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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Época 2013/2014



Nova época, esperanças renovadas, objectivos bem definidos e a ambição em alta pra triunfar. Os três grandes do nosso campeonato estão renovados (uns mais do que outros) para encarar de frente os novos desafios que aí vêm. FC Porto e SL Benfica são, uma vez mais, os grandes candidatos à conquista do título nacional, mas apontam igualmente à conquista das taças nacionais (Taça de Portugal e Taça da Liga) e a uma passagem honrosa pela mais prestigiada prova do futebol mundial (UEFA Champions League). Com orçamentos muito superiores a todos os outros clubes do nosso campeonato, FC Porto e SL Benfica têm a obrigação de fazer a dois a caminhada do titulo, mas atenção ao clube leonino, que depois de uma época para esquecer, surge renovado a todos os níveis e com gente de muito talento que promete crescer e dar que falar. Os leões estão apenas focados nas competições nacionais (ficaram fora das provas europeias) e mesmo não sendo óbvios candidatos às vitórias finais, são com toda a certeza um adversário a ter em conta pelos "crónicos" favoritos.

Esta promete ser mais uma época de luta a dois pelo principal titulo nacional, com Sporting CP e SC Braga à espreita de toda e qualquer oportunidade para se envolver nesta autêntica luta de titãs. Uma época que promete bom futebol e muitas emoções.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Novo rosto do Dragão



Foram vários os rumores e muitos os dias de espera mas, finalmente, Paulo Fonseca foi confirmado como treinador dos dragões. O jovem técnico que em 2012/2013 orientou o FC Paços de Ferreira e qualificou a equipa da capital do móvel para a pré-eliminatória da UEFA Champions League é a mais recente aposta de Jorge Nuno Pinto da Costa para chegar ao tetra campeonato e, quem sabe, ao tão desejado penta. A escolha do presidente portista não surpreende e mesmo sendo considerada como uma aposta de risco, vai de encontro a outras escolhas que tanto sucesso tiveram no reino do Dragão: um treinador jovem, sem grande currículo, ambicioso e com novas ideias para o futebol azul e branco. 

No fundo, o presidente dos dragões aposta numa lavagem de rosto da sua equipa profissional. Numa fase em que era clara a saturação (principalmente por parte dos adeptos) para com o treinador bi-campeão e em que se processa uma remodelação do plantel (James e Moutinho já saíram e outros poderão seguir o mesmo caminho), Pinto da Costa aposta também num novo treinador que seja capaz de comandar o projecto portista e de manter o clube na senda de vitórias a que tem habituado os adeptos. Terá Paulo Fonseca capacidade e competência para tamanho desafio? A resposta está nas mãos do treinador...

Nota: Não sei se as contratações ja oficializadas pelo FC Porto têm o aval do novo treinador, mas uma coisa é certa, todas elas (Josué, Carlos Eduardo, Licá, Ricardo, Tiago Rodrigues) têm a sua cara.

domingo, 9 de junho de 2013

Um Vítor das Arábias



Muito se falou em campeonato inglês, muito se falou numa suposta renovação (que sempre pareceu impossível), muito se falou em campeonato russo mas, na verdade, Vítor Pereira (e toda a sua equipa técnica) ruma à Arábia Saudita para liderar o Al-Ahli a troco de um principesco salário.

Desportivamente gostava de ver o treinador bi-campeão nacional numa liga diferente, mais competitiva, mais valiosa e mais interessante. Gostava de ver Vítor Pereira provar (ou pelo menos tentar) o seu valor noutras paragens e sem a pressão e o olhar desconfiado que cedo ganhou em Portugal e do qual nunca se conseguiu livrar, nem mesmo depois de vencer por duas vezes a nossa liga (com apenas uma derrota no total). Gostava de perceber se Vítor Pereira era capaz de crescer fora de Portugal e chegar  a uma equipa de grande estofo para, como o próprio disse, tentar um dia vencer a Champions League. Infelizmente nada disso vai acontecer!

O espinhense parte para uma aventura em paragens estranhas, para se dedicar a um futebol habitualmente pobre e a uma liga que não terá muito para lhe dar e muito menos para o melhorar. Em contrapartida, assina um contrato milionário num valor quase dez vezes acima do que auferia no FC Porto. Três milhões de euros por ano são sempre três milhões de euros por ano e percebe-se que no mundo do futebol (assim como em todos os outros) por vezes o dinheiro faz com que seja fácil colocar as aspirações e os sonhos de lado por algum tempo.

Se esta aposta foi um passo atrás na carreira de Vítor Pereira ou não só o futuro o dirá, mas uma coisa é certa: na vida há objectivos e sonhos que nem o dinheiro pode comprar!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Onze do Ano (Nacional)




A escolha deste onze não foi nada fácil e, na verdade, ficaram muitos jogadores de fora que merecem reconhecimento pela excelente época que fizeram. Nomes como Josué (Paços de Ferreira), Vítor (Paços de Ferreira), André Leão (Paços de Ferreira), Jefferson (Estoril Praia), Enzo (SL Benfica), Ruben Ferreira (Marítimo), Filipe Augusto (Rio Ave), Fernando (FC Porto) ou Ghilas (Moreirense) podiam perfeitamente fazer parte desta equipa. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

De pequenino...



Aquilo a que se assistiu no Olival após o jogo que colocou frente-a-frente FC Porto e SL Benfica no escalão de juvenis (meninos de 16 anos), foi uma demonstração terceiro-mundista do que é (ou no que se está a transformar) a formação de jogadores em Portugal. A vergonhosa batalha campal na qual participaram os jogadores de ambas as equipas demonstra que, para estas crianças de apenas 16 anos, o futebol já não é apenas um desporto e a rivalidade já não é (se é que alguma vez foi) uma coisa saudável que motiva e faz avançar os clubes. O futebol, principalmente nas camadas jovens, deve ser acima de tudo formação desportiva e pessoal. Nestes escalões e nesta fase precoce de uma possível carreira futebolística, deve ser incutido nos atletas o respeito pela modalidade, o respeito pelo adversário e o respeito por si próprio, devem ser ensinados valores e devem-se formar (ou pelo menos tentar) não só jogadores mas também homens. 

Os miúdos devem saber estar no desporto e na vida de forma saudável e isso só lhes pode ser incutido por aqueles que no dia-a-dia lhes servem como modelo. Pais, treinadores e dirigentes têm que assumir a responsabilidade dos seus papeis e reflectir sobre aquilo que pode estar a correr mal na educação dos seus filhos e atletas. O que aconteceu no Sábado foi uma demonstração vergonhosa de não saber ganhar por parte dos vencedores e de não saber perder por parte dos vencidos. Foi, acima de tudo, uma preocupante demonstração de falta de educação, respeito e desportivismo de miúdos que não têm mais de dezasseis anos. A continuar assim, podemos estar a criar gente com habilidade para jogar futebol mas não estamos, de modo algum, a formar homens.

O futebol jovem do nosso país precisa de uma profunda reflexão e, quem sabe, uma profunda renovação. É preciso perceber que os clubes não estão nisto sozinhos e que os pais não podem simplesmente entregar os seus filhos e depositar nas instituições desportivas todas as responsabilidades. A base da educação de cada um destes atletas vem de casa e dos valores que os pais transmitem e, verdade seja dita, também aí o trabalho deixa muito a desejar. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vitor Pereira... Que futuro?



Apesar dos dois títulos conquistados nos dois últimos anos, a verdade é que o treinador do FC Porto não consegue convencer os adeptos da sua própria equipa (a maioria pelo menos) e não consegue deixar de ser uma espécie de patinho feio, um mal amado no reino do dragão. Verdade seja dita que, em parte, isso acontece por culpa própria. 

Se é verdade que ao longo da época o FC Porto teve jogos em que demonstrou enorme qualidade no seu jogo e se viu elogiado por todo o mundo (lembro os jogos com Guimarães e Málaga), não é menos verdade que momentos houve de puro tédio, em que a equipa assumiu um jogo de posse que se resumia em jogar para os lados e para trás, sem conseguir ser capaz de criar qualquer situação emotiva para quem acompanhava a partir das bancadas ou da televisão. Pelo meio dos méritos de Vítor Pereira (que com certeza os tem) surgem falhas que os mais exigentes adeptos (e os do FC Porto são do mais exigente que por cá se encontra) não conseguem perdoar. A equipa é irregular a nível exibicional, a gestão do jogo e até mesmo do plantel é deficiente (se bem que na parte do plantel a culpa não é apenas do treinador) e, digam o que disserem, a verdade é que o FC Porto perdeu nos últimos anos um pouquinho da sua imagem e dimensão europeia. 

Pode parecer que vencer dois campeonatos é bom, mas para uma equipa da dimensão do FC Porto isso não chega. Não é bom vencer apenas duas ligas e ser eliminado prematuramente da taça por duas vezes (uma delas por 3-0 em Coimbra)... Não é bom vencer apenas duas ligas e ser eliminado prematuramente da Champions League por duas vezes (uma delas em plena fase de grupos). Se é certo que o treinador português, apesar das saídas de jogadores chave (Falcão e Hulk), mostrou competência suficiente para fazer do FC Porto campeão nacional contra um dos adversários mais fortes do últimos anos (o SL Benfica 2012/2013), não é menos verdade (na minha opinião) que o FC Porto necessita de mais e precisa de alguém que lhe devolva a enorme dimensão europeia que foi conquistada ao longo dos últimos vinte anos e, sinceramente, não me parece que seja Vítor Pereira o treinador capaz de o fazer.

Os últimos meses, apesar da conquista do principal objectivo da época (titulo nacional) mostraram um cenário de desgaste entre o treinador e alguns dirigentes e, principalmente, entre o treinador e a maioria dos adeptos (apesar de algumas manifestação na hora de festejar poderem fazer crer o contrário). Além de tudo mais, o FC Porto precisa de renovar a sua equipa técnica, precisa de tornar o seu futebol mais eficaz e atractivo, precisa de injectar sangue novo (o que não significa contratar um treinador jovem) e apostar em alguém que não esteja tão perto da critica logo à primeira falha, porque isso, a acontecer, afectará sempre o plantel e a própria estrutura azul e branca. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Livre de derrotas



Surpreendente ou não, a verdade é que o FC Porto treinado por Vítor Pereira conquistou a vitória na liga portuguesa e mais ainda, fê-lo sem qualquer derrota. Digo surpreendente porque, na verdade, muitos não acreditavam em tal reviravolta no desfecho da liga... eu, por exemplo, não acreditava. A verdade é que uma vez mais os comandados de Vítor Pereira foram capazes de se manter focados e fortes enquanto caminharam penosamente no segundo lugar atrás do SL Benfica e no momento decisivo, quando a equipa de Jorge Jesus escorregou, não vacilaram e foram capazes de vencer ao sprint um dos mais emocionantes campeonatos dos últimos anos. 

A liga venceu-se nos pormenores e nisso o FC Porto foi mais forte. Nos duelos entre primeiros o FC Porto não vacilou (empate na Luz e vitória no Dragão) e na altura de maior desgaste emocional e físico foi capaz de se manter unido e compacto no caminho dos seus objectivos. O SL Benfica foi a equipa que durante mais tempo apresentou melhor futebol ao longo da época (disse-o aqui várias vezes) mas, talvez fruto do excesso de frentes em que esteve envolvido, tremeu nos últimos jogos e viu-se surpreendido em casa pelo Estoril quando já ninguém esperava (nem mesmo a própria equipa como mostrara os festejos do jogo anterior na Madeira). Se este foi para muitos o jogo que decidiu o título, o que lhe seguiu carimbou definitivamente o símbolo de tri-campeão nos portistas. O SL Benfica visitou o Dragão a três dias de defrontar o Chelsea FC na final da Europa League e fê-lo com uma postura que não agourava nada de bom. Tendo a consciência de que o empate seria resultado suficiente para manter as aspirações intactas e querendo-se poupar para a final europeia que estava para vir, viu-se um SL Benfica defensivo, lento, a perder tempo e a lutar pelo resultado que lhe era conveniente. A verdade é que o desejado resultado esteve a segundos de ser uma realidade, mas costuma-se dizer que quem joga para o empate está mais perto de perder e mais uma vez foi isso que aconteceu. A inconsciência de um miúdo irreverente de apenas 19 anos mudou por completo a história do campeonato e o momento em que Jorge Jesus se "ajoelha" perante o grande golo de Kelvin fica para a história como a grande imagem desta competição. Perante a derrocada das forças anímicas dos encarnados, o FC Porto acelerou para o titulo nacional sem abrandar ou sequer olhar para trás. 

Vítor Pereira teve o mérito de ser capaz de manter a sua equipa unida e focada no objectivo mesmo quando este parecia impossível e foi capaz de, mesmo tendo menos opções que o rival (em termos ofensivos) se manter na luta até ao fim, não desistindo do seu estilo de jogo, da sua identidade e nunca alterando o seu futebol em função dos outros. Se este é ou não um estilo de jogo bonito e eficaz é conversa para outros "debates", a verdade é que Vítor Pereira se manteve fiel a si mesmo e mais uma vez (contra todos os prognósticos) acabou por vencer. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Eterno fado da matemática



Passar os olhos pelas convocatórias de Paulo Bento e por todos os seus equívocos é um exercício de pura comédia. Assistir a uma partida de futebol desta equipa de amigos que o seleccionador português criou é um autêntico desperdício de tempo, um martírio apenas ao alcance do mais radical sadomasoquista. Não há uma coerência e nem mesmo uma lógica nas convocatórias (até há mas pela negativa), não existe a mínima organização dentro do campo, não se vê fio de jogo e, verdade seja dita (nunca pensei escrever tal coisa) até o espirito guerreiro, a garra e a paixão pelo desafio incutido pelo sargentão brasileiro se perdeu. O problema da selecção portuguesa é de tal forma grave, que nas mão de Paulo Bento até fenómenos como Cristiano Ronaldo ou João Moutinho se parecem com jogadores vulgares e isso é trabalho que não está ao alcance de qualquer um. 

A equipa das quinas até poderia ter vencido o jogo em Israel (seria tremendamente injusto) que não apagava a miserável exibição com que destruiu o almoço de milhares de portugueses. Assistindo a 90 minutos de jogo desta equipa, percebe-se perfeitamente o porquê de 5 jogos consecutivos sem vencer, ficando apenas por perceber o porquê de tanta teimosia por parte de Paulo Bento e, tal como em tempos escrevi aqui em relação ao mesmo senhor, a teimosia em excesso não é mais do que estupidez. 

É verdade que falar depois do jogo é sempre mais fácil e eu corro esse risco, mas não é menos verdade que depois de ver uma convocatória a todos os níveis ridícula (os mesmos critérios desajustados de sempre) e depois de ver um 11 talhado para o insucesso não era de esperar melhor fim para o primeiro jogo desta dupla jornada de qualificação. O resultado (3-3), tendo em conta as incidências do jogo, até pode parecer um mal menor, mas quando damos por nós a "festejar" um empate tardio contra esta "poderosa" selecção de Israel, está tudo dito... ao ponto a que isto chegou! O apuramento para o Mundial do Brasil está cada vez mais dependente das habituais contas, mas a verdade é que Portugal ainda não mostrou nada para merecer lá estar!


Dúvida: Como se explica que Paulo Bento tenho ignorado Varela nos seus melhores momentos de forma, fazendo dele eterno suplente do pouco inspirado Nani e agora, no momento em que o Drogba da Caparica atravessa a pior fase da sua carreira, lhe entregue a titularidade para um jogo tão importante como este tendo Pizzi, Vieirinha e Danny no banco? Há coisas que nem o seleccionador é capaz de explicar!

segunda-feira, 18 de março de 2013

JJ agradece e desembrulha



VITÓRIA SC vs SL BENFICA (0-4)

Ao contrário do FC Porto, o SL Benfica de Jorge Jesus soube lidar com a pressão e o esgotamento físico de um jogo a meio da semana, para cimentar ainda mais a liderança isolada do campeonato português. Depois da desgraça da época passada em que uma má gestão dos jogadores disponíveis empurrou os lisboetas para fora de todas as competições (excepção feita à Taça da Liga), Jorge Jesus vai mostrando que aprendeu com os próprios erros e faz agora uma gestão criteriosa dos seus principais atletas, sem nunca retirar competitividade e qualidade à equipa. Quando assim é, torna-se muito mais fácil atingir objectivos. 

Depois de mais uma vitória nas competições europeias que colocou o SL Benfica nos quartos de final da Europa League (é sem dúvida um dos mais fortes candidatos à vitória final), os encarnados subiram ao relvado de Guimarães cientes da possibilidade de aumentar para quatro pontos a vantagem sobre o FC Porto. Quem pensava que esse "pormenor" aumentaria a pressão sobre os jogadores enganou-se redondamente pois, mais uma vez, os comandados de Jorge Jesus entraram em campo com uma enorme disponibilidade mental e física, um jogo ofensivo de grande qualidade e uma enorme tranquilidade para saber esperar o golo, que mostra bem a forma adulta como a equipa se comporta. Não espantou por isso que o SL Benfica fosse tomando conta do jogo e "apertando" a jovem equipa do Guimarães até a massacrar com uma chuva de golos. O jogo da cidade berço, deu para golear, entusiasmar os adeptos, aumentar a vantagem sobre o segundo classificado e ainda para passear durante largos minutos, gerindo o esforço físico com a bola nos pés. Pode não ter sido uma exibição brilhante da equipa de Jorge Jesus, mas foi sem qualquer dúvida uma mostra de maturidade, profissionalismo e enorme auto-confiança. 

Depois de mais uma escorregadela azul e branca, o SL Benfica mostrou estar mais preparado para enfrentar a fase decisiva da época e respondeu com quatro golos, tendo agora tudo a seu favor para chegar ao tão desejado título. Mas atenção, além do campeonato nacional há ainda uma Taça de Portugal e uma Europa League para disputar. Esta pode muito bem ser uma época histórica para os encarnados da Luz.    

VP embrulha o título



CS MARÍTIMO VS FC PORTO (1-1)

Depois de uma eliminação inesperada em Espanha, o FC Porto deslocou-se à Madeira com o objectivo de assegurar os três pontos, esquecer o trauma das competições europeias, manter-se na luta pelo título nacional e colocar pressão no SL Benfica, ganhando um novo ânimo para o que resta da época. Aconteceu tudo ao contrário e a verdade é que os portistas vão regressar ao continente em muito pior estado do que estavam. Terá Vítor Pereira força para sair disto "vivo"? Dificilmente! 

Depois de uma poupança de esforços mal calculada ter afastado os dragões da Taça de Portugal, Vítor Pereira conseguiu a proeza de, em apenas 5 dias destruir o que restava da época azul e branca e quase de certeza das suas esperanças num futuro de dragão ao peito. Após o falhanço redondo que foi a preparação, o jogo e o pós-jogo dos oitavos de final da Champions League, o FC Porto entrava em campo com margem reduzida para errar. Os adeptos sabiam disso, os jogadores sabiam disso, o treinador sabia disso, mas ainda assim o que se viu na Madeira foi um FC Porto sem ideias, sem mobilidade, abatido psicologicamente, sem força, sem garra, fisicamente desgastado (são inúmeras as lesões e quase não há jogador que se mostre fisicamente disponível) e pior ainda sem qualidade para dar a volta às contrariedades do jogo. Durante 90 minutos o campeão nacional voltou a mostrar uma enorme percentagem de posse de bola que raramente consegue transformar em lances perigosos ou jogadas de golo iminente. A equipa perde-se em passes laterais e para trás que mais não significam do que um mastigar de jogo enfadonho. Se a tudo isto juntarmos a gritante falta de eficácia da equipa, facilmente se chega à conclusão de que o resultado dificilmente poderia ser outro que não uma escorregadela, que estende uma enorme passadeira vermelha para o título. 

Vítor Pereira voltou a falhar na construção da sua equipa, voltou a não ser capaz de montar uma estratégia que derrubasse a muralha defensiva dos madeirenses e falhou redondamente na leitura que foi fazendo ao longo do jogo. Só assim se explica o 11 inicial, a forma como a equipa se movimentou dentro do campo, as substituições e as palavras proferidas depois de tão miserável exibição. Como se explica que o FC Porto adquira um ponta de lança (Liedson) no mês de Janeiro e num jogo em que precisa de marcar golos esse mesmo avançado não se levante do banco nem mesmo para aquecer? Será que Liedson não está em condições físicas? Mas se não está, como se explica que esteja no banco de suplentes apenas para ocupar lugar? Tem sido desastrosa a gestão feita pelo treinador do FC Porto, assim como desastrosa parece ser a preparação física da sua equipa (tantas lesões musculares numa época só?). São demasiados erros e equívocos que vão custando objectivos (a Taça de Portugal e a Champions league já foram... o campeonato vai a caminho) e que no futuro custarão certamente (espantaria-me o contrário) o futuro de Vítor Pereira no Dragão. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Clássico(zinho)



SPORTING CP vs FC PORTO (0-0)

O FC Porto vs Sporting CP que se jogou no fim de semana não passou de um "clássicozinho", um jogo quase banal e sem grandes motivos de interesse, onde nenhuma das duas equipas fez por merecer a vitória ou por dignificar a qualidade do futebol português.

Sem João Moutinho - baixa de última hora - o FC Porto entrou em Alvalade da mesma forma que entrou em muitos dos jogos da presente temporada, ou seja, a uma velocidade de tal forma reduzida que chega a dar sono ao mais ferrenho adepto de futebol. Com uma posse de bola que teve tanto de notável como de inútil - jogando para o lado e para trás - a equipa de Vítor Pereira - não se percebe a ideia de "colar" Defour a Fernando - não só se adormeceu a si própria no jogo como manteve o Sporting CP instalado na sua zona de conforto - atrás do meio campo -, explorando o pontapé para a frente onde Wolfswinkel se envolvia numa luta desigual com os centrais portistas. Se o FC Porto tinha tudo para conquistar uma grande vitória e dar um passo importantíssimo rumo ao tri-campeonato - não são muitos as oportunidades de defrontar um Sporting CP de tão pouca qualidade -, a verdade é que deu uma enorme sapatada nas suas aspirações - apesar de depender apenas de si - e mais ainda, praticou um futebol de tão baixo nível que deixou os seus adeptos à beira de um ataque de nervos. Se João Moutinho e Mangala já seriam baixas de vulto, um varela limitado a duas velocidades - lento e parado - um Jackson estranhamente apático e longe do jogo, um Alex Sandro apagado e um Lucho sozinho a tentar segurar o meio campo, são ingredientes mais do que suficientes para um jogo de sofrimento que acabou com um resultado negativo. Não poderia ser de outra forma. Ao dragão faltou garra e atitude!

Por seu lado, o Sporting CP fez o jogo que se esperava, mantendo a sua equipa sempre atrás da linha da bola e defendendo da forma como podia, lançando de quando em vez a corrida desenfreada mas inconsequente de Wolfwinkel que sozinho no meio de dois centrais portistas não desistia de tentar fazer a diferença. Se de um lado não havia consequência do outro não havia sequer fio de jogo e não fossem as falhas de atenção dos defesas portistas a permitir as melhores chances de golo aos da casa e certamente eu teria mesmo adormecido. No meio de tudo isto, nota positiva para Jesualdo ferreira que percebeu e bem as limitações do futebol portista sem João Moutinho e fez questão de encostar o "matulão" Dier ao único construtor portista -Lucho Gonzalez - limitando e muito as suas acções. O argentino ainda deu trabalho e manteve o meio campo da sua equipa vivo mas, verdade seja dita, com 32 anos a sua força já não pode durar 90 minutos.

No final fica o registo de um clássico do mais fraco que se viu nos últimos anos, entre duas equipas que, apesar de tudo, podiam e deviam fazer muito mais!


Destaques:

Dier: O jogador inglês foi surpresa no meio campo leonino mas cedo mostrou que era o homem certo para a tarefa. Soube segurar e limitar as acções de Lucho Gonzalez e, pese embora, o argentino tenha sido o melhor dos azuis e brancos, só não foi mais perigoso porque Dier não permitiu.

Patrício: Depois da noite infeliz no Estoril e da reprimenda do treinador, o guarda redes leonino mostrou que podem e devem contar com ele. Esteve sempre atento e seguro na baliza, matando toda e qualquer oportunidade de golo portista.

Lucho Gonzalez: O capitão argentino foi a alma e o coração da equipa portista. Foi ele que segurou o meio campo, que pressionou as saídas dos leões e que tentou levar com sucesso a bola para o ataque. Esteve sempre bem marcado pelo inglês Dier mas a sua classe acabou por vir ao de cima. Infelizmente já não dura 90 minutos em ritmo elevado e a sua equipa sentiu essa quebra.

Hélton: O guarda redes brasileiro acabou por ter mais trabalho do que estava a espera mas mostrou-se sempre rápido, eficaz e seguro. Salvou o FC Porto de um amargo de boca maior por duas vezes, negando o golo a Wolfswinkel.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Crescer à pedrada



Nos últimos tempos tem-se assistido no futebol português a um fenómeno que nada prestigia o desporto em geral e muito menos o clube que acaba por ser colocado em causa por comportamentos menos próprios dos seus adeptos. Em menos de um mês, elementos da claque do SC Braga, que sinceramente até ao inicio desta "bola de neve" de maus comportamentos eu nem sequer sabia o nome, foram protagonistas em quatro episódios de violência que envergonham qualquer apaixonado pelo desporto rei e ainda mais deveriam envergonhar aqueles que estiveram envolvidos.

Depois do que todo o país viu na recepção ao Paços de Ferreira FC - obrigou mesmo a um pedido de desculpas por parte de António Salvador -, depois da forma vergonhosa como os adeptos matosinhenses foram tratados na visita do Leixões SC ao SC Braga B e depois de mais um espectáculo deprimente nas bancadas do D. Afonso Henriques - e aqui não são os de Braga os únicos culpados -, eis que hoje a comitiva do SL Benfica foi brindada com valentes pedradas no autocarro que se preparava para conduzir a equipa rumo à capital. O SC Braga tem sido um clube em tremendo crescimento, tem lutado ombro a ombro com os maiores clubes do futebol português, tem marcado constantemente presença nas principais provas da UEFA e tem, com enorme mérito, escrito o seu nome na história do futebol. É pena que alguns dos seus adeptos não saibam crescer da mesmo forma que o clube. O SC Braga merece muito mais e melhor. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Justiça a Preto & Branco



Muito tempo depois de um processo disciplinar que foi tudo menos claro ter condenado o histórico clube da cidade do Porto a uma descida de divisão por suposto aliciamento de equipa de arbitragem, eis que o CJ da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) vem dar razão ao Boavista FC, permitindo aos nortenhos a inscrição na Primeira Liga do nosso futebol. 

Há uns anos atrás, a reunião do CJ da FPF, que veio em sequência das desventuras de um tal Dr. Ricardo Costa e decretou a descida do Boavista FC, ficou marcada por vários incidentes que deixaram no ar a premeditação de certos "castigos". O Boavista FC foi punido com uma descida de divisão em secretaria - dentro das quatro linhas até tinha ficado bem classificado - e com tudo o que uma descida de divisão acarreta o clube perdeu apoios, patrocínios e perdeu-se ele próprio nas divisões inferiores - disputa neste momento a Segunda Divisão B. É verdade que agora João Loureiro, entretanto reeleito presidente do clube, pode exigir à FPF uma indeminização significativa por todos os danos que um processo demasiado turvo causou, mas a humilhação de uma descida e o golpe profundo que significou este quase desaparecimento de um clube histórico, não há dinheiro nenhum do mundo que possa pagar. Infelizmente o Boavista FC não mais voltará a ser o mesmo, mas pelo menos poderá estar de volta ao lugar que é seu por mérito próprio. 

Em relação à FPF, tendo em conta os constantes maus serviços que tem prestado ao futebol do nosso país, espero que desta vez pague caro a lamentável decisão que em tempos tomou. Entretanto muita tinta correu, muitas opiniões se formaram com base no que as televisões mostraram, os jornais escreveram, as paixões clubísticas ditaram e muita gente foi desaparecendo de "fininho". Felizmente, a história e a memória de cada um, deixarão certos nomes gravados para sempre numa das mais negras páginas do futebol português. Por vezes a justiça chega tarde, mas felizmente ainda chega!

Parabéns ao Boavista FC por mais esta GRANDE vitória!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O regresso...



Depois de algum tempo afastado da escrita, eis que regresso com poucas novidades no que a futebol diz respeito. FC Porto e SL Benfica continuam "iguais" no bom e no mau e mesmo nas horas de aperto conseguem - qual siamês - não descolar. O FC Porto teve a primeira oportunidade na semana passada mas vacilou em casa frente a um ultra defensivo SC Olhanense e uma semana depois, os corações vermelhos e azuis pararam até ao minuto 93, altura em que Lima conseguiu agarrar os 3 pontos e voltar a colar as águias aos Dragões. Tudo igual no topo, num campeonato que cada vez mais parece destinado a ser decidido no "eterno" clássico do Estádio do Dragão.

No outro campeonato Português - aquele que vai entre o 3º lugar e o 16º -, destaque para um SC Braga que se mostra cada vez mais frágil e um José Peseiro que se mostra cada vez mais desorientado. O SC Braga vai perdendo terreno para os dois primeiros classificados e, ainda pior, já perdeu o 3º lugar para um surpreendente FC Paços de Ferreira. Os adeptos desesperam e "atiram à cara" do treinador o seu inexistente curriculum - Peseiro nunca ganhou um título - e o pobre José de cada vez que aparece numa sala de imprensa acaba com mais um pouco da já esgotada paciência braguista. 

Ainda mais no fundo vai sobrevivendo um Sporting CP cada vez mais longe dos velhos tempos e dos lugares que habitualmente ocupa na classificação. Apesar de alguma melhoria, nem mesmo Jesualdo Ferreira consegue colocar esta equipa a jogar. A juntar a tanta desgraça vão acontecendo coisas incríveis dentro do clube que em nada ajudam a limpar a imagem do actual presidente. Se a saída de Izmaylov para o FC Porto já tinha deixado muito a desejar no seio dos adeptos leoninos, o caso "Pedro Mendes" é qualquer coisa que roça o amadorismo. Impressionante a forma como o Sporting CP lida com o caso desta grande promessa - mais uma. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Este país também é para velhos



Depois de alguma especulação em torno do negócio, FC Porto e CR Flamengo acertaram a transferência que trará de novo o luso brasileiro Liedson a Portugal, desta vez para jogar de dragão ao peito. Com um curto contrato de seis meses, os campeões nacionais garantem uma alternativa a Jackson Martinez, oferecendo à equipa treinada por Vítor Pereira um jogador que é significado de golo, experiência e maturidade. Numa fase em que a época já segue a um ritmo elevado e as decisões vão começar a qualquer momento (o jogo com o Málaga para a Champions League está já aí à porta), o FC Porto precisava de um jogador para o imediato, que fosse capaz de ser uma alternativa para o presente e não um jogador pra aprender, para se adaptar, para crescer e ser aposta no futuro (como disse e bem Vítor Pereira). Assim sendo, e partindo do principio que o jogador se apresenta fisicamente apto (em Portugal há sempre um enorme complexo com jogadores acima dos 30 anos), o FC Porto pode ter garantido com o "levezinho" um verdadeiro reforço de peso. 

A transferência de Liedson para o FC Porto, assim como a insistência de Jorge Jesus em continuar a contar com Aimar, mostram uma face do futebol português à qual os adeptos não estão habituados: a importância e valorização dos jogadores experientes. Pelo mundo fora, sem querer estar a comparar a qualidade dos atletas, vemos jogadores de enorme qualidade a espalhar o seu futebol e a sua experiência em campo nas principais ligas, sem que a idade seja um problema (Ryan Giggs, Zanetti, Totti, Del Piero, Lampard, Terry, Gerrard, Drogba entre outros). Infelizmente no nosso país há o triste hábito de considerar velho todo e qualquer profissional que ultrapasse os 30 anos de idade e desperdiçam-se (só não completamente porque há clubes mais pequenos que fazem deles referências) jogadores como por exemplo João Tomás. Houve durante estes últimos anos algum ponta de lança português que provasse ser melhor opção do que João Tomás para a selecção? Eu não me lembro, mas mesmo assim o "velho" João não veste a camisola das quinas desde 2007 (até lá só o tinha feito por quatro vezes), pese embora a excelente marca de golos que vai conseguindo época após época! 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Um Don Juan em Piraeus



Segundo dizem as más línguas lá para os lados da velhinha Grécia, o português Leonardo Jardim não só orientou bem a equipa do Olympiacos - liderava confortavelmente a Liga grega - como também se orientou a si no que a amores diz respeito. O problema foi tê-lo feito - supostamente - com a mulher do presidente do clube que orientava.

A estranheza provocada pelo despedimento de um treinador que liderava o campeonato com 10 pontos de vantagem e se mantinha na luta pela Europa League e Taça da Grécia foi de tal ordem, que a imprensa grega tratou de procurar - ou inventar - justificações para tamanho acto de loucura do senhor Vaggelis Marinakis. Foi então que chegaram à "maravilhosa" conclusão de que o que levou à saída do madeirense do comando técnico da equipa de Piraeus foi, nada mais nada menos, que o transbordar das suas competências para fora do balneário da equipa e, ao que parece,  a entrada das mesmas pela casa do seu presidente, onde dormiu - não será bem este o verbo - com a mulher do "patrão".

No meio de uma profunda crise grega, o português Leonardo Jardim conseguiu, na sua curta passagem pela Grécia, manter os adeptos e corpo directivo do Olympiacos satisfeitos com a boa campanha desportiva do clube e, segundo reza a história, o seu poder para satisfazer terceiros não parou por aí... erga-se uma estátua deste Don Juan português no porto de Piraeus!

Depois da História reconhecer os gregos como "mestres" do teatro e da tragédia, tudo aponta para um franco crescimento na arte da imprensa cor-de-rosa ao melhor estilo pasquim. A Grécia bem precisa destas animadas noticias/novelas para, no meio de tanta desgraça, poder finalmente esboçar um tímido sorriso. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

20 minutos de loucos!



SL BENFICA vs FC PORTO (2-2)

Num jogo que colocava frente-a-frente as duas melhores equipas do futebol português e as grandes - únicas - candidatas ao título de campeão nacional, SL Benfica e FC Porto fizeram questão de não desiludir os respectivos adeptos e entrar no jogo com uma vontade gigante e uma garra de guerreiro. Foram 20 minutos completamente loucos e de enorme qualidade, recheados de grandes momentos, muitos golos - Mangala aos 8, Matic aos 10, Jackson aos 15 e Gaitan aos 17 minutos - e uma constante incerteza sobre quem iria ser capaz de rir por último e melhor. Foram 20 minutos de pura magia e de um futebol capaz de fazer qualquer amante do desporto rei não portador de bilhete, roer-se de inveja por não ter marcado presença numa das vermelhas cadeiras do Estádio da Luz. É destes grandes momentos que se faz o futebol. 

Após este alucinante período, o jogo foi perdendo alguma da sua intensidade - era impossível aguentar sempre assim - e a velocidade com que se desenhavam as jogadas de encarnados e azuis e brancos não era a mesma. Ainda assim, a qualidade do jogo, a inteligência técnica e táctica dos protagonistas nunca deixou de marcar presença e, apesar do coração começar a bater a um ritmo mais normal, foi com um misto de sentimentos que os adeptos viram chegar o intervalo. Os sorrisos no rosto espelhavam bem o prazer de fazer parte deste grande espectáculo, mas por dentro, ninguém duvidará que se escondia uma profunda tristeza por não ser possível prolongar ainda mais este pequeno momento de "apenas" 45 minutos. 

Após o merecido descanso, SL Benfica e FC Porto entraram em campo com intensidade reduzida. Quem acompanhou a primeira parte sem conseguir manter o "rabo" colado à cadeira começou a achar estranho o conforto com que se ia "enterrando" no lugar. A emoção foi-se - em parte - perdendo e as equipas assumiram uma estratégia de minimização de riscos e de mútuo respeito. Nesta fase, jogou-se muito mais no meio campo e o jogo tornou-se mais físico. Cresceu o número de faltas, aumentaram os erros e os passes falhados e diminuiu o interesse pelo clássico. Começava-se a desenhar "nas estrelas" o justo empate final. Com o jogo instalado a meio campo, foi o FC Porto quem se mostrou mais confortável conseguindo-se superiorizar aos encarnados no controle do jogo, no domínio do meio campo e na ocupação dos espaços. Os dragões usavam a inteligência e capacidade da sua reforçada linha média - ao contrário do que eu esperava, Defour foi aposta acertada - para amarrar o futebol do SL Benfica, obrigando mesmo Jorge Jesus a abdicar do reforço ofensivo para povoar o miolo com Aimar e Carlos Martins. Apesar de tudo, verdade seja dita, a principal oportunidade de desbloquear o jogo pertenceu à equipa da casa, que teve nos pés de Cardozo a chave para os três pontos, mas viu a ponta dos dedos de Hélton afastar a vitória para canto e manter o resultado num justo 2-2. O paraguaio mostrou que não estava nos seus dias e o brasileiro aproveitou para ao vivo "responder" a Luís Filipe Vieira e mostrar que sozinho pode mesmo valer pontos. 

No final, o resultado acaba por ser justo - mais favorável ao FC Porto que jogava fora de casa - por aquilo que ambas as equipas fizeram em campo. Pelo trabalho, pela motivação, pelo empenho, pela garra e pela enorme qualidade daqueles inesquecíveis 20 minutos iniciais, nenhuma das equipas merecia perder. 


Destaques:

Mangala: Um miúdo de 21 anos transformado num senhor defesa central. Enorme exibição do central francês tanto a defender, como a atacar. Marcou o primeiro golo da equipa, meteu os avançados do SL Benfica num bolso - excepção ao lance em que Cardozo se isola - e foi o patrão do sector defensivo do FC Porto. Por vezes é demasiado duro na forma como aborda os lances - Cardozo que o diga - mas limando essa pequena aresta terá tudo para ser um dos grandes centrais do futebol europeu. 

Alex Sandro: Alguém se lembra quem era o lateral esquerdo do FC Porto antes dele? O brasileiro adaptou-se de tal forma à sua nova realidade que se está a transformar num caso sério. Ontem voltou a fazer um enorme jogo. Sempre cheio de vontade conseguiu "secar" Salvio durante grande parte do jogo e ainda soube aproveitar o momento menos bom de Maxi Pereira para criar desequilibrios na defensiva encarnada. Está em grande forma.

Matic: Tal como o lateral portista também o sérvio do SL Benfica tem feito tudo para que os adeptos não sintam saudades de Javi Garcia... e de certeza que não sentem. Matic encheu completamente o campo. Foi enorme a defender e a apoiar o ataque. Tem uma inteligência táctica apurada e uma capacidade técnica muito acima da média o que lhe permite sair a jogar com facilidade. Mais uma excelente exibição, desta vez coroada com um golo digno de registo, que será sem sombra de dúvidas candidato a golo do ano. Matic bem o mereceu. 



sábado, 12 de janeiro de 2013

O Clássico - Parte II



SL BENFICA: Com o grupo praticamente na máxima força - apenas Rodrigo é baixa - Jorge jesus não tem razões para mexer demasiado na sua equipa. Sendo certo que muito pouco - ou mesmo nada - mudará no SL Benfica, acredito que o treinador se veja tentado a mexer ligeiramente no ataque. Uma vez que o FC Porto joga com três homens de grande qualidade e intensidade no meio campo, jogar apenas com Matic e Enzo na zona mais central poderá não ser o suficiente. Os alas não têm características nem capacidades defensivas pelo que deixar uma zona tão importante do jogo entregue a apenas dois jogadores poderá traduzir-se num risco de perder o jogo a meio campo. Para que essa posição fosse reforçada seria necessário abdicar de um avançado - Lima seria a meu ver o escolhido - e colocar um médio que fizesse a dupla função de apoiar Cardozo nos momentos ofensivos e apoiar os médios no momento defensivo. Aimar seria o elemento perfeito para essa pequena mudança no onze encarnado, mas o argentino não tem neste momento a condição física para ser titular e muito menos para o fazer num jogo destes. Sobram Bruno César, que dificilmente será opção tendo em conta o seu momento de forma e Gaitan - na minha opinião a melhor opção - que embora não seja um "expert" nos movimentos defensivos é um jogador de enorme inteligência e que pode desequilibrar na hora de atacar. Na minha opinião a colocação do argentino por trás do ponta de lança paraguaio permitiria ao SL Benfica "amarrar" de forma mais eficaz o meio campo do FC Porto, travando aquele que é um dos sectores mais importantes do futebol do campeão nacional.

O meu onze seria: 

FC PORTO: Tendo em conta as várias ausências do ataque azul e branco - à qual se junta a do central Maicon -, é certo que Vítor Pereira vai ser obrigado a mexer e a descobrir uma solução. A saída de James Rodriguez da ala direita do ataque portista apontaria a titularidade ao jovem ganês Atsu, mas estando este ao serviço da sua selecção na CAN - e estando Iturbe com os sub20 argentinos - não sobra qualquer extremo no plantel. O treinador portista tem algumas soluções mas nenhuma delas passa pela troca directa de jogadores. Por aquilo que se viu na segunda parte do jogo frente ao CD Nacional e no jogo da Taça da Liga frente ao Vitória FC o escolhido deverá ser o belga Defour. Mas será esta adaptação do médio belga a melhor opção? A meu ver, mesmo sendo Defour um grande jogador, não me parece que a sua colocação nas alas seja benéfica para a equipa. Se é certo que, por um lado, permite mais liberdade para que Lucho Gonzalez apareça ofensivamente em zonas do terreno normalmente pisadas por James - mas Lucho não é James -, por outro lado o belga não tem rotinas de extremo e muito facilmente abandona a sua posição acabando por se perder na faixa central afunilando o jogo da equipa. O FC Porto tem outras soluções para fazer esquecer a ausência do seu numero 10. Izmaylov, recentemente contratado, poderá ser uma hipótese para ocupar a ala esquerda, desviando Varela para a direita. O russo está mais do que habituado a esta posição e seria a opção mais óbvia para o lugar, mas tendo em conta que apenas chegou a meio da semana não parece provável, nem mesmo benéfico, que Vitor Pereira lance desta maneira o seu novo reforço. Há também o miúdo Sebá que muito se destacou no jogo da Taça da Liga. O brasileiro mostrou ter imensa qualidade e vontade, mas será isso suficiente para ser lançado a titular no estádio da Luz, ao fim de apenas 90 minutos com a equipa A? Sinceramente não me parece que Sebá esteja preparado para tamanha missão. Resta uma última solução, que na minha opinião será a que mais beneficia a equipa e que passa por adiantar Alex Sandro no terreno. O lugar não é desconhecido do brasileiro - na selecção é frequente vê-lo nessa posição - e a sua capacidade técnica e de explosão poderiam ser uma mais valia para a equipa. Para que essa mudança fosse possível seria necessário colocar Mangala na esquerda - o que não seria inédito nesta época - e fazer de Abdoulaye titular ao lado de Otamendi - o senegalês já mostrou estar preparado para a tarefa -, o que a meu ver não afectaria a eficácia defensiva da equipa de Vítor Pereira. James Rodriguez é um jogador único e substitui-lo é uma tarefa impossível, ainda assim há várias soluções dentro do plantel para ocupar a sua posição. A meu ver esta opção - Alex Sandro - será a que mais benefícios pode trazer à equipa.

O meu onze seria:

O Clássico - Parte I



Joga-se amanhã o primeiro grande clássico da época, entre as duas melhores equipas do actual panorama futebolístico português e, como tal, os dois principais - e únicos - candidatos ao título nacional 2012/2013. Um jogo que coloca frente a frente duas equipas com estilos e filosofias de jogo diferentes e que ainda não conheceram o sabor da derrota na Liga Portuguesa. Duas equipas que aspiram vencer todas as provas em que entram e que muito dificilmente entram em campo à procura de um resultado útil que não seja a vitória. SL Benfica e FC Porto jogam amanhã aquele que, mesmo não sendo um jogo decisivo, poderá contribuir para uma primeira tentativa de fuga rumo ao título. 

SL Benfica: A equipa comandada por Jorge Jesus tem feito uma época exemplar no que a Liga Portuguesa diz respeito. Os encarnados chegam a esta 13ª jornada com 11 vitórias, 2 empates e 0 derrotas, contando com um registo extremamente positivo de 35 golos marcados e 9 sofridos. Apesar de ter perdido no início da temporada duas das suas principais figuras - Javi Garcia e Witsel -, Jorge Jesus soube ser capaz de "inventar" uma solução quase perfeita e fazer de Enzo Perez - que um ano antes era dado como caso perdido - o homem certo no lugar certo. Apesar dos desequilíbrios no plantel - demasiados avançados e poucos defesas - a equipa do SL Benfica tem conseguido resolver, com menor ou maior dificuldade, todos os problemas que as competições domésticas lhe proporcionam. Com Cardozo novamente em grande destaque - 13 golos marcados - os vice-campeões nacionais prometem luta até ao fim para roubar o título ao rival do Norte. O ponto negativo da época encarnada acabou por ser a Champions League. Colocado num grupo que se apresentava perfeitamente ao seu alcance, o SL Benfica bem cedo começou a sentir as dificuldades de um grupo de trabalho com desequilíbrios, e se nas competições nacionais essas lacunas não se notam, já nas competições europeias podem ter papel fundamental. Apesar da eliminação precoce e de tudo o que ela significa desportiva e financeiramente, a equipa de Jorge Jesus conseguiu "garantir" a presença na Europa League na qual será certamente um dos grandes candidatos à vitória final. 

FC Porto: A equipa comandada por Vítor Pereira entrou na época 2012/2013 com o grande objectivo de revalidar o titulo nacional, chegando assim ao tri-campeonato. Os campeões nacionais chegam à 13ª jornada sem qualquer derrota - tal como o seu adversário -, com 10 vitórias, 2 empates e 0 derrotas - com um jogo em atraso por disputar - e com um registo de 28 golos marcados e apenas 6 golos sofridos. O FC Porto que no início da época apresentava, apesar da saída do seu principal jogador, uma equipa bem equilibrada e homogénea, chega a esta fase da época com um plantel desfalcado de opções ofensivas -  James, Atsu, Iturbe e Kleber estão fora de competição nos próximos tempos - o que obriga os dragões a investir no mercado de Inverno - Izmailov foi o primeiro reforço. Apesar das contrariedades, a verdade é que o FC Porto tem o mérito de manter a sua equipa extraordinariamente sólida. Um meio campo fortíssimo, cheio de talento e experiência e uma defesa que se tem mostrado praticamente intransponível. O ponto negativo da equipa comandada por Vítor Pereira foi a eliminação da Taça de Portugal aos pés do SC Braga. Os portistas têm apostado todas as fichas na revalidação do título e numa grande campanha europeia e isso já lhes custou uma competição. Falta saber se irá compensar. Após uma fase de grupos disputada em grande nível e discutida até ao fim com o Paris SG os campeões nacionais conseguiram o apuramento no segundo lugar do grupo saindo-lhes em sorte o surpreendente Malaga FC. Apesar da qualidade dos espanhóis, o FC Porto tem tudo para marcar presença nos quartos de final e isso, por si só, já será o significado de uma bela prestação europeia e de um objectivo - desportivo e financeiro - atingido com sucesso.