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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Könige von Europa



Num ano em que a Alemanha manda na Europa a todos os níveis, o futebol não podia ser excepção e a final da Champions League 2012/2013 veio provar a supremacia de uma liga muitas vezes desvalorizada mas, na minha opinião, das mais interessantes do mundo. Uma final entre as duas principais equipas da Bundesliga estava longe de ser desejo dos senhores do futebol, mas se há coisa bonita que estes desporto tem, é precisamente essa de ir (muitas vezes) contra os interesses de quem vive à custa dele e faz dele o seu negócio. Ainda não foi desta que o senhor Platini teve direito ao seu Real Madrid CF vs FC Barcelona, mas como isto da Uefa Champions League não é o seu recreio privado, temos pena!

Desde o início da temporada que vi no FC Bayern Munchen uma equipa de enorme qualidade, defendendo sempre que os bávaros eram, sem sombra de dúvidas, um dos grandes favoritos à vitória final da prova e, já agora, que os seus adversários (Borussia Dortmund) poderiam ser uma das grandes surpresas... felizmente não me enganei, a final foi totalmente alemã e o vencedor foi talvez a equipa que mais merecia o triunfo nestes últimos anos. O crescimento da equipa da Baviera tem sido extraordinário. O colosso alemão foi a pouco e pouco reconquistando o seu espaço na Europa do futebol à custa de treinadores de enorme competência e de planteis construídos com régua e esquadro. Tal como defendi no inicio da temporada, se o FC Bayern Munchen já era uma equipa de enorme valor no ano passado (mesmo tendo perdido quase tudo), este ano era sem dúvida uma equipa ainda melhor. Não tenho reservas em afirmar que, mesmo não tendo um Ronaldo, um Messi ou um Iniesta, o campeão alemão é, nesta altura, a equipa da Europa mais bem apetrechada de talentos, mais homogénea,  mais equilibrada e consistente. Depois de alguns anos de reconstrução, depois de um crescimento sustentado e feito passo a passo, depois de três presenças em finais de Champions League nos últimos quatro anos, eis a afirmação do gigante alemão como rei da europa.

Este título europeu é também um prémio justo para um treinador de enorme qualidade e muitas vezes "injustiçado" no mundo do futebol. Jupp Heynckes soube criar uma equipa que joga com uma qualidade e um rigor impressionantes, soube criar um grupo coeso onde não faltam opções de grande valor, soube fazer evoluir os jogadores que tinha ao seu dispor e soube gerir os egos de tanto talento na perfeição (por vezes é mesmo a tarefa mais difícil). É certo que quando se conta com Ribéry, Robben, Muller, Mandzukic, Gomez ou Schweinsteiger a tarefa até pode parecer mais fácil, mas a história já provou que nem sempre é assim. O treinador alemão é um dos grandes obreiros deste novo FC Bayern Munchen e grande responsável pela enorme temporada da sua equipa. Estando a partir do final da época no "desemprego", parece-me que será um dos técnicos mais cobiçados do mercado europeu... bem merece! 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Regresso



De volta à escrita futebolística e ao meu "querido" blogue depois de bastante tempo ausente e sem inspiração... e haveria melhor dia para estar de volta do que o feriado (e que feriado) do 25 de Abril? Dificilmente...

Para melhorar ainda mais o timing deste meu regresso, estou de volta depois de uma extraordinária jornada da Champions League, uma primeira mão de meia final estrondosa que veio provar o poderio do futebol alemão e, de certa forma, dar-me razão quando há uns tempos defendi o FC Bayern Munchen como um dos mais fortes candidatos ao título europeu e o Borussia Dortmund como uma das equipas mais bem treinadas do mundo e com capacidade para ser a grande surpresa da prova. Sinceramente não estava à espera que o Real Madrid CF sofresse como sofreu (até porque as arbitragens não têm permitido tal coisa), mas a verdade é que os alemães meteram num bolso a equipa de Mourinho e humilharam por completo a companhia de estrelas que veste de branco... e para ser ainda mais saboroso, tudo isto aconteceu pouco tempo depois de verem o seu grande rival resgatar o título alemão e levar-lhes também o melhor jogador. A equipa de Jurgen Klopp ainda não está na final de Wembley mas estou a torcer para que assim seja (desculpem a sinceridade). O Borussia Dortmund depois do incrível crescimento dos últimos anos merece esse prémio, o futebol alemão, que apresenta uma das melhores ligas do mundo, merece esse reconhecimento e o treinador Jurgen Klopp merece estar onde estão os melhores. 

Na outra meia final, o FC Bayern Munchen limitou-se a mostrar o porquê de ser um dos grandes favoritos à conquista da prova. A equipa bávara apresenta um dos melhores planteis do futebol mundial, recheado de gente com garra e um inesgotável talento. Dá um enorme prazer ver esta equipa tão bem montada por Jupp Heynckes jogar. Apesar do adversário ser o FC Barcelona, que no seu Camp Nou é muito difícil de defrontar (o AC Milan que o diga), parece-me certo que o FC Bayern Munchen vai marcar presença na final da prova mais importante do futebol europeu pelo segundo ano consecutivo. Depois de no ano passado perder o troféu em casa para o Chelsea FC de Di Matteo, este ano, o já consagrado campeão alemão, tem a oportunidade de resgatar o tão desejado caneco na cidade do clube que há um ano atrás lho "roubou"... um pequeno pormenor que certamente não passa ao lado dos adeptos alemães. Já os catalães, por seu lado,  vão falhar uma final europeia pelo segundo ano consecutivo e, apesar de todas as atenuantes desta época, começam a mostrar que vivem um final de ciclo e precisam de uma enorme reciclagem. Nos últimos anos houve uma generalizada tendência de afirmar que o argentino Messi nunca seria o mesmo sem os seus "fieis escudeiros" do meio campo, mas este jogou veio mostrar uma realidade um pouco diferente pois a verdade é que sem Messi, ou com ele a meio gás, este Barcelona FC é (neste momento) uma equipa inacreditavelmente frágil e o seu futebol torna-se (apesar do enorme talento de gente como Xavi ou Iniesta) demasiado previsível e fácil de anular. 

Depois de tudo o resto, a Alemanha volta a dominar também o futebol europeu!

quarta-feira, 6 de março de 2013

UEFA: negócio ou futebol?


Imagem retirada do site: www.abola.pt
Em Old Trafford, o Manchester United FC sentiu na pele a importância e o peso que representa para a UEFA ter um dos grandes clubes espanhóis na final da Champions League. Depois do acidente da época passada que fez cair aos pés de Chelsea FC e FC Bayern Munchen os catalães e madrilenos respectivamente e, numa altura em que a equipa de Messi e companhia está com um pé fora da competição, era de um enorme prejuízo para a UEFA deixar cair também o campeão espanhol, correndo o risco de deixar Espanha sem qualquer representante nos quartos de final (Valência está praticamente eliminado e o Málaga FC em desvantagem). Pela lógica, e pelo que estava a acontecer dentro do campo, a derrota do Real Madrid CF seria mesmo o final mais previsível, mas num único segundo tudo muda e uma decisão que tem tanto de ridícula como suspeita (expulsão de Nani numa altura em que a sua equipa estava em vantagem) atirou borda fora os ingleses. 

Infelizmente, este tipo de coincidências vêm-se arrastando ao longo das últimas épocas sob o olhar atento e cúmplice do senhor anti-corrupção, esse exemplo de honestidade e integridade que dá pelo nome de Platini. O negócio ainda é o negócio, pelo que a presença de um clube de classe média numa final da Champions League (como aconteceu com o FC Porto em 2004 por exemplo) não passa de uma enorme ilusão!

Na próxima semana o AC Milan que se cuide porque, afinal de contas, a final de sonho do manda-chuva francês continua a ser - ele próprio o admitiu - o Real Madrid CF vs FC Barcelona!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Champions League: Resumo (Oitavos de Final)




1ª Semana

Na primeira semana dos Oitavos de Final da Champions League, os principais destaques foram o autêntico atropelamento da Juventus FC ao Celtic FC e o empate do Manchester United FC em pleno Santiago Bernabéu. A Vecchia Signora passeou pela Escócia e mostrou à Europa do futebol que o apuramento dos escoceses e, pior ainda, a vitória sobre o FC Barcelona, não tinham passado de um puro acidente. Os homens de Neil Lennon não têm - nem de perto nem de longe - estofo para a maior prova futebolística do mundo e, verdade seja dita, estar nos Oitavos de Final já é um enorme prémio - até o Rod Stewart chorou.

Em Madrid, a turma de Alex Ferguson pode ter dado um passo importante para arruinar de vez a época desportiva de José Mourinho, empatando 1-1 perante um favorito Real Madrid CF. Com uma postura extremamente mais defensiva do que é habitual, os ingleses foram capazes de travar os caminhos da baliza aos madrilenos e vão partir para a segunda mão com a ligeira vantagem de marcar fora de casa contudo, quando um jogo coloca frente a frente duas equipas tão poderosas e dois treinadores tão competentes tudo pode acontecer. Esperam-se 90 minutos de grande emoção em Old Trafford, local onde José Mourinho já foi extremamente feliz, curiosamente também nos Oitavos de Final da prova em 2003/2004.

Ainda em Espanha, o Valência CF recebeu o milionário Paris SG e saiu derrotado por 1-2. Os franceses mostraram que estão muito mais evoluídos como equipa -  quem os viu no Dragão e quem os vê agora - e que acertaram em cheio na contratação do brasileiro Lucas. Por sua vez, Ibrahimovic voltou aprovar que tem tanto de bom jogador como de falta de inteligência e, fruto de mais um disparate, acabou expulso perto do fim. Os espanhóis apresentaram um futebol pobre e tirando a muita garra e vontade - por vezes em excesso - pouco mais foram capazes de fazer, pelo que se prevê quase impossível a tarefa de dar a volta ao resultado e à eliminatória na cidade luz.

Um excelente resultado conseguiram os alemães do BV Borussia Dortmund na deslocação à Ucrânia onde defrontaram o perigoso FC Shakhtar Donetsk. A equipa de Jurgen Klopp deu um passo importante rumo aos Quartos de Final ao marcar dois golos fora e, mesmo não tendo vencido o jogo - mérito da equipa ucraniana - é o grande candidato a outsider da prova e pode surpreender muita gente. Os campeões em titulo da Bundesliga apresentam um futebol de grande qualidade e uma equipa extremamente sólida onde brilham jogadores como Kuba, Reus, Gotze e Lewandowski, comandados por um dos melhores treinadores da actualidade. Uma equipa a seguir com atenção. 


2ª semana:

Na segunda semana dos Oitavos de Final, o destaque vai, como não podia deixar de ser, para a derrota do FC Barcelona em Itália aos pés do AC Milan. Os catalães não conseguiram impor o seu futebol e inacreditavelmente Messi terminou o jogo sem conseguir um único remate à baliza de Abbiati. Os italianos foram justos vencedores, apresentaram um futebol consistente e souberam esperar o erro do adversário para matar o jogo, tendo agora todas as condições para trazer da Catalunha o tão desejado apuramento e fazer cair o principal candidato à vitória final. Mas atenção, pois do outro lado está o FC Barcelona e é bem possível que o Tiki-Taka faça estragos em Camp Nou.

Bem menos surpreendente, principalmente se tivermos em conta a qualidade das duas equipas, foi a vitória do FC Bayern Munchen na cidade de Londres sobre o Arsenal CF. A equipa de Arsene Wenger nunca foi capaz de contrariar o poderio alemão e saiu derrotada e praticamente afastada de mais uma competição oficial. Os alemães, que na época passada já eram uma excelente equipa - perderam na final com o Chelsea FC -, são hoje em dia um conjunto quase perfeito, construído de forma criteriosa por um treinador de enorme experiência. Nesta época, o FC Bayern Munchen é, ainda mais do que no passado, um dos grandes candidatos ao título - a par dos dois grandes clubes espanhóis.

No Estádio do Dragão, o único representante português ainda em prova dominou por completo o estreante Málaga CF. Os espanhóis viajaram para Portugal como a grande sensação da primeira fase - venceram o grupo à frente de AC Milan, Zenit e Anderlecht - e como a defesa menos batida da prova, mas cedo se percebeu que não seriam capazes de praticar o futebol que tantos elogios lhes valeu noutros jogos - mérito do FC Porto que foi extremamente pressionante. No final, o resultado acaba por ser simpático para a equipa de Pellegrini pois, tendo em conta o caudal ofensivo dos portugueses, a eliminatória poderia perfeitamente ter ficado fechada. Em Málaga, o jogo será com certeza diferente mas a equipa da Andaluzia precisa de fazer muito mais para quebrar a consistência e qualidade do campeão português.

Na Turquia jogou-se o menos entusiasmante de todos os jogos desta fase da prova. Apesar do excelente naipe de jogadores, reforçado agora com a enorme qualidade de Sneijder e Drogba, o Galatasaray Sk não conseguiu levar de vencida os alemães do FC Schalke 04 que, fruto de um golo marcado fora, vão mesmo em vantagem para o jogo da segunda mão. A equipa turca continua a mostrar-se pouco consistente e colectiva, o que nesta fase da prova, mesmo estando a jogar contra um adversário teoricamente acessível pode custar bastante caro. Por sua vez, os alemães, mesmo não deslumbrando e apresentando um futebol frio e quase cínico, mostraram-se muito mais fortes colectivamente e, acima de tudo, mais preparados para disputar a próxima eliminatória da prova. 

Champions League: Resultados (Oitavos de Final)




1ª MÃO:


CELTIC FC vs JUVENTUS FC (0-3)  ver resumo


VALÊNCIA CF vs PARIS SG (1-2)  ver resumo



REAL MADRID CF vs MANCHESTER UNITED FC (1-1)  ver resumo



FC SHAKHTAR DONETSK vs BV BORUSSIA DORTMUND (2-2)  ver resumo



FC PORTO vs MÁLAGA CF (1-0)  ver resumo



ARSENAL CF vs FC BAYERN MUNCHEN (1-3)  ver resumo



AC MILAN vs FC BARCELONA (2-0)  ver resumo



GALATASARAY SK vs FC SCHALKE 04 (1-1)  ver resumo



Melhores Marcadores:

1º - Burak Yilmaz (Galatasaray SK) - 7 golos
2º - Cristiano Ronaldo (Real Madrid CF) - 7 golos
3º - Oscar (Chelsea FC) - 5 golos

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ópera do trabalhador



FC PORTO vs MÁLAGA CF (1-0)

No regresso aos jogos da Champions League, o FC Porto de Vítor Pereira brindou os espectadores presente no Estádio do Dragão - e os muitos milhares que acompanharam o jogo pela televisão - com uma exibição de grande qualidade, cheia de segurança e inteligência. Foi com um futebol maduro, pressionante - por vezes sufocante - e de posse que o campeão português encostou o surpreendente Málaga CF às cordas e dominou a seu belo prazer - a equipa espanhola não teve nenhuma oportunidade de golo e apenas rematou por uma vez. 

Faltaram mais golos para colorir ainda mais - de azul pois claro - esta bela exibição portista. O único da partida, marcado pelo "enorme" João Moutinho - em posição irregular é certo - soube a pouco... soube a muito pouco tal foi a supremacia portuguesa e deixou os adeptos da casa a pensar que, apesar de defrontarem a defesa menos batida da Champions League, na verdade poderiam ter sido muitos mais. A eliminatória teve tudo para ficar praticamente resolvida em território português mas quis o "destino" - ou alguma falta de sorte e eficácia - que a disputa por um lugar nos quartos de final da prova ficasse em aberto até daqui a mais ou menos um mês, altura em que os dragões viajam à bela Andaluzia com o objectivo de garantir o apuramento. Espera-se, por isso, uma exibição tão positiva e cheia de garra e vontade como esta.  O Málaga CF é uma equipa de qualidade, foi a sensação desta Champions League - em ano de estreia - e defende de forma competente e organizada - sofreu hoje o sexto golo na competição - mas, verdade seja dita, o FC Porto provou ter todas as condições para ultrapassar este adversário, esperar alguma felicidade no próximo sorteio e, quem sabe, piscar um olho às meias-finais. Seja como for, uma passagem à próxima eliminatória seria já sinónimo de uma excelente prestação europeia e de um objectivo desportivo e financeiro alcançado com sucesso.

Destaques:

João Moutinho - Mais uma grande exibição do pequeno "Grande" João que encheu o meio campo dos azuis e brancos, foi fundamental na recuperação de bola e na forma como a soube conduzir para o ataque. Jogou, fez jogar e na hora da verdade não falhou, marcando à ponta de lança o golo que dá vantagem ao FC Porto na eliminatória. Uma enorme exibição de um jogador que não se cansa de trabalhar.

Alex Sandro - O brasileiro é cada vez mais um caso sério no futebol - certamente um dos 3 melhores laterais esquerdos do mundo. Hoje voltou a fazer uma exibição de encher o olho. Secou o espanhol Joaquin e trocou de tal maneira as voltas aos adversários de cada vez que subia no terreno que obrigou Pellegrini a lançar Portillo com o intuito de o travar. Um jogo quase perfeito que culminou com a fabulosa jogada do golo portista. A forma como recupera a bola e a conduz até ao passe final para João Moutinho marcar é simplesmente deliciosa.

Izmaylov - O médio russo que estava encostado no Sporting CP e que supostamente estava fisicamente inapto para a modalidade - não seria tanto mas quase -, aparece agora no FC Porto a mostrar que ainda tem muito para dar. Para já vai dando qualidade ao futebol azul e branco e, verdade seja dita, tem dado uma resposta extremamente positiva a quem apostou nele. Hoje voltou a fazer um bom jogo, com inteligência táctica, ocupando bem os espaços, abrindo linhas de passe e mostrando-se bastante rematador, o que é mais um sinal da crescente confiança com que encara os jogos.     

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sair sem brilho e sem €



SC BRAGA vs GALATASARAY (1-2)

No estádio AXA jogava-se a despedida do SC Braga europeu época 2012/2013. Frente a um adversário que ainda aspirava ao apuramento - e conseguiu-o - os minhotos jogavam pelo prestigio, pelo seu "bom nome" e por mais 1 milhão de euros em caixa, que nos tempos que correm dão muito jeito. No final da partida, o apuramento, os 3 pontos e o Milhão de euros viajaram com o Galatasaray para a Turquia. O SC Braga abandona as competições europeias de cabeça baixa e de mãos a abanar - no que ao último jogo diz respeito.

A equipa de José Peseiro foi a que melhor entrou e percebeu o jogo. Jogando com velocidade e com a inteligência de jogadores como Alan e Mossoró, foi amarrando o Galatasaray num teia da qual os turcos não conseguiam sair. A praticar um futebol atrativo e consistente o SC Braga chegou ao merecido golo por intermédio do seu melhor jogador em campo - Mossoró. Num belo momento de inteligência e técnica, o número oito deu à sua equipa a merecida vantagem. Antes, já o brasileiro tinha servido de bandeja Éder e o compatriota Paulo Vinicious, mas estes desperdiçaram duas belas oportunidades de colocar os bracarenses em vantagem. Até ao intervalo e, com a excepção de um lance em que Quim foi obrigado a uma defesa difícil, o SC Braga continuou a dominar o jogo e a criar lances suficientemente perigosos para merecer uma vantagem maior. Alan, já perto do intervalo, falhou a derradeira oportunidade de matar o jogo. O árbitro deu por terminada a primeira parte e, a partir daqui, o jogo nunca mais iria ser o mesmo. 

Depois de uma primeira parte completamente dominada pelo SC Braga, coube ao Galatasaray assumir as despesas do segundo tempo. Os turcos a precisar, e de que maneira, da vitória em Braga, até porque o CFR Cluj ia vencendo surpreendentemente em Old Traford, fizeram pelo vida e foram atrás de um jogo no qual ainda não tinham conseguido entrar. A segunda parte no Estádio AXA foi bem mais repartida do que a primeira, com ligeiro ascendente da equipa visitante, que se mostrou bem mais certeira na finalização do que aquilo que o SC Braga tinha conseguido ser. A verdade é que enquanto os portugueses falharam inúmeras oportunidades de golo - principalmente no primeiro tempo -, os turcos em apenas três grandes momentos marcaram por duas vezes, e a terceira só não entrou porque o poste fez o papel de Quim. Num jogo que tinha tudo para ser uma despedida sorridente do SC Braga, a falta de capacidade defensiva e o nervosismo acumulado a cada lance perdido ou falhado traíram a equipa da casa, que acabou por permitir mais uma reviravolta no marcador, fechando as competições europeias sem um único ponto conquistado em casa. 

O SC Braga despediu-se sem glória das competições europeias e viu os seus adeptos despedirem-se da equipa com um enorme coro de assobios e do treinador José Peseiro com uma enorme mancha de lenços brancos acenados ao vento. No espaço de uma semana, o treinador português volta a sentir os dois lados da paixão futebolística dos adeptos. Se na sexta feira foi elevado a herói ao eliminar o FC Porto da taça de Portugal, na noite de ontem foi novamente apontado como principal culpado de mais uma derrota e, acima de tudo, da saída inglória e cabisbaixa da Champions League. Tudo isto no espaço de cinco dias. No futebol, passar de bestial a besta ainda é demasiado fácil!

Católicos traíram Jesus



FC BARCELONA vs SL BENFICA (0-0)

Estava tudo reunido para que o SL Benfica conseguisse o apuramento para os oitavos de final da Champions League. Apesar da difícil tarefa que é jogar na Catalunha, fica bem mais fácil quando a equipa da casa se apresenta com apenas um habitual titular e com cinco jogadores da equipa B e, mais ainda, quando a estrela da companhia - Leonel Messi - se lesiona 25 minutos depois de entrar. Ao SL Benfica pedia-se que jogasse bem, com cabeça, com garra e, acima de tudo, fosse eficaz - e isso é tão importante nesta competição. Os homens de Jorge Jesus foram capazes - principalmente na primeira parte - de fazer quase tudo isso, mas na hora de atirar à baliza o desperdício foi demasiado. Uns podem-lhe chamar azar, mas a meu ver os portugueses apenas se podem queixar de si próprios. Afinal de contas, haverá melhor sorte do que apanhar este FC Barcelona em plena Champions League?

Enquanto as forças duraram e os homens do FC Barcelona corriam desnorteados pelo campo, tentando imitar o "tiki taka" que os habituais titulares fazem de olhos fechados e na perfeição, o SL Benfica conseguiu impor o seu jogo, pressionar bem alto, aproveitar a velocidade dos seus alas e criar verdadeiros calafrios aos adeptos catalães. Durante o primeiro tempo foram inúmeras as oportunidades de golo que os portugueses desperdiçaram. Quando não foi Pinto e o poste a negar o golo aos encarnados, foi a falta de pontaria a trair a equipa da Luz. O FC Barcelona pouco ou nada incomodava Artur e se os portugueses chegassem ao intervalo a vencer, seria certamente um prémio justo para quem tanto trabalhou e um castigo para quem olhou de forma tão sobranceira a qualidade do adversário. É verdade que a "cantera" do FC Barcelona é excelente e de lá saíram alguns dos maiores talentos do futebol mundial, mas jogar com uma equipa construída  desta forma num jogo da Champions League é um autêntico suicídio. Os catalães deram todos os brindes e mais alguns, o SL Benfica não aproveitou. 

Na segunda parte, mesmo não fazendo uma boa exibição, a equipa Catalã equilibrou a pouco e pouco o jogo, conseguindo impor o ritmo que lhe interessava. A culpa, ou pelo menos a grande parte dela, foi a quebra física dos jogadores do SL Benfica. Ola John, que tão bem tinha estado no primeiro tempo, tornou-se menos explosivo e mais previsível, Nolito tornou-se um jogador faltoso e, lá na frente, Lima e Rodrigo iam desaparecendo. Tornava-se confortável para os catalães trocar a bola no meio campo e, em determinados momentos, explorar a velocidade de Tello que, aproveitando a pouca ajuda de Ola John nos momentos defensivos, ia fazendo a cabeça de Maxi Pereira em água. Jorge Jesus sentiu um FC Barcelona bem mais perigoso e viu-se obrigado a mexer, mas não o fez da melhor forma. Se tirar Nolito era quase óbvio, colocar Bruno Cesar no seu lugar deixando Gaitan sentado no banco não lembra mesmo a ninguém. Os encarnados continuaram lentos nas alas e, pior ainda, perderam a raça nos momentos defensivos. Já com Messi em campo, a história prometia complicar-se um pouco mais. E na verdade, no pouco tempo que esteve em campo, o argentino criou a melhor situação de golo da segunda parte. Falhou - enorme intervenção de Artur - e saiu lesionado, nascendo nova esperança para os portugueses que enfrentariam o resto do jogo com um homem a mais. 

Nos últimos minutos do jogo e, certamente, com o conhecimento do resultado que o Celtic Glasgow ia conseguindo em casa - os escoceses venciam 2-1 - o jogo do SL Benfica foi feito muito mais com o coração do que com a cabeça. Nesta fase do jogo, em que era necessário dar o tudo por tudo para chegar ao golo, até porque tendo em conta as circunstâncias, empatar ou perder ia dar rigorosamente ao mesmo - Europa League - pedia-se mais cabeça, mais concentração e uma muito melhor capacidade de aproveitar o espaço que os catalães permitiam. A jogar com um homem a mais o SL Benfica nunca foi capaz de pegar no jogo e de se instalar com perigo perto da baliza de Pinto, conseguindo apenas no último lance da partida estar novamente perto do golo e partir o coração de milhões de adeptos. Primeiro Cardozo e depois Maxi deveriam ter feito muito melhor. O SL Benfica não foi além do empate no Camp Nou o que, tendo em conta a vitória dos escoceses em casa, deixa os encarnados no terceiro lugar do grupo. Pelo jogo que fez, pelo espirito que demonstrou e até pelas oportunidades que criou o SL Benfica podia ter conseguido mais do que um empate na Catalunha, mas quem não aproveita tamanha oportunidade para o fazer, só se pode queixar de si. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Não houve tango em Paris



PARIS SG vs FC PORTO (2-1)

À última jornada do grupo A da Champions League 2012/2013 o FC Porto conheceu pela primeira vez o sabor da derrota, caindo para o segundo lugar e sujeitando-se a defrontar nos oitavos de final da prova um dos primeiros classificados - tendo em conta as classificação dos vários grupos até poderá nem ser mau. 

O jogo de Paris começou com a equipa da casa a toda a velocidade. Muita pressão, muita velocidade e uma qualidade técnica fabulosa só ao alcance de alguns jogadores - Ibrahimovic, Pastore e Lavezzi por exemplo - e muito poucas contas bancárias. Com o FC Porto bem organizado defensivamente - este foi mesmo o sector mais forte da equipa - mas sem conseguir criar jogo ofensivo, fruto de um meio campo muito preso de movimentos, os franceses rondavam a baliza de Helton sem o sucesso desejado. O FC Porto sacudia o perigo da forma que podia, mas não mostrava lucidez na hora de atacar. James raramente se destacava pois estava a ser bem marcado, Varela nunca apareceu no jogo e o colombiano Jackson era um homem só na frente de ataque azul e branca. Não espantou por isso que o entusiasmo dos homens da cidade luz fosse crescendo a cada minuto, sempre na esperança que o talento dos seus craques pagos a peso de ouro fizesse o resto, o golo. Ao 29 minutos e, verdade seja dita, numa fase em que os portugueses até ja tinham equilibrado o jogo, conseguindo segurar a posse de bola e partir para o ataque com cabeça e convicção, o Paris SG chega à vantagem por intermédio de Thiago Silva, que nas alturas ganhou de cabeça a Danilo. O FC Porto via-se em desvantagem - algo inédito nesta Champions League - mas não tremeu e em pouco tempo voltou a repor a igualdade. Uma assistência perfeita de Danilo e Jackson Martinez, de cabeça, colocou o resultado em 1-1 quando apenas tinham passado 4 minutos desde o golo francês. Até ao intervalo, o jogo foi disputado a um bom ritmo, com enorme equilíbrio entre as duas equipas, mas sem grandes oportunidades de golo. 

Tal como na primeira parte, os franceses regressaram do intervalo com muita força e vontade de chegar à vantagem, mas quem esperava um continuar do grande jogo que foram os primeiros 45 minutos, saiu tremendamente desiludido. Depois de 5 minutos a bom ritmo, a qualidade do jogo começou a cair a pique e aquilo que havia sido um jogo frenético estava agora transformado num jogo aborrecido. Esta toada sonolenta durou até ao minuto 61, altura em que Helton - talvez adormecido pelo tédio do jogo - deixou entrar na sua baliza uma bola de defesa fácil. Sem que nada o fizesse prever, um monumental frango de Helton - que em tantos momentos já salvou o FC Porto - colocou novamente os franceses em vantagem e voltou a dar uma sapatada no jogo. Tal como no primeiro tempo, o FC Porto reagiu de imediato ao golo e foi à procura do empate. Desta vez não houve Cha Cha Cha - Jackson falhou na cara de Sirigu o empate -, o Tango também não esteve afinado - Lucho falhou na recarga de baliza aberta - e o resultado não se alterou. 

Com o resultado desfavorável, Vítor Pereira demorou uma eternidade a mexer na equipa. A troca de Fernando por Defour era obrigatória uma vez que o brasileiro não estava em bom estado, mas depois de estar a perder e a precisar de um golo mexer na equipa apenas aos 85 minutos é algo que me ultrapassa. Atsu deveria ter entrado em jogo muito mais cedo - Varela não existiu desde o início - e a desesperada tentativa de jogar em 3-4-3, juntando Abdoulaye a Otamendi e Mangala foi tão tardia que não chegou a ter qualquer efeito. Apesar do Paris SG ser uma equipa de enorme valia financeira e ter no seu plantel jogadores tecnicamente fabulosos, a verdade é que colectivamente o FC Porto não é inferior aos franceses - isso ficou provado no jogo do Dragão - e, por isso mesmo, esperava-se muito mais da equipa de Vítor Pereira. Afinal, todas aquelas absurdas poupanças de Braga foram para quê?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Champions league: Resultados




GRUPO A









FC PORTO vs DINAMO ZAGREB (3-0)

DYNAMO KYIV vs PARIS SG (0-2)


GRUPO B










SCHALKE 04 vs OLYMPIACOS (1-0)

ARSENAL FC vs MONTPELLIER HSC (2-0)


GRUPO C








FK ZENIT vs MÁLAGA CF (2-2)

RSC ANDERLECHT vs AC MILAN (1-3)


GRUPO D








MANCHESTER CITY vs REAL MADRID CF (1-1)

AJAX vs BORUSSIA DORTMUND (1-4)


GRUPO E








JUVENTUS vs CHELSEA FC (3-0)

NORDSJAELLAND vs SHAKHTAR DONETSK (2-5)


GRUPO F








BATE BORISOV vs LILLE OSC (0-2)

VALENCIA CF vs BAYERN MUNCHEN (1-1)


GRUPO G








SPARTAK MOSKVA vs FC BARCELONA (0-3)

SL BENFICA vs CELTIC GLASGOW (2-1)


GRUPO H








GALATASARAY vs MANCHESTER UNITED (1-0)

CFR CLUJ vs SC BRAGA (3-1)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Não foi preciso carregar muito



FC PORTO vs DINAMO ZAGREB (3-0)

Depois de algumas tarefas bem mais complicadas, o FC Porto recebia uma equipa teoricamente frágil e demasiado limitada para fazer frente ao poder de fogo dos dragões. Seja como for, o treinador Vítor Pereira não foi em cantigas e, dos habituais titulares, apenas os recém regressados de lesão Fernando e Alex Sandro e o ainda lesionado Maicon, ficaram fora do jogo - os dois primeiros no banco e o último na bancada. O treinador portista deixava a mensagem de que queria uma equipa séria, forte e a dar espectáculo.

Verdade seja dita que na primeira parte o espectáculo foi lento. O FC Porto, apesar de dois sustos, percebeu que não precisava de correr e pressionar muito para ultrapassar sem dificuldades a equipa Croata. Assim, foi trocando os olhos ao adversário com o habitual carrossel do meio campo. Com uma circulação quase sempre acertada e, aqui e ali, abrilhantada com alguns momentos de classe, os portistas foram esgotando o seu adversário a todos os níveis. Num desses momentos de classe a equipa de Vítor Pereira chegou mesmo ao golo, por autoria do seu capitão - Lucho Gonzalez -, alcançando uma vantagem que obviamente não mais iria largar.

Saído para intervalo com um resultado positivo e a promessa do primeiro lugar - sem esquecer 1 milhão de euros pela vitória -, faltava ao campeão nacional trazer para o jogo mais agressividade e velocidade para, quem sabe, conseguir um resultado histórico. A segunda parte, uma vez mais dominada - sem espanto - pela equipa portuguesa, foi bem mais agradável de ver. Com o meio campo do FC Porto bastante inspirado - Lucho e Moutinho estão em grande forma - os croatas foram condenados a ver jogar. Nestes segundos 45 minutos o FC Porto chegou ao golo por duas vezes - Moutinho e Varela - mas, verdade seja dita, os golos poderiam ter sido mais, não fosse alguma falta de eficácia na hora de rematar.

No final, o resultado de 3-0 aceita-se perfeitamente. O FC Porto venceu sem qualquer dificuldade, num jogo em que foi claramente superior. Destaque para mais uma grande exibição de Moutinho coroada com um golo de belo efeito. Os portistas continuam no primeiro lugar do grupo e discutirão o topo da classificação em Paris. Para já fica a garantia de mais três pontos - o FC Porto já é a equipa com mais pontos conquistados na Champions League 2012/2013 - e 1 milhão de euros em caixa. Excelente percurso europeu da equipa de Vítor Pereira.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Triste adeus



CFR CLUJ vs SC BRAGA (3-1)

A derrota do SC Braga na Roménia colocou a equipa de José Peseiro fora das competições europeias, transformando toda esta caminhada numa enorme desilusão. Os minhotos não podem olhar para si próprios e ver a equipa mais fraca do grupo, pois claramente não o são. Nem CFR Cluj nem Galatasaray são equipas superiores ao SC Braga e, por isso mesmo, pedia-se muito mais a esta equipa. O último lugar não espelha, nem de longe nem de perto, a qualidade destes jogadores.

O jogo da Roménia voltou a mostrar um SC Braga irreconhecível. Uma equipa errada nos seus processos, sem fio de jogo, sem sentido colectivo - principalmente a defender - e pior ainda, uma equipa muito mal preparada para o adversário que ia enfrentar. É estranho e imperdoável, que a equipa do SC Braga perca duas vezes contra o mesmo adversário - de qualidade inferior aos minhotos - cometendo os mesmos erros e expondo-se desta forma ao contra ataque dos romenos. Aqui a nota negativa só pode ir para José Peseiro e aquilo que é, a meu ver, uma má preparação do jogo. Ao contrário dos minhotos, o CFR Cluj de Paulo Sérgio mostrou ter o SC Braga bem estudado, percebendo a forma de jogar da equipa e sabendo onde estavam os elementos chave a anular. Muito mérito dos romenos na forma como venceram a partida.

Se a ideia do SC Braga era entrar no jogo para ganhar - tinha que o fazer -, bem cedo se percebeu que tudo iria sair ao contrário. O CFR Cluj apresentava uma linha defensiva muito sólida e bem dura e lá na frente colocava dois homens de grande mobilidade - Rafael Bastos e Rui Pedro - acrescentando-lhes um rapidíssimo Sougou. Inacreditavelmente, até porque todos estes jogadores passaram muito tempo no campeonato português, os minhotos pareceram surpreendidos com esta forma de jogar e, pior ainda, mostraram que não vinham preparados para lhe fazer frente. Foi nesta constante luta desequilibrada entre uma perdida defesa do SC Braga e um inteligente e eficaz ataque do CFR Cluj, que Rui Pedro construiu a sua noite de ouro - negra para os de Braga - em pouco mais de 30 minutos. O avançado, que passou pelo futebol português sem grande destaque, fez um hat trick na maior prova do futebol mundial. Para ajudar à festa e como se 3 golos sofridos não fossem o suficiente, o central Douglão teve a irreflectida e infeliz ideia de agredir um adversário, deixando a sua equipa a jogar apenas com dez unidades. Aqui morreu o SC Braga europeu. Pelo meio de tanta desgraça, o brasileiro Alan ainda foi capaz de marcar um golo, que para os minhotos não foi mais do que uma amarga consolação.

Depois de arrumar com todas as hipóteses que tinha nos primeiros 45 minutos, restava ao SC Braga subir ao relvado na segunda parte para, pelo menos, se redimir da má imagem deixada. Mas a tarefa era extremamente complicada. O SC Braga jogava apenas com dez e tinha pela frente um adversário motivado e um público eufórico com a exibição, com o resultado e com a real possibilidade de ver os romenos nos oitavos de final da prova. Durante os segundos 45 minutos o CFR Cluj continuou a ser superior ao SC Braga e a mandar completamente no jogo. Soube gerir os tempos, o ritmo e principalmente o cansaço - seu e do adversário - escolhendo criteriosamente os momentos certos para atacar. Até ao final da partida o marcador não sofreu qualquer alteração mas, verdade seja dita, bem podia ter acontecido não fosse a eficácia de Beto e a ajuda dos postes da sua baliza - por duas vezes negaram o golo a Camora.

No final, fica a enorme desilusão de ver um SC Braga bem reforçado e repleto de bons jogadores ficar fora das competições europeias. Agora que os minhotos estão fora, esperemos que os romenos do CFR Cluj avancem para os oitavos de final. Afinal de contas são uma das equipas mais "portuguesas" da Champions League. 

Olá esperança



SL BENFICA vs CELTIC GLASGOW (2-1)

Um jogo muito bem conseguido e dois golos - Ola John e Garay - que poderiam ter sido muitos mais, mantêm o SL Benfica no sonho do apuramento e, tal como o próprio treinador admite, garantem o segundo objectivo europeu da época: pelo menos a Europa League já não foge. 

Aquilo que o SL Benfica fez no estádio da luz ao longo dos 90 minutos de jogo, assim como aquilo que o Celtic Glasgow não fez - não sei se por não saber ou não querer mas estes escoceses fora de casa são irreconhecíveis - mostrou bem a realidade deste grupo. Apesar da classificação actual e seja qual for o duo de apurados, não me restam dúvidas nenhumas de que os encarnados são a segunda melhor equipa. O problema foi começar a mostra-lo demasiado tarde e a este nível isso paga-se. Na minha opinião - e já o digo desde essa altura - o jogo que "tramou" a equipa de Jorge Jesus não foi a surpreendente vitória dos escoceses na recepção ao FC Barcelona, mas sim a vitória dos mesmos escoceses na visita à Rússia. Nessa altura, parecia-me que o Celtic Glasgow iria ser o verdadeiro rival dos portugueses. Assim foi!

A verdade é que entre portugueses e escoceses, se já havia ficado a ideia - na altura do jogo da Escócia - que o SL Benfica era muito superior, ontem foram retiradas todas as dúvidas. A precisar de vencer para manter a esperança, os encarnados entraram em jogo motivados e com vontade de resolver a partida rapidamente. Com Ola John e Salvio a emprestar muita velocidade e irreverência às alas, a equipa de Jorge Jesus criava perigo lance após lance. Não espantou que logo aos 7 minutos o holandês inaugurasse o marcador, num lance pleno de oportunidade. Com o golo, o SL Benfica cresceu ainda mais e os escoceses que até então estavam remetidos à sua defesa, por lá continuaram explorando a única coisa em que são realmente perigosos, as bolas paradas. É precisamente num lance de bola parada que o gigante Samaras, contra a corrente do jogo, empata a partida - muitas culpas para Artur - e leva a sua equipa para intervalo com um injusto ponto no bolso.

Se o SL Benfica tinha entrado em jogo com vontade de mostrar a sua supremacia e tinha sentido na boca o amargo de um empate injusto, voltou a mostrar no início do segundo tempo a determinação necessária para levar de vencida os escoceses. Estes, por sua vez, voltaram a confiar na sorte que os tem protegido para levar da Luz o apuramento. Os encarnados fizeram por não deixar e lançaram-se para uma segunda parte de absoluto domínio e constante assalto à baliza de Forster - grande exibição - que ia segurando o empate conforme podia. Mas nem mesmo a grande exibição do guarda-redes inglês foi capaz de "roubar" pontos à equipa portuguesa e, depois de muito insistir - e merecer - o golo do argentino Garay - um grande jogador a merecer destaque - ao 70 minutos de jogo colocou o SL Benfica na frente do marcador, fazendo renascer a esperança da qualificação e dos milhões que esse feito representa.

O SL Benfica foi sempre superior aos escoceses e tirando os lances de bola parada, só mesmo nos últimos minutos, com os encarnados mais recuados, é que o Celtic Glasgow conseguiu ter espaço e vontade para criar relativo perigo. Seja como for, nunca esteve verdadeiramente perto do empate e o resultado final acaba por ser justíssimo para a equipa de Jorge Jesus. O SL Benfica parte agora para a última jornada com a difícil tarefa de fazer em Barcelona - contra a melhor equipa do mundo - o mesmo resultado que os escoceses forem capazes de fazer em casa frente ao frágil Spartak Moskva. Depois de duas belas exibições em casa, esperemos que o acordar do SL Benfica europeu não tenha surgido tarde demais. Caso contrário resta a Europa League, o que seria uma enorme desilusão!