma equipa adulta e focada no objectivo a atingir. O Dynamo Kyiv nunca se conseguiu superiorizar e foi quase sempre "abafado" pela defesa portista. Quando conseguiu criar situações para incomodar Hélton, encontrou no brasileiro um guarda redes bem à altura dos desafios. 

O FC Porto conquistou na Ucrânia um empate que apesar de saber a pouco, apura a equipa para a próxima fase da prova e deixa-a em excelentes condições de segurar o primeiro lugar do grupo, o que ajudará a evitar alguns "tubarões" no próximo sorteio.