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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Crescer à pedrada



Nos últimos tempos tem-se assistido no futebol português a um fenómeno que nada prestigia o desporto em geral e muito menos o clube que acaba por ser colocado em causa por comportamentos menos próprios dos seus adeptos. Em menos de um mês, elementos da claque do SC Braga, que sinceramente até ao inicio desta "bola de neve" de maus comportamentos eu nem sequer sabia o nome, foram protagonistas em quatro episódios de violência que envergonham qualquer apaixonado pelo desporto rei e ainda mais deveriam envergonhar aqueles que estiveram envolvidos.

Depois do que todo o país viu na recepção ao Paços de Ferreira FC - obrigou mesmo a um pedido de desculpas por parte de António Salvador -, depois da forma vergonhosa como os adeptos matosinhenses foram tratados na visita do Leixões SC ao SC Braga B e depois de mais um espectáculo deprimente nas bancadas do D. Afonso Henriques - e aqui não são os de Braga os únicos culpados -, eis que hoje a comitiva do SL Benfica foi brindada com valentes pedradas no autocarro que se preparava para conduzir a equipa rumo à capital. O SC Braga tem sido um clube em tremendo crescimento, tem lutado ombro a ombro com os maiores clubes do futebol português, tem marcado constantemente presença nas principais provas da UEFA e tem, com enorme mérito, escrito o seu nome na história do futebol. É pena que alguns dos seus adeptos não saibam crescer da mesmo forma que o clube. O SC Braga merece muito mais e melhor. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sair sem brilho e sem €



SC BRAGA vs GALATASARAY (1-2)

No estádio AXA jogava-se a despedida do SC Braga europeu época 2012/2013. Frente a um adversário que ainda aspirava ao apuramento - e conseguiu-o - os minhotos jogavam pelo prestigio, pelo seu "bom nome" e por mais 1 milhão de euros em caixa, que nos tempos que correm dão muito jeito. No final da partida, o apuramento, os 3 pontos e o Milhão de euros viajaram com o Galatasaray para a Turquia. O SC Braga abandona as competições europeias de cabeça baixa e de mãos a abanar - no que ao último jogo diz respeito.

A equipa de José Peseiro foi a que melhor entrou e percebeu o jogo. Jogando com velocidade e com a inteligência de jogadores como Alan e Mossoró, foi amarrando o Galatasaray num teia da qual os turcos não conseguiam sair. A praticar um futebol atrativo e consistente o SC Braga chegou ao merecido golo por intermédio do seu melhor jogador em campo - Mossoró. Num belo momento de inteligência e técnica, o número oito deu à sua equipa a merecida vantagem. Antes, já o brasileiro tinha servido de bandeja Éder e o compatriota Paulo Vinicious, mas estes desperdiçaram duas belas oportunidades de colocar os bracarenses em vantagem. Até ao intervalo e, com a excepção de um lance em que Quim foi obrigado a uma defesa difícil, o SC Braga continuou a dominar o jogo e a criar lances suficientemente perigosos para merecer uma vantagem maior. Alan, já perto do intervalo, falhou a derradeira oportunidade de matar o jogo. O árbitro deu por terminada a primeira parte e, a partir daqui, o jogo nunca mais iria ser o mesmo. 

Depois de uma primeira parte completamente dominada pelo SC Braga, coube ao Galatasaray assumir as despesas do segundo tempo. Os turcos a precisar, e de que maneira, da vitória em Braga, até porque o CFR Cluj ia vencendo surpreendentemente em Old Traford, fizeram pelo vida e foram atrás de um jogo no qual ainda não tinham conseguido entrar. A segunda parte no Estádio AXA foi bem mais repartida do que a primeira, com ligeiro ascendente da equipa visitante, que se mostrou bem mais certeira na finalização do que aquilo que o SC Braga tinha conseguido ser. A verdade é que enquanto os portugueses falharam inúmeras oportunidades de golo - principalmente no primeiro tempo -, os turcos em apenas três grandes momentos marcaram por duas vezes, e a terceira só não entrou porque o poste fez o papel de Quim. Num jogo que tinha tudo para ser uma despedida sorridente do SC Braga, a falta de capacidade defensiva e o nervosismo acumulado a cada lance perdido ou falhado traíram a equipa da casa, que acabou por permitir mais uma reviravolta no marcador, fechando as competições europeias sem um único ponto conquistado em casa. 

O SC Braga despediu-se sem glória das competições europeias e viu os seus adeptos despedirem-se da equipa com um enorme coro de assobios e do treinador José Peseiro com uma enorme mancha de lenços brancos acenados ao vento. No espaço de uma semana, o treinador português volta a sentir os dois lados da paixão futebolística dos adeptos. Se na sexta feira foi elevado a herói ao eliminar o FC Porto da taça de Portugal, na noite de ontem foi novamente apontado como principal culpado de mais uma derrota e, acima de tudo, da saída inglória e cabisbaixa da Champions League. Tudo isto no espaço de cinco dias. No futebol, passar de bestial a besta ainda é demasiado fácil!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Guerreiros abatem dragões



SC BRAGA vs FC PORTO (2-1)

Uma semana depois, duas das maiores forças futebolísticas do nosso país voltaram a encontrar-se, desta vez para disputar a presença nos quartos de final da Taça de Portugal. Se há uma semana atrás, em jogo a contar para o campeonato, o FC Porto venceu o SC Braga por 2-0, desta vez a história do jogo foi outra e acabou com a eliminação dos portistas. O SC Braga vingou assim a derrota do campeonato, conseguindo-se manter vivo num dos objectivos que ainda lhe resta, depois da eliminação da Champions League e do  - mais do que certo - afastamento da luta pelo título nacional. 

Na semana passada o FC Porto apresentou em Braga uma equipa consistente, experiente, bem rotinada e com futebol capaz de vergar os guerreiros do minho - pese embora as dificuldades com que o fez - desta vez, Vítor Pereira resolveu operar uma revolução no 11 inicial da sua equipa - 7 titulares ficaram de fora - e pior ainda, quando mexeu na equipa não o fez da melhor forma. Por sua vez, o SC Braga de José Peseiro, apresentou-se na máxima força fazendo alinhar de início os seus melhores jogadores - é assim que deve ser - usufruindo, em fases determinantes do jogo, de uma maior experiência, consistência, ligação entre jogadores e, em certos casos, qualidade. Apesar de ter entrado melhor em jogo e chegado cedo à vantagem, o FC Porto foi perdendo fulgor e consistência com o passar do tempo. O SC Braga, a jogar em sua casa uma partida decisiva para a sua época desportiva - e talvez o futuro de José Peseiro como treinador principal - foi, mesmo não fazendo um grande jogo, uma equipa séria, guerreira e bem consciente do objectivo que estava obrigada a atingir. Mesmo com os portistas em vantagem, os minhotos nunca perderam o norte e souberam sempre explorar as deficiências de um adversário com poucas rotinas e bastante desfalcado - culpa do treinador Vítor Pereira. 

Ao longo da segunda parte, o SC Braga manteve-se unido e focado no objectivo e o FC Porto foi, inexplicavelmente, adormecendo à sombra de uma vantagem demasiado curta e perigosa, tendo em conta o futebol que a equipa apresentava. O jogo até poderia ter ficado empatado aos 57 minutos mas Olegário Benquerença - mais uma vez um mau árbitro a apitar duas grandes equipas - mandou seguir um lance que seria de grande penalidade para a equipa da casa. Ainda com o FC Porto em vantagem, Vítor Pereira mexeu mal na equipa, tirando do jogo o pêndulo do sei meio campo - Fernando -, desequilibrando por completo uma equipa que sempre que chegava à frente - e já não eram muitas vezes - via o seu futebol esbarrar na nulidade do brasileiro Kléber. Os portistas perderam o controlo do jogo e viam os bracarenses crescer e tornarem-se numa ameaça cada vez maior.

Se o árbitro havia errado aos 57 minutos, não permitindo à equipa da casa a oportunidade de empatar o jogo e voltar a entrar na eliminatória, voltou a errar aos 72 minutos, expulsando sem qualquer razão o médio portistas Castro, deixando os azuis e brancos a jogar com uma unidade a menos. Se o meio campo azul e branco já não funcionava, após a expulsão de Castro o descalabro foi total. A expulsão virou ainda mais o jogo e o SC Braga nunca mais deixou de mandar. Bastaram 3 minutos de superioridade numérica para os bracarenses chegarem à igualdade, beneficiando de um erro infantil do lateral Danilo. O "castelo" portista começava a ruir, e se uma expulsão e um auto-golo já eram um rude golpe no objectivo azul e branco, o golo de Éder ao 80 minutos - o internacional português parte de posição irregular - deixava a equipa de Vítor Pereira com um pé fora da Taça de Portugal. Nos minutos finais ainda se viu um esboço de reacção azul e branca, mas nem Lucho nem Kléber foram capazes de bater Quim.

O FC Porto perde pela primeira vez nesta temporada e Vítor Pereira tem que ser apontado como grande culpado da derrota portista. O treinador azul e branco "desrespeitou" a competição e olhou com sobranceria para um adversário de grande qualidade. Só isso explica jogar no Estádio AXA sem sete dos habituais titulares. Mérito para a equipa do minho que apostou todas as suas fichas neste jogo e saiu dele com a vitória. José Peseiro volta a respirar de alivio depois de uma semana extremamente complicada e o internacional português Éder volta a marcar e a decidir. 

Infelizmente, SC Braga e FC Porto voltaram a encontrar um árbitro sem qualidade. Depois do miserável trabalho de Carlos Xistra no jogo do campeonato, desta vez foi Olegário Benquerença a não estar ao nível do desafio. Uma grande penalidade por assinalar, um vermelho mal mostrado, um golo decisivo em fora de jogo, um mau acompanhamento dos lances e uma inacreditável facilidade em mostrar cartões, são sinónimo de uma nota extremamente negativa para o trio de arbitragem presente na cidade de Braga. SC Braga, FC Porto e o futebol português merecem muito melhor.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Triste adeus



CFR CLUJ vs SC BRAGA (3-1)

A derrota do SC Braga na Roménia colocou a equipa de José Peseiro fora das competições europeias, transformando toda esta caminhada numa enorme desilusão. Os minhotos não podem olhar para si próprios e ver a equipa mais fraca do grupo, pois claramente não o são. Nem CFR Cluj nem Galatasaray são equipas superiores ao SC Braga e, por isso mesmo, pedia-se muito mais a esta equipa. O último lugar não espelha, nem de longe nem de perto, a qualidade destes jogadores.

O jogo da Roménia voltou a mostrar um SC Braga irreconhecível. Uma equipa errada nos seus processos, sem fio de jogo, sem sentido colectivo - principalmente a defender - e pior ainda, uma equipa muito mal preparada para o adversário que ia enfrentar. É estranho e imperdoável, que a equipa do SC Braga perca duas vezes contra o mesmo adversário - de qualidade inferior aos minhotos - cometendo os mesmos erros e expondo-se desta forma ao contra ataque dos romenos. Aqui a nota negativa só pode ir para José Peseiro e aquilo que é, a meu ver, uma má preparação do jogo. Ao contrário dos minhotos, o CFR Cluj de Paulo Sérgio mostrou ter o SC Braga bem estudado, percebendo a forma de jogar da equipa e sabendo onde estavam os elementos chave a anular. Muito mérito dos romenos na forma como venceram a partida.

Se a ideia do SC Braga era entrar no jogo para ganhar - tinha que o fazer -, bem cedo se percebeu que tudo iria sair ao contrário. O CFR Cluj apresentava uma linha defensiva muito sólida e bem dura e lá na frente colocava dois homens de grande mobilidade - Rafael Bastos e Rui Pedro - acrescentando-lhes um rapidíssimo Sougou. Inacreditavelmente, até porque todos estes jogadores passaram muito tempo no campeonato português, os minhotos pareceram surpreendidos com esta forma de jogar e, pior ainda, mostraram que não vinham preparados para lhe fazer frente. Foi nesta constante luta desequilibrada entre uma perdida defesa do SC Braga e um inteligente e eficaz ataque do CFR Cluj, que Rui Pedro construiu a sua noite de ouro - negra para os de Braga - em pouco mais de 30 minutos. O avançado, que passou pelo futebol português sem grande destaque, fez um hat trick na maior prova do futebol mundial. Para ajudar à festa e como se 3 golos sofridos não fossem o suficiente, o central Douglão teve a irreflectida e infeliz ideia de agredir um adversário, deixando a sua equipa a jogar apenas com dez unidades. Aqui morreu o SC Braga europeu. Pelo meio de tanta desgraça, o brasileiro Alan ainda foi capaz de marcar um golo, que para os minhotos não foi mais do que uma amarga consolação.

Depois de arrumar com todas as hipóteses que tinha nos primeiros 45 minutos, restava ao SC Braga subir ao relvado na segunda parte para, pelo menos, se redimir da má imagem deixada. Mas a tarefa era extremamente complicada. O SC Braga jogava apenas com dez e tinha pela frente um adversário motivado e um público eufórico com a exibição, com o resultado e com a real possibilidade de ver os romenos nos oitavos de final da prova. Durante os segundos 45 minutos o CFR Cluj continuou a ser superior ao SC Braga e a mandar completamente no jogo. Soube gerir os tempos, o ritmo e principalmente o cansaço - seu e do adversário - escolhendo criteriosamente os momentos certos para atacar. Até ao final da partida o marcador não sofreu qualquer alteração mas, verdade seja dita, bem podia ter acontecido não fosse a eficácia de Beto e a ajuda dos postes da sua baliza - por duas vezes negaram o golo a Camora.

No final, fica a enorme desilusão de ver um SC Braga bem reforçado e repleto de bons jogadores ficar fora das competições europeias. Agora que os minhotos estão fora, esperemos que os romenos do CFR Cluj avancem para os oitavos de final. Afinal de contas são uma das equipas mais "portuguesas" da Champions League. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O dilema da grandeza



Se alguém tinha dúvidas quanto à grandeza do SC Braga em relação a FC Porto, SL Benfica e Sporting CP, os jornais desportivos portugueses fizeram questão de explicar que, pelo menos no que a poder sobre o público e influência sobre os media diz respeito, os minhotos ainda estão a anos luz dos três grandes.

Haverá outra explicação para que, depois do que aconteceu ontem em Alvalade, nenhum dos três jornais faça qualquer referência ao erro de Pedro Proença na sua primeira página?


Não sou apologista de um jornalismo desportivo que dê mais destaque aos erros de arbitragem do que ao jogo em si, mas tendo em conta aquilo que costuma ser prática comum nos nossos três jornais da especialidade - A Bola, O Jogo e Record -, acho no mínimo estranho que desta vez não seja assim. 

Leão foi feliz



SPORTING CP vs SC BRAGA (1-0)

Depois de oito jogos seguidos sem conseguir sentir o sabor de uma vitória, eis que o Sporting CP volta a vencer. Um golo a frio de Wolfswinkel aos 4 minutos foi o suficiente para os leões levarem de vencida os minhotos e reduzirem a distância que os separa de 10 para 7 pontos. Vercauteren consegue vencer pela primeira vez no comando do Sporting CP - ao segundo jogo realizado -, num jogo contra uma das melhores equipas do futebol português. Poderá este triunfo ser um tónico de mudança para os leões de Alvalade, num momento em que já muita coisa se perdeu esta época? Os próximos jogos encarregar-se-ão de responder.

O jogo de Alvalade começou com o golo do Sporting CP numa altura em que nenhuma das equipas tinha tido tempo de se superiorizar ao adversário. O golo madrugador dos leões teve um efeito devastador no futebol do SC Braga que, durante largos minutos, andou à procura do seu próprio futebol e era uma equipa completamente perdida em campo. A equipa da casa, a jogar melhor do que nos últimos jogos, sentia-se confortável com o nervosismo do adversário mas, ainda assim, não conseguia garantir superioridade e bastou um lance para o jogo voltar a mudar. Aos 15 minutos, Éder teve na cabeça o empate mas Patrício foi soberbo na forma como evitou o golo dos minhotos. Com este lance, a equipa de José Peseiro parece ter percebido do que era capaz e voltou a equilibrar um jogo que acabou por ser disputado até ao fim.

Com o resultado desequilibrado ao intervalo, a equipa do SC Braga, não querendo deixar fugir ainda mais os dois primeiros classificados, apostou tudo na reviravolta. José Peseiro fez questão de manter a sua equipa bastante ofensiva e motivada no assalto à baliza de Patrício. O problema estava precisamente aqui. O guarda-redes português fez uma exibição de tal forma brilhante que foi, sem qualquer tipo de dúvida, a figura maior do jogo. O número 1 dos leões e da selecção nacional foi enorme a segurar os três pontos da sua equipa, principalmente nos últimos 20 minutos de jogo, altura em que o Sporting CP começou a cair e o SC Braga dominava. Os minhotos lutaram até ao fim  por um golo que insistiu em não aparecer. Os leões, ao contrários de outras ocasiões, viram a felicidade sorrir em alguns momentos decisivos do jogo e conseguem conquistar 3 pontos que afastam um pouco mais a equipa da linha de água. Ainda assim há muito trabalho a fazer.

No final da partida, o SC Braga bem se pode queixar da sorte que traiu a equipa em vários momentos e do árbitro Pedro Proença, que de forma inacreditável anulou um golo limpo ao capitão Alan. A vitória acaba por ser um prémio feliz para a forma como o Sporting CP se bateu, mas não deixa de ficar manchada por um erro grosseiro da equipa de arbitragem que, quer se queira quer não, acabou por ser determinante na atribuição do resultado final. Por tudo o que fez no jogo - inclusive o golo limpo que marcou - o SC Braga merecia mais. 

domingo, 4 de novembro de 2012

Gil mais forte não bastou



SC BRAGA vs GIL VICENTE FC (3-1)

Quem viu o Gil Vicente FC jogar na sua própria casa frente ao SL Benfica poderia jurar que este Gil Vicente FC que se deslocou a Braga não era o mesmo. Ao contrário do que aconteceu em Barcelos há uma semana, desta vez a equipa de Paulo Alves apresentou um futebol de qualidade que provocou imensas dificuldades à equipa de José Peseiro e que, verdade seja dita, só não chegou para um resultado melhor por alguma falta de sorte e eficácia. Este Gil merecia mais.

Durante a primeira parte, o estádio AXA foi palco de um bom jogo de futebol, bem disputado, entre duas equipas que mostravam querer vencer. Durante os 45 minutos foram vários os lances de perigo a rondar ambas as balizas, mas apenas José Luis teve eficácia suficiente para fazer mexer o marcador. Pio e César Peixoto - a abrir e fechar a primeira parte - não foram capazes de fazer o mesmo e por isso o SC Braga acabou por sair para o intervalo com uma vantagem que premiava a eficácia, após 45 minutos de grande equilíbrio entre as duas equipas.  

Talvez desapontados pelo resultado ao intervalo, os gilistas entraram melhor do que o adversário e cedo mostraram que iriam discutir o resultado até ao limite das suas forças. Logo aos 49 minutos Pio voltou a não ter a eficácia necessária e atirou ao poste da baliza de Beto. O Gil Vicente FC via fugir mais uma bela oportunidade de chegar ao golo - e já era a terceira - e o SC Braga respirava de alivio, mas por pouco tempo. Apenas 6 minutos depois o gigante Yero teve a eficácia que faltou aos seus companheiros e colocou justiça no resultado ao empatar 1-1. A jogar sem Rúben Micael, Rúben Amorim e Éder - talvez a pensar no jogo da Champions League -, o SC Braga mostrava alguma dificuldade em contrariar o futebol dos gilistas e não conseguia evitar que estes mantivessem o jogo equilibrado e criassem várias situações de perigo. 

Aos 63 minutos o jogo mudou e o equilíbrio que tinha sido nota dominante - com algum ascendente em oportunidades para os gilistas - caiu por terra após um lance infeliz do árbitro, que descortinou uma falta de Hallisson sobre José Luis em plena grande área, oferecendo a Alan uma oportunidade de ouro para desempatar a partida. O capitão do SC Braga não desaproveitou e colocou a sua equipa em vantagem. Os gilistas sentiram o golpe do 2-1, desconcentraram-se, enervaram-se e perderam-se num jogo em que, até ao momento da grande penalidade, não estavam a ser inferiores. A partir daqui o SC Braga fez uso da sua maior qualidade e experiência e soube controlar as operações até ao final. Pouco antes do minuto 90 Hugo Viana ainda conseguiu fazer o terceiro golo para a equipa da casa, fixando o resultado final em 3-1.

Num jogo bem disputado, entre duas equipas que mostraram querer vencer, o resultado acaba por ser no mínimo exagerado e não traduzir na perfeição aquilo que se passou dentro das quatro linhas. Pelas oportunidades de que dispôs e pelo que jogou até ao minuto 63, o Gil Vicente FC merecia mais. Afinal de contas foi a equipa que criou mais e melhores oportunidades de golo. O SC Braga acaba por ver premiada a sua eficácia em momentos chave do jogo e, acima de tudo, a sua experiência e frieza na hora de controlar a vantagem.  

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sabor amargo



MAN UNITED vs SC BRAGA (3-2)


Foi enorme a primeira parte do SC Braga em pleno Old Trafford. A qualidade do futebol da equipa de José Peseiro, a atitude, o empenho e a concentração fizeram o Manchester United tremer, Alex Ferguson revirar os olhos de raiva e o Old Trafford cair numa profunda ansiedade. O SC Braga entrou em jogo como se em casa jogasse e, melhor ainda, como se o colosso europeu fosse ele próprio. Se a equipa inglesa já havia ficado "atarantada" com a atitude dos portugueses, pior ficou quando Alan inaugurou o marcador logo aos 2 minutos. Mas o descaramento da equipa de José Peseiro não ficaria por aqui e, aos 20 minutos, depois de Éder envergonhar Evans perante a Europa inteira - vénia a mais uma grande exibição do internacional português -, Alan voltou a marcar e um boquiaberto Old Trafford assistia a uma lição de futebol dada pelo SC Braga ao gigante de Manchester. O SC Braga controlava o jogo, trocava a bola com qualidade, provocava e enervava o adversário mas, infelizmente, a história - assim como este texto - não acaba aqui. Pouco depois de sofrer o segundo golo, o Manchester United conseguiu, num lance com muita sorte à mistura, reduzir a desvantagem para 1-2. Os ingleses, que verdade seja dita não mereciam o golo, entusiasmaram-se e conseguiram equilibrar o jogo até ao intervalo. 

Na segunda parte a história do jogo mudou. Como era de esperar, os ingleses entraram a todo o gás e a mostrar que queriam dar a volta ao jogo. Como é óbvio, o poderio de uma equipa que tem Rooney, Van Persie, Chicharrito e ainda se dá ao luxo de ter Nani no banco, colocou em sentido a equipa do SC Braga. Os minhotos sabiam que iam sofrer e precisavam de o saber fazer. Recuaram as linhas, organizaram-se e cerraram os dentes para defender a vantagem que conquistaram no primeiro tempo. Mas - infelizmente - se no primeiro golo o Manchester United tinha beneficiado de alguma sorte, o golo do empate - numa fase em que a equipa inglesa estava por cima - é o lance mais feliz que Alex Ferguson poderia esperar num jogo como este. Os ingleses conseguiam igualar a partida e ganhar a confiança e fôlego necessários para ir em busca dos 3 pontos. O SC Braga tudo fez para guardar pelo menos 1 ponto, mas um Manchester United entusiasmado e um estádio cheio a puxar pela equipa eram quase impossíveis de parar. Assim, e já numa altura em que a pressão dos ingleses era enorme, Chicharrito consegue - excelente golo do mexicano - dar a vantagem à equipa inglesa. A partir daí o Manchester United passou a sentir-se confortável no jogo e a controlar as operações até ao apito final. O SC Braga merecia outro resultado - principalmente pela primeira parte que fez - mas a maior experiência do Manchester United aliada ao enorme talento dos seus jogadores, ofereceram à equipa de Alex Ferguson os 3 pontos e a liderança do grupo.

Apesar da derrota, a equipa portuguesa merece os parabéns pela excelente exibição que fez em Inglaterra. Jogar assim em Old Trafford, perante um dos maiores clubes do Mundo não é para qualquer um e, o SC Braga tem vindo a provar que não é um clube qualquer!

domingo, 7 de outubro de 2012

De loucos



SC BRAGA vs SC OLHANENSE (4-4)


A ressaca europeia voltou a ser desagradável para a equipa de José Peseiro. Depois de um extraordinário resultado na Turquia, o SC Braga voltou as casa e aos jogos do campeonato para receber o SC Olhanense. A equipa da casa era claramente favorita a conquistar a vitória e, mais do que isso, precisava dela para se manter na perseguição aos líderes - FC Porto e SL Benfica. A equipa de Sérgio Conceição bem cedo mostrou que não estava em Braga para facilitar e queria vencer para começar a fugir - ou pelo menos tentar - aos lugares de despromoção.

Numa primeira parte bastante animada, a equipa de Olhão foi de uma eficácia tremenda e em três boas oportunidades de golo conseguiu garantir outros tantos golos. O SC Braga entrou no jogo basicamente a perder - golo de Abdi aos 4 minutos - mas soube responder à vantagem dos forasteiros e pouco depois voltou a repor a igualdade - golo de Hélder Barbosa  aos 9 minutos. A partir daqui, a primeira parte pode-se resumir com um SC Braga a dominar a partida, a tentar criar lances de perigo para ganhar vantagem no marcador e o SC Olhanense a responder com golos de cada vez que aparecia junto à baliza de Beto - foi assim aos 20 e ao 35 minutos. Ao intervalo o desequilibrado resultado de 1-3 era injusto para a equipa do SC Braga, mas ao mesmo tempo que premiava a eficácia dos homens de Olhão, castigava o desacerto defensivo dos arsenalistas. 

A segunda parte começou precisamente ao contrário da primeira, ou seja, com o SC Braga a pressionar e a chegar ao golo bem cedo - Douglão aos 49 minutos. Esperava-se a partir daqui uma avalanche ofensiva da equipa da casa na procura do golo do empate, mas num lance infeliz, Rúben Amorim volta a aumentar a vantagem dos visitantes com um auto-golo. O SC Braga pareceu desanimado durante alguns minutos e o SC Olhanense parecia destinado a vencer, tal a eficácia ofensiva que apresentava. Nos últimos 20 minutos de jogo o SC Braga voltou a carregar e foi já aos 81 minutos que Éder reduziu para 3-4. O SC Braga insistiu, o SC Olhanense defendeu conforme podia e sabia, mas aos 94 minutos o central Douglão voltou a marcar e a dar o empate à equipa da casa, trazendo alguma justiça ao marcador.

O SC Braga voltou a escorregar depois de uma jornada europeia. A equipa de José Peseiro errou bastante defensivamente e deixou fugir 2 pontos para Olhão. Embora o SC Braga tenha dominado o jogo, o resultado acaba por ser justo e o empate que chega num golo de Douglão no último minuto de jogo, premeia o esforço da equipa da casa que acreditou até ao fim. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Um grande SC Braga



GALATASARAY SK vs SC BRAGA (0-2)

Depois de uma derrota surpreendente e algo injusta na recepção ao CFR Cluj da Roménia - primeira jornada da Champions League -, a equipa de José Peseiro reagiu e mostrou estofo europeu e qualidade para lutar até à última por um lugar nos oitavos de final. 

O SC Braga, deslocou-se a um terreno difícil conhecido pelo ambiente hostil e mostrou-se sempre seguro dos seus objectivos e confiante no seu futebol. Como é normal, a equipa da casa começou mais forte e, durante os primeiros 15 minutos de jogo, os minhotos precisaram de saber sofrer e resistir ao caudal ofensivo dos turcos que jogavam num 4-2-4. Passado o primeiro quarto de hora do jogo, o Galatasaray SK começou a perder algum fulgor ofensivo e, acima de tudo, a tornar-se previsível, sendo facilmente dominado pela equipa portuguesa. O SC Braga subiu as suas linhas, pegou no jogo e, confortavelmente, foi tomando conta do meio campo, até chegar ao merecido golo da vantagem marcado por Rúben Micael aos 27 minutos. Os portugueses só não aumentaram para 2-0 logo de seguida porque Muslera negou o golo a Éder com uma enorme defesa. Depois do golo, o SC Braga cresceu ainda mais no jogo e chegou ao intervalo com uma justa vantagem no marcador. 

A segunda parte começou da mesma forma que a primeira, ou seja, com a equipa turca a pressionar e a tentar levar perigo à baliza de Beto. Nesta segunda etapa do jogo, os portugueses mostraram-se muito sólidos e disponíveis para defender com unhas e dentes os 3 pontos. Nesta fase os minhotos nunca se desorganizaram e mantiveram sempre o jogo controlado. Até ao final a equipa da casa tentou de todas as formas chegar ao golo do empate, mas quando já entrava na fase de desespero, o SC Braga mostrou inteligência na forma como abordou um contra ataque e Alan, muito bem servido por Éder, deu a machadada final na partida. A equipa de José Peseiro consegue uma importante e justa vitória fora, que premeia a qualidade de jogo da primeira parte e a capacidade de luta e sofrimento da segunda. Com este resultado o SC Braga soma os seus primeiros 3 pontos na prova igualando o CFR Cluj, com quem perdeu na primeira jornada.

Na equipa do SC Braga destaque especial para a exibição de Éder, que começa a mostrar que é muito mais do que um goleador. Está ali um jogador com muito futuro.

sábado, 29 de setembro de 2012

Reis do Minho



VITÓRIA SC vs SC BRAGA (0-2)

No estádio D. Afonso Henriques, Vitória SC e SC Braga protagonizaram um belo jogo de futebol, devidamente acompanhado pelo fantástico ambiente que os adeptos das duas equipas são capazes de criar. 

O Vitória SC é uma equipa onde se nota a existência de qualidade, mas que demonstra ser - ainda - demasiado verde e inexperiente na forma como aborda determinados momentos do jogo. Já o SC Braga apresenta outro tipo de maturidade e até mesmo qualidade. A equipa de José Peseiro, que se voltou a mostrar bastante adulta, tem ao seu dispor opções que, em consequência da actual realidade económica de ambos os clubes, não estão ao alcance do seu adversário. Não espanta por isso que o SC Braga, embora ligeiramente surpreendido pela irreverência e vontade dos vimaranenses na primeira parte, tenha estado quase sempre por cima, num jogo que acabou por vencer com toda a justiça.

Num jogo importante, não só pelos três pontos em causa, mas também por toda a rivalidade entre os dois clubes minhotos, o Vitória SC entrou com muita vontade de vencer a partida, mas pela frente tinha um SC Braga superior em qualidade e com jogadores bem mais experimentados nestas andanças. O ímpeto da equipa da casa foi esbarrando num visitante bem organizado e sempre tranquilo, que aos poucos foi crescendo no jogo, ditando o ritmo que pretendia e mostrando o porquê de hoje em dia estar num patamar acima do seu rival. A equipa de Rui Vitória mostrou-se demasiado inexperiente e tornou-se presa fácil para o talentoso e adulto meio campo do SC Braga. A estratégia do Vitória SC  foi servindo apenas para adiar o quase inevitável golo da equipa visitante. 

Se na primeira parte o Vitória SC ainda deu um ar da sua graça, a segunda começou com o SC Braga a procurar resolver cedo o jogo, para poder gerir o esforço físico dos jogadores para a importante segunda jornada da Champions League. Éder percebeu bem a ideia e fez questão de, logo aos 10 minutos, mostrar que a pontaria continua afinada. O SC Braga dominava por completo o jogo e colocava-se na frente do marcador. Por muito que tentasse, o Vitória SC não conseguia incomodar a equipa de José Peseiro e ao 65 minutos com a entrada de Rúben Micael, perdeu por completo o jogo para os bracarenses. Ia faltando força e qualidade para que a equipa da casa pudesse contrariar os objectivos dos visitantes. Com o jogo completamente controlado, o SC Braga fechou o resultado já perto do fim com um golo de Hugo Viana - assistência de Rúben Micael -, colocando o resultado num justo 0-2. Ao fim de seis anos o SC Braga voltou a vencer para a liga na casa do seu eterno rival - a última vitória tinha sido na época 2005/2006.


domingo, 23 de setembro de 2012

Goleada à minhota



SC BRAGA vs RIO AVE FC (4-1)


Depois de uma terrível estreia nas competições europeias, o SC Braga não poderia desejar melhor jogo para fazer as pazes com a sorte, com os resultados e, acima de tudo, com os seus próprios adeptos. O jogo em casa com o Rio Ave FC foi demasiado fácil e saboroso o suficiente para fazer os sorrisos bracarenses abrirem nas bancadas. A equipa de Peseiro entrou em campo debaixo do olhar desconfiado dos adeptos, mas saiu debaixo de aplausos e elogios.

Depois daquilo que tinha sido o filme do jogo com o Cluj - de terror obviamente - pedia-se ao SC Braga uma entrada forte no jogo e um ataque bem mais eficaz do que a meio da semana. Na verdade, nos primeiros 45 minutos nada disso aconteceu e a primeira parte foi mesmo um jogo feio, mal disputado e com poucos motivos de interesse. O SC Braga não era capaz de ligar as suas jogadas e o Rio Ave FC nem sequer parecia ter interesse em atacar. Quando assim é, resta pedir com todas as forças a chegada do intervalo com a maior brevidade possível. O golo de Éder, que se estreou a marcar na liga, foi mesmo o único momento de qualidade no relvado do Axa durante os penosos 45 minutos do primeiro tempo.

Se a primeira parte foi fraca e parca em emoção, o intervalo mudou tudo. A equipa vila condense que nada tinha feito até então consegue chegar ao golo logo no reinicio - minuto 53 - por intermédio de Edimar, num monumental frango do guarda redes Beto. Com a segunda parte a começar e o jogo empatado, esperava-se um Rio Ave FC mais atrevido e um SC Braga a dar tudo por tudo para não voltar a desiludir. O jogo tinha tudo para melhorar.

A equipa de José Peseira não acusou o golo do adversário e mal deu tempo aos homens de Nuno Espírito Santo para festejar o empate, pois apenas dez minutos depois voltava a estar na frente do marcador com um golo de Rúben Amorim. O SC Braga ganhava mais força e confiança e o Rio Ave FC voltou a cair num futebol medíocre que apresentou durante toda a primeira parte. Desorganizou-se, desmoralizou e até aos 90 minutos limitou-se a lutar para não perder por muitos, não espantando por isso que o SC Braga voltasse ao golo aos 70 e aos 75 minutos por Éder e Custódio respectivamente. Nos últimos 15 minutos e a jogar com menos um jogador - Nivaldo foi expulso no lance de penalti que deu o quarto golo do SC Braga -, o Rio Ave FC apenas se livrou de maior humilhação porque José Peseiro fez a sua equipa "descansar" com a bola nos pés. O jogo estava ganho, as pazes com os adeptos estavam feitas e o SC Braga regressa às vitórias e aos lugares de pódio da liga portuguesa.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Noite pouco feliz



CELTIC FC vs SL BENFICA (0-0)


A jogar no antigo Celtic Park, o SL Benfica de Jorge Jesus procurava entrar a vencer nas provas europeias. Para que isso fosse possível, era necessário quebrar uma já antiga tradição de maus resultados dos lisboetas nas deslocações a Glasgow, onde nunca havia vencido e nem mesmo marcado golos. A verdade é que desta vez não foi muito melhor. 

Num jogo em que Jorge Jesus sentiu pela primeira vez o peso da ausência do capitão Luisão, o SL Benfica foi sempre uma equipa pouco corajosa e demasiado curta, que se pareceu resignar com um nulo na casa do adversário mais fraco do grupo - teoricamente. À procura de novas soluções tácticas e de alguns remendos para a sua equipa, Jorge Jesus montou uma equipa muito expectante. Desta vez, Gaitan e Salvio estiveram completamente desinspirados, Aimar, que jogou demasiado atrás, já não tem idade nem físico para resolver todos os problemas sozinho e Rodrigo é um jovem demasiado frágil para dar luta a tão duros e experientes centrais do Celtic -  a forma de jogar de Cardozo e a sua eficácia teriam sido mais úteis ao SL Benfica.

Mas se o SL Benfica era uma equipa desinspirada, o que dizer dos escoceses? Os homens de Neil Lennon são altos e fortes, mas duros de rins e demasiado toscos e mesmo dominando territorialmente - o que era consentido pelo SL Benfica - nunca criaram grandes problemas a Artur e, verdade seja dita, a haver um vencedor neste jogo, teria de ser a equipa de Jorge Jesus. 

É precisamente pela qualidade dos escoceses - ou falta dela - que considero este resultado negativo. Bem sei que pontuar fora na Champions League pode ser um bom resultado, mas sinceramente, o SL Benfica é tão superior a este Celtic FC que, mesmo a jogar desfalcado, podia ter conseguido muito mais. Passando os olhos pela imprensa desportiva fica a ideia de que a equipa da Luz fez um grande jogo e obteve um bom resultado. A mim essa ideia não convence minimamente.



SC BRAGA vs CLUJ (0-2) 




Em Braga, a "pedreira" acabou por não ser a casa de sonhos que os adeptos tanto esperavam para este arranque de Champions League. Num jogo que parecia dominado pelos homens de Peseiro a todos os níveis, o campeão romeno fez uso da sua velocidade e do talento de dois ex-bracarenses - Mário Felgueiras a defender e Rafael Bastos a marcar - para abater uma equipa minhota, que facilmente se deixou "atordoar" às primeiras contrariedades.

Tendo em conta a diferença de qualidade das equipas, não se esperava que o resultado ganhasse estes contornos. O SC Braga entrou no jogo com a intenção de dominar e fazer uso das qualidades de Hugo Viana, Micael e Mossoró para ganhar a luta numa das zonas mais importantes do terreno. Na verdade conseguiu-o, mas o Cluj, percebendo que não era aí que criava problemas aos portugueses, apostou em recuar linhas e usar o contra-ataque como forma de chegar à baliza do seu ex-guardião Beto, e foi assim que em apenas três subidas à área contrária, graças ao talento de Rafael bastos e alguma ingenuidade da defensiva arsenalista, o Cluj se colocou em vantagem de 0-2. Resultado injusto e exagerado que penalizava o mau posicionamento do SC Braga na hora de defender.

Verdade seja dita, o SC Braga lutou até ao final para virar um resultado que não era nada positivo, mas quando não era o último toque que falhava - Éder ainda parece um corpo estranho à equipa -, era Mário Felgueiras a brilhar ao mais alto nível perante o olhar do seu ex-patrão. Um resultado injusto e que não condiz com aquilo que foi o jogo, mas que pode prejudicar muito a equipa minhota na luta por um lugar nos oitavos de final.



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ressaca Europeia



PAÇOS FERREIRA FC vs SC BRAGA (2-0)

Depois de uma exibição fabulosa em Udine que valeu o apuramento para a fase de grupos da Champions League, a equipa de José Peseiro, agora orfã da sua grande referência ofensiva, deslocou-se a Paços de Ferreira para fazer o seu pior jogo da época. Foram noventa minutos de desilusão para os adeptos e treinador bracarense.
O SC Braga entrou em campo cansado, sem ideias, sem mobilidade e ainda a procurar descobrir o melhor caminho para servir Éder. É uma equipa a precisar de aprender a forma de jogar com a sua nova referência ofensiva e um jogador ainda a perceber como joga a equipa do SC Braga. No meio de tudo isto, sobraram 90 minutos de fraca qualidade e de escassas oportunidades de golo.
A jogar em casa e, como sempre o faz, o Paços de Ferreira imprimiu um ritmo bastante elevado ao jogo. Os homens de Paulo Fonseca não abrandaram o ritmo ao longo de todo o jogo e aproveitaram o cansaço do adversário para facilmente ganhar os principais duelos. O futebol raçudo e físico do Paços de Ferreira foi demasiado forte para um adversário mole e preso de movimentos. Não espantou, por isso, que os castores começassem bem cedo a vencer - golo de Cohene aos 12 minutos - e levassem o jogo controlado de forma tranquila até ao minuto 79, altura em que Hurtado - um dos melhores em campo - acabou com qualquer esperança do SC Braga em recuperar e fez o 2-0.
O Paços de Ferreira foi um justíssimo vencedor num jogo em que os arsenalistas não foram a equipa que já mostraram ser. Os comandados de Peseiro ressentiram-se da falta de Lima - era até agora uma referência do futebol ofensivo - e, ainda mais, do esforço extra a que foram obrigados em Itália. Uma equipa que vai fazer a fase de grupos da Champions League tem que estar preparada para este desgaste e nisso o SC Braga mostrou ainda ter muito trabalho a fazer.

sábado, 1 de setembro de 2012

O mercado dos grandes


FC PORTO:

Este é, possivelmente, o mais forte plantel do FC Porto nos últimos tempos. Pinto da Costa, aproveitando os lucros provenientes das vendas de jogadores dados como dispensáveis - cerca de 30 milhões - conseguiu segurar na Invicta todos os principais jogadores e deu a Vítor Pereira o avançado que este tanto pedia - Jackson Martinez - embora me pareça curto ter apenas duas opções nesta posição. O Porto soube aproveitar bem os vários jovens que tinha emprestados e, mais do que isso, soube integrá-los no seu plantel não abdicando dos elementos mais experientes. Assim sendo, o treinador português tem nas mãos um plantel de altíssima qualidade e com inúmeras opções. Para ter sucesso, Vítor Pereira tem que saber ser, além de bom treinador, um bom gestor de recursos humanos. Nem todos os jogadores vão jogar sempre e é preciso lidar bem com o ego dos atletas e com a sua motivação e confiança. Falta saber se Vítor Pereira tem mãos para este "Ferrari".

Neste mercado de transferência houve, ainda assim, casos que me deixaram algumas dúvidas. Sapunaru, por exemplo, rescindiu com o clube para assinar pelo Zaragoza por um valor que dizem os portugueses é zero e dizem os espanhóis anda entre os 600 mil euros e os 2 milhões. Isto acontece depois de o FC Porto ter comprado os 50% do passe que não lhe pertenciam por 2,5 milhões há mais ou menos um ano. Afinal, o que mudou neste último ano para que uma inicial aposta forte no romeno terminasse com uma saída a custo zero?

Mais complexo ainda está a ser o caso Rolando. O jogador que supostamente tinha mercado e já não seria opção continua sem sair quando são poucos os mercados abertos. Depois da saída de Álvaro Pereira por preço de "saldo", irá Rolando pelo mesmo caminho? São casos que me parecem mal geridos pela SAD do FC Porto e que podem afectar o rendimento da equipa, até porque, como já se viu no passado bem recente, ter jogadores contrariados no plantel não traz nada de positivo.

A aposta do FC Porto para esta época é forte e isso está à vista, mas muito do que será o FC Porto versão 2012/2013 vai depender do seu treinador e da forma como conseguir fazer a equipa jogar. Os lugares cativos não vão poder existir sobre o risco de desmoralização de jogadores e de comodismo de outros. O trabalho de motivação vai ser um dos desafios mais importantes para Vítor Pereira. A permanência de Hulk e João Moutinho poderá ser muito importante, mas também poderá representar exactamente o oposto e isso vai depender do estado de espírito com que os jogadores permanecem no clube e do trabalho de motivação desenvolvido ao longo da época pelo treinador. A época 2012/2013 será um enorme teste às capacidades de Vítor Pereira. Ficar com os jogadores mais valiosos pode ser, sem dúvida, importante, mas é preciso que os jogadores fiquem de alma e coração.



SL BENFICA:

O SL Benfica tem um conjunto de jogadores de grande qualidade e um ataque com opções de alto nível mas voltou, na minha opinião, a cometer erros graves na construção do seu plantel. Primeiro, porque mais uma vez começou a construi-lo da frente para trás o que, na minha opinião, é errado e depois porque começou por comprar - com custos elevados - sem vender primeiro e isso "obrigou" os lisboetas a deixar sair no último dia de mercado um jogador fundamental na estratégia de Jesus e para o qual não têm substituto à altura - Javi Garcia. Será que, tendo em conta as várias opções do plantel, não teria sido mais importante comprar um trinco em vez do ponta de lança Lima? Só o futuro o dirá.

O SL Benfica ataca esta época com um plantel onde existe imensa qualidade - principalmente ofensiva - mas um desequilíbrio que a mim faz confusão. Não consigo perceber que se tenham gasto 20 milhões de euros em dois extremos sem que nenhum dos quatro que já existiam tenha saído - a ideia passava, possivelmente, por vender Gaitan o que não aconteceu. Ainda menos percebo esses movimentos de mercado quando não existe um único lateral esquerdo de raiz no plantel em quem o treinador confie - existe Luisinho mas já se percebeu que é opção secundária - e quando não existe um trinco à altura daquele que saiu - a não ser que Matic surpreenda. Os principais reforços do SL Benfica - Salvio, Ola John e Lima - são, sem dúvida, de altíssima qualidade, mas não preenchem as principais e evidentes lacunas do plantel, que neste início de época até já custaram pontos. Jorge Jesus está confiante na evolução de Melgarejo como lateral e na criação de um novo Coentrão. Até pode acontecer, mas a verdade é que o risco é enorme.

O SL Benfica prepara-se para atacar uma longa e cansativa época - são quatro competições - com apenas um lateral direito, apenas um lateral esquerdo de raiz, apenas um trinco e seis extremos e quatro avançados. Num plantel de 24 jogadores a equipa de Jorge Jesus tem apenas sete jogadores de características defensivas - seis defesas e um trinco - o que me parece muito pouco viável, ainda mais se tivermos em conta as características dos jogadores mais ofensivos dos encarnados e a forma como as equipas de Jorge Jesus costumam jogar.

Vamos ter uma vez mais um SL Benfica de imenso caudal ofensivo, mas que pode vir a ser prejudicado pelo desequilíbrio criado com a adaptação de Melgarejo a lateral e, principalmente, com a ausência de Javi Garcia no meio campo. O espanhol era uma peça fundamental no equilíbrio táctico da equipa da Luz. Seja como for, os encarnados são, a par do FC Porto, os mais sérios candidatos ao título nacional.



SC BRAGA:

O SC Braga foi, sem dúvida alguma, o principal prejudicado deste último dia de transferências, pois perdeu o seu principal elemento ofensivo - 26 golos marcados na época 2011/2012 - e ainda por cima para um rival na luta pelo titulo. Se é verdade que o SC Braga se reforçou bem para esta nova temporada no que a avançados diz respeito aquirindo os serviços do ex-estudante Éder - um dos avançados com mais qualidade da nossa liga - e recebendo do SL Benfica o ex-Paços de Ferreira Michel - um jogador muito promissor -  não é menos verdade que nenhum deles é Lima e que o SC Braga vai ter que se adaptar a uma nova referência ofensiva. De qualquer forma, e não escondendo que o SC Braga perdeu muito com a saída de Lima, parece-me que a equipa de José Peseiro está bem servida nesse sector - Éder; Michel; José Luiz; Yazalde e Carlão.

Com a saída de Leonardo Jardim para a Grécia e a entrada de José Peseiro, o SC Braga, obviamente, mudou a sua forma de estar em campo e o seu estilo de jogo. Pelo que se tem visto neste inÍcio de temporada, os jogadores parecem estar a assimilar bem as novas ideias e o futebol parece até mais fluido do que era no passado. Sinceramente, creio que a equipa do SC Braga joga agora um futebol de maior qualidade do que jogava na época anterior. Para isso contribui muito o trabalho do seu novo treinador mas também a qualidade do plantel que é maior a cada ano que passa.

O trabalho do SC Braga tem passado muito pelo aproveitamento de jogadores que os ditos "grandes" - para mim o SC Braga já é um - desperdiçam. Vejamos que dos principais jogadores do SC Braga, nove passaram ou foram formados no FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP - Beto; Quim; Nuno André Coelho; Custódio; Hugo Viana; Rúben Amorim; Rúben Micael; Hélder Barbosa e Alan - e a verdade é que só o SC Braga conseguiu tirar deles o maior rendimento.

O SC Braga voltou a reforçar-se bem e estão à vista, não só as exibições colectivas, mas também individuais de jogadores como Rúben Micael, Beto ou Ismaily e, para além disso, soube resistir às tentações de mercado e segurar jogadores importantes como Hugo Viana, Mossoró e Alan. Creio que o SC Braga tem tudo para fazer uma época ainda melhor do que a última e fico agora com curiosidade em saber como vai reagir a equipa à saída de Lima e como se vai adaptar a uma nova referência ofensiva. Se o conseguir fazer rapidamente, então teremos a promessa de um SC Braga de alta qualidade.



SPORTING CP:

A equipa leonina foi, das quatro candidatas ao título, a que mais mexeu no seu plantel contratando seis novos jogadores - Boulahrouz; Rojo; Pranjic; Labyad; Gelson Fernandes e Viola -, fazendo ainda regressar dois emprestados - Cédric e Adrien. Fechado o mercado de transferências conclui-se que o plantel leonino está bastante mais forte do que no ano passado apesar de ter perdido aquele que, para mim, era o mais talentoso jogador - Matias Fernandez. Este ano, o Sporting CP tem, finalmente, dois centrais que se complementam e se entendem, tem dois laterais que defendem e atacam com qualidade, tem muitas e boas opções no meio campo - só não concordo com a forma como Sá Pinto distribui os jogadores - tem extremos rápidos e desequilibradores, mas tal como no ano passado tem limitação de opções para a frente de ataque onde vai mais uma vez ficar dependente da inspiração e momento de forma do holandês Wolfswinkel.

Para além da remodelação do plantel, o Sporting aproveitou também para equilibrar as suas contas vendendo Matias Fernandez e João Pereira - parece muito bem substituido por Cédric - e livrando-se de alguns "pesos mortos o plantel - Onyewu; Rodriguez; Bojinov; Ribas e Luis Aguiar são exemplo disso. Os leões conseguiram assim reduzir despesas e ao mesmo tempo aumentar a qualidade do plantel o que é sempre bom sinal.

Ainda assim, ao longo do mercado de transferências, fiquei sempre com a ideia de que era obrigatório o Sporting CP comprasse um ponta e lança para concorrer com Wolfswinkel por um lugar no onze. É por isso que me fez uma certa confusão ver Pongolle rescindir e sair a custo zero para o Saint-Étiene. É verdade que a sua passagem por Alvalade não foi de todo famosa, mas um jogador que custou 6,5 milhões e euros e que tem algum mercado em França poderia ter tido uma oportunidade ou pelo menos ter sido fonte de alguma receita.

O Sporting CP versão 2012/2013 é muito mais bem composto e equilibrado do que os de anos anteriores e a falta de um outro ponta de lança é mesmo a sua maior lacuna. Por outro lado, vamos ver o que consegue um treinador jovem como Sá Pinto fazer com um equipa quase toda nova e ainda em fase de reconhecimento e adaptação. Os pontos perdidos na liga já são alguns e o tempo vai começar a apertar.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Um SC Braga milionário



UDINESE vs SC BRAGA (4-5 após g.p.)

Se nas duas primeiras jornadas do campeonato português, tinha ficado com a ideia de que o SC Braga era uma equipa cada mais adulta e experiente - tal como disse aqui e aqui - depois do jogo de hoje isso é para mim uma certeza. Neste jogo, o SC Braga mostrou ser verdadeiramente adulto enquanto equipa, mostrou que merecia vencer a eliminatória - foi claramente mais forte do que a Udinese - e voltou a fazer história, tal como havia feito há duas épocas atrás quando eliminou um favorito Sevilha.  

O jogo começou com a Udinese a mostrar-se à vontade em campo, segura e confiante - talvez por jogar em casa - e com um SC Braga bem organizado, bem estruturado e unido. No início, a partida esteve bastante equilibrada com ataques sucessivos de um lado e outro, e se a Udinese marcou primeiro por Armero - excelente golo aos 25 minutos - bem podia ter sido o SC Braga a fazê-lo - por exemplo, aos 8 minutos por Lima. O SC Braga não se conformou com o jogo e muito menos com o resultado e foi desde logo à procura de recuperar a desvantagem, mas fazia-o de forma demasiado nervosa permitindo aos italianos subir no terreno, pressionar e tentar fechar a eliminatória. Beto não o permitiu e com uma extraordinária defesa aos 42 minutos manteve o SC Braga em jogo. Logo de seguida o intervalo chegou e a partir daí só deu SC Braga.

Na segunda parte o SC Braga partiu para cima da equipa italiana e mostrou que a tarefa da Udinese não ia ser fácil. Aos 52 minutos, Hugo Viana, de livre directo, está muito perto de marcar o golo do empate, evitado pelo guarda redes Brkic que segura a vantagem italiana com uma enorme defesa. Pouco tempo depois, o guarda redes sérvio volta a estar à altura e a negar o golo da equipa portuguesa, desta vez ao parar um remate de Alan. 

A partir do minuto 60, O SC Braga tomou definitivamente conta do jogo com a entrada de Rúben Micael. Se até aí os portugueses já estavam por cima, com a entrada do madeirense, o SC Braga começou a dominar por completo o jogo a meio campo ganhando ainda um médio ofensivo que aparece muito bem nas zonas de finalização e não demorou muito para que os resultados se tornassem visíveis pois, aos 72 minutos, os minhotos chegam ao golo do empate pelo próprio Rúben Micael. O SC Braga dominava completamente o jogo e colocava alguma justiça no resultado que ainda assim parecia escasso. Até aos 90 minutos, os italianos limitaram-se a tentar parar o SC Braga.

Durante todo o prolongamento, a equipa de José Peseiro mostrou ser a mais forte, a mais bem preparada fisicamente e a mais adulta. Podia ter evitado o sofrimento das grandes penalidades num lance em que Lima chega atrasado a uma assistência perfeita de Rúben Micael. Foi por milímetros. Mais à frente, também Hugo Viana esteve perto de marcar, num livre que o guarda redes Brkic voltou a resolver bem. O apito final do prolongamento chegou com um sabor amargo na boca dos bracarenses que foram claramente superiores e mereciam ter acabado a eliminatória logo nos 90 minutos regulamentares.

Nos penáltis, o SC Braga foi mais forte - como em tudo no jogo - e para aqueles que continuam a defender que as grandes penalidades são uma lotaria, hoje volta-se a provar o contrário. As grandes penalidades também se treinam e são fruto de trabalho e talento. Maicosuel quis ser mais um Panenka - parece estar na moda - e Beto deixou-se ficar no centro da baliza para, sem dificuldade, segurar a bola e o acesso à champions league que ficou carimbado três remates depois por Rúben Micael - sem dúvida que merecia ser ele a marcar o penálti decisivo.

Nota positiva para o SC Braga que teve muita qualidade, soube ser paciente e acima de tudo reagir ao golo dos italianos. José Peseiro voltou a mostrar qualidades na forma como faz a equipa jogar e, apesar da grande exibição colectiva, Rúben Micael destacou-se como figura do jogo. Entrou para tomar conta do meio campo, fez jogar a equipa, marcou o golo do empate e no fim foi dele o remate que colocou um ponto final na eliminatória.

O SC Braga merece, por tudo o que tem feito ao longo dos últimos anos, estar na champions league e mostrou-o frente a uma Udinese que não é uma equipa qualquer. Basta ver que foi terceira classificada na liga italiana 2011/2012.

Na cidade de Braga a festa fez-se assim