terça-feira, 4 de setembro de 2012

Dirigismo de alto nível!

Hoje em dia, qualquer coisa serve de desculpa para os principais clubes do nosso país e seus dirigentes se enxovalharem em praça pública. Depois da vergonhosa troca de insultos pessoais entre Luís Filipe Vieira e Jorge Nuno Pinto da Costa, desta vez a "discussão" anda em torno das transferências de Hulk e Witsel.
Na noite de ontem, o vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica - Rui Gomes da Sila - pediu em directo na televisão que fossem tornados públicos os valores da transferência de Hulk para a Rússia, levantando suspeitas sobre o negócio e insinuando falta de transparência por parte dos dirigentes portistas. Hoje, foi a vez do Futebol Clube do Porto responder em forma de comunicado e fazer questão de levantar também suspeitas acerca dos valores apresentados pelo clube da Luz em relação à transferência do belga Witsel, colocando ainda em causa a credibilidade do vice-presidente dos benfiquistas.
Os dois maiores representantes futebolísticos do nosso país insistem neste comportamento ridículo, mesquinho e acima de tudo perigoso se tivermos em conta a "guerra" que se vive a cada jogo entre os dois clubes. Até quando vamos continuar a assistir a esta pouca vergonha?
Por muito bom que seja o futebol cá do burgo, é impossivel resistir a tamanha imbecilidade dos seus dirigentes!

from Russia with 100M



Estão confirmadas as transferências de Hulk e Witsel para o Zenit por 60 e 40 milhões respectivamente. Surpreendentes ou não, estes negócios devem ser analisados sobre três perspectivas diferentes: O clube, a liga e os próprios jogadores.
Para os clubes que vendem Hulk e Witsel, os negócios são, sem dúvida, uma mais valia financeira, mas ao mesmo tempo são uma enorme perda desportiva, principalmente quando se fazem numa fase em que o mercado nacional já se encontra fechado. Vai ser muito complicado - para não dizer impossível - a qualquer um destes clubes substituir os jogadores vendidos por jogadores que já existam no plantel.
Para a liga portuguesa, a perda dos seus dois melhores jogadores para um campeonato como o russo é, sem dúvida alguma, um mau sintoma. O campeonato português parece já não conseguir a preferência dos grandes jogadores. Se me parece normal a preferência por campeonatos como o inglês, o espanhol, o italiano e até o alemão, já a preferência pelo campeonato russo é algo que me surpreende e ultrapassa.
No que aos jogadores diz respeito, parece-me que Hulk e Witsel, apesar das suas enormes qualidades desportivas, têm uma gritante falta de ambição desportiva. Qualquer um dos dois poderia jogar num Real Madrid, num FC Barcelona ou num Manchester United, mas quando trocam clubes como FC Porto e SL Benfica por um Zenit só vejo uma vantagem nessa sua escolha: dinheiro. E quando assim é, está tudo dito sobre o futebol modeno.
Por fim, apenas um pequeno apontamento em relação às "preocupações" da UEFA com o fair play financeiro. O Zenit dá-se ao luxo de num único dia gastar 100 milhões de euros em apenas dois jogadores quando não produz receita para este tipo de orçamento - nem nada que se pareça. O dinheiro que, movido a gás ou a petróleo cai dos bolsos desta gente estranha está a tomar conta do futebol e, apesar da conversa da treta do senhor Platini - como eu disse aqui -, a UEFA está a permitir que isso seja possível. No mínimo lamentável!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Vezes três


SL BENFICA vs CD NACIONAL (3-0)


Tal como no jogo do estádio do Algarve, também este foi um jogo de duas partes distintas. O SL Benfica entrou em campo no seu primeiro jogo sem Javi Garcia a jogar com o belga Witsel na posição mais recuada, o que mostra a pouca confiança de Jorge Jesus em Matic, jogador que chegou ao SL Bnfica envolvido no negócio Ramires e poucas vezes foi utilizado. Jogar com Witsel no lugar de Javi Garcia trouxe um grande problema ao SL Benfica. Com o belga a jogar na posição 6, não se ganha um Javi Garcia e, pior ainda, perde-se um Witsel que é fundamental para os benfiquistas a jogar na sua posição.
A primeira parte fica marcada pela superioridade do CD Nacional. O SL Benfica não se conseguiu nunca encontrar. Não conseguiu ter o equilíbrio a meio campo que Javi oferecia e ao mesmo tempo não tinha o belga Witsel a fazer as transições defesa ataque - estava sempre demasiado recuado. Ao longo do primeiros 45 minutos, a equipa de Jorge Jesus criou apenas uma situação de perigo - remate de Salvio ao poste. Por sua vez, o CD Nacional foi uma equipa mais perigosa a quem apenas faltou eficácia na hora da finalização. Os madeirenses souberam aproveitar bem o desequilíbrio do onze benfiquista para chegar à baliza de Artur com perigo, mas verdade seja dita, não conseguiu marcar ou sequer estar perto disso. O CD Nacional desperdiçava oportunidades para se adiantar no marcador e os jogadores do SL Benfica eram presenteados com assobios por parte dos seus adeptos. Antes ainda da saída para o intervalo, Carlos Martins lesiona-se e no azar do português esteve - na minha opinião - a mudança do SL Benfica.
Com Carlos Martins lesionado, a equipa de Jorge Jesus foi obrigada a iniciar a segunda parte com Matic em campo e, verdade seja dita, o jogo mudou. Com a entrada do sérvio, Witsel foi obrigado a subir para a sua verdadeira posição e isso fez toda a diferença. O SL Benfica cresceu imenso com a influência do médio belga e começou a tomar definitivamente conta do jogo. Em apenas 5 minutos confirmou a supremacia com o primeiro golo apontado por Cardozo.

Daí até ao matar do jogo foi um salto e numa jogada perfeita de Salvio, os encarnados aumentaram para 2-0 com golo de Rodrigo, matando o jogo. A eficácia do SL Benfica - contrária à do CD Nacional na primeira parte - "matava" os madeirenses que, se já tinham abanado aquando do primeiro golo, caíram com estrondo no 2-0.
A partir do momento em que a vantagem se tornou confortável, a equipa da Luz controlou o jogo da forma que quis e op CD Nacional mostrou-se uma equipa já cansada e desiludida com o resultado, conseguindo reagir apenas nos minutos finais do encontro, mas mais uma vez chegava perto da baliza de Artur e falhava na finalização. O SL Benfica mantinha-se tranquilo no domínio da partida e aos 88 minutos acabou com o jogo num golo de Cardozo que colocou um ponto final nas dúvidas e na ténue reacção dos madeirenses.
O jogo terminou com uma vitória justa do SL Benfica - o resultado acaba por ser exagerado -, que premeia a eficácia e qualidade ofensiva dos encarnados e castiga a falta de acerto na finalização por parte dos homens do CD Nacional - principalmente no primeiro tempo.
Jorge Jesus poderá ter um problema complicado para resolver no meio campo com a saída de Javi Garcia. O espanhol, embora não muito vistoso, era fundamental na equipa e nenhum dos elementos do plantel consegue fazer o seu papel - Matic é o que mais se aproxima. Apesar desse problema - mais visível no primeiro tempo - a qualidade ofensiva do SL Benfica foi mais do que suficiente para resolver o jogo e assegurar uma vitória tranquila.
Os madeirenses, que continuam a desiludir na liga, deslocaram-se a Lisboa com intenção de contrariar o favoritismo do SL Benfica e nunca foram uma equipa defensiva ou de anti-jogo. Os comandados de Pedro Caixinha souberam aproveitar bem a desorganização do SL Benfica na primeira parte e mereciam um pouco mais de sorte - a vitória por 3-0 é exagerada. Seja como for, este CD Nacional é equipa para fazer muito mais do que tem feito até agora - apenas 1 ponto em 3 jogos.

Ressaca Europeia



PAÇOS FERREIRA FC vs SC BRAGA (2-0)

Depois de uma exibição fabulosa em Udine que valeu o apuramento para a fase de grupos da Champions League, a equipa de José Peseiro, agora orfã da sua grande referência ofensiva, deslocou-se a Paços de Ferreira para fazer o seu pior jogo da época. Foram noventa minutos de desilusão para os adeptos e treinador bracarense.
O SC Braga entrou em campo cansado, sem ideias, sem mobilidade e ainda a procurar descobrir o melhor caminho para servir Éder. É uma equipa a precisar de aprender a forma de jogar com a sua nova referência ofensiva e um jogador ainda a perceber como joga a equipa do SC Braga. No meio de tudo isto, sobraram 90 minutos de fraca qualidade e de escassas oportunidades de golo.
A jogar em casa e, como sempre o faz, o Paços de Ferreira imprimiu um ritmo bastante elevado ao jogo. Os homens de Paulo Fonseca não abrandaram o ritmo ao longo de todo o jogo e aproveitaram o cansaço do adversário para facilmente ganhar os principais duelos. O futebol raçudo e físico do Paços de Ferreira foi demasiado forte para um adversário mole e preso de movimentos. Não espantou, por isso, que os castores começassem bem cedo a vencer - golo de Cohene aos 12 minutos - e levassem o jogo controlado de forma tranquila até ao minuto 79, altura em que Hurtado - um dos melhores em campo - acabou com qualquer esperança do SC Braga em recuperar e fez o 2-0.
O Paços de Ferreira foi um justíssimo vencedor num jogo em que os arsenalistas não foram a equipa que já mostraram ser. Os comandados de Peseiro ressentiram-se da falta de Lima - era até agora uma referência do futebol ofensivo - e, ainda mais, do esforço extra a que foram obrigados em Itália. Uma equipa que vai fazer a fase de grupos da Champions League tem que estar preparada para este desgaste e nisso o SC Braga mostrou ainda ter muito trabalho a fazer.

domingo, 2 de setembro de 2012

E tudo o James mudou



SC OLHANENSE vs FC PORTO (2-3)

Numa deslocação sempre difícil ao Algarve, o FC Porto conquistou três importantes pontos. Os portistas foram justos vencedores numa partida em que a equipa se ressentiu do ausente Fernando e necessitou de uma arma secreta para abanar o jogo e garantir a vitória. O FC Porto começou a perder, soube dar a volta e quando já ninguém esperava, acabou a sofrer desnecessariamente.
O jogo de Olhão pode ser perfeitamente dividido em duas partes. Uma sem James Rodrigues e a outra com James Rodriguez. Sem o colombiano, a equipa de Vítor Pereira foi facilmente amarrada pela armadilha defensiva montada por Sérgio Conceição. Durante esse período de jogo, faltou ao FC Porto mobilidade, imprevisibilidade e eficácia para furar a concentrada e organizada equipa algarvia - a velocidade do ganês Atsu não era a arma ideal. O SC Olhanense jogava confortável com dez homens atrás da linha da bola e, aproveitando a velocidade de um dos seus alas, - Abdi - acabou mesmo por marcar contra a corrente do jogo num lance de contra ataque.
A partir do minuto 36, James Rodriguez entrou e o jogo mudou. O colombiano, não conseguindo ficar preso ao corredor até porque se sente mais à vontade a jogar pelo meio - ao contrário de Atsu -, confundiu as marcações dos seus adversários e destruiu a organização algarvia fazendo do FC Porto cada vez mais perigoso e dono do jogo. Não foi preciso esperar muito para se provar que James era o elemento que faltava ao futebol portista e, ainda antes do intervalo, o Colombiano marcou um grande golo com que empatou a partida.
Não satisfeito com o que já tinha produzido, o número 10 do campeão nacional entrou na segunda parte a todo o gás - aliás como toda a sua equipa - e serviu na perfeição o compatriota Jackson Martinez para que este consumasse a cambalhota no marcador. O domínio do FC Porto era total e os lances de perigo sucediam-se pelo que não surpreendeu que a 15 minutos do fim Hulk marcasse o terceiro golo após excelente trabalho de Alex Sandro. O FC Porto tinha o jogo na mão e os três pontos no bolso. O SC Olhanense não tinha força nem arte para contrariar a superioridade azul e branca e o jogo parecia decidido. Nada mais errado! Quando já ninguém esperava, os algarvios, aproveitando uma desatenção e perda de bola no meio campo portista - que perdeu organização defensiva após a saída do lesionado Defour - conseguiram reduzir para 2-3 por intermédio de Targino a apenas cinco minutos do fim. O FC Porto que parecia dono e senhor do jogo sentiu o golo, perdeu o norte e teve que sofrer até ao apito final. Os campeões nacionais adormeceram-se a si próprios e sujeitaram-se a um sofrimento escusado e que podia ter custado pontos. Nessa fase, valeu a capacidade de sofrimento e a entrega da equipa de Vítor Pereira para segurar uma importante e justa vitória.
A estratégia montada por Vítor Pereira para este jogo revelou-se falhada, mas verdade seja dita, o treinador portista soube ler bem o jogo e corrigir o erro a tempo de vencer. Ao contrário de outras ocasiões, desta existiu um plano B. James Rodriguez assinou uma fabulosa exibição coroada com um golo e uma assistência, numa partida onde se destacaram também Alex Sandro - excelente exibição manchada apenas com a perda de bola que deu o primeiro golo aos algarvios - e Jackson Martinez que voltou a mostrar bons pormenores, boas movimentações e, mais importante ainda, voltou a marcar - tem três golos em quatro jogos.
No SC Olhanense, o destaque vai para o extremo Abdi que volta a fazer uma excelente exibição - coroada com um golo - e promete ser jogador para outros voos. Também Maurício foi um elemento importante no comando da sua equipa e na organização defensiva. Apesar dos dois golos marcados, a estratégia de Sérgio Conceição acabou por cair aos pés da maior capacidade dos jogadores do FC Porto. Os algarvios foram organizados e sólidos durantre 36 minutos mas depois da entrada de James pareceram não estar preparados para as novas abordagens do ataque portista. Ainda assim, tiveram o mérito de complicar a vida do campeão nacional até ao apito final.

sábado, 1 de setembro de 2012

blá blá blá Whiskas saquetas

"A UEFA, presidida por Michel Platini, comunicou que está a decorrer uma investigação a 27 clubes cujas contas oferecem dúvidas, tendo sido estabelecido um prazo até 30 de Setembro para que as mesmas sejam regularizadas. O organismo ficou, por outro lado, de dar a conhecer o nome desses clubes cuja contabilidade apresentará irregularidades e que têm, para já, congelados os encaixes financeiros a que teriam direito pela sua participação nas competições europeias (Liga dos Campeões e Liga Europa). A aplicação do fair-play financeiro, segundo a UEFA, já teve consequências no mercado de Inverno deste ano, já o número de transferências baixou 20% face ao mesmo período dos quatro anos anteriores, ou seja, entre 2008 e 2011."  in O´Jogo
O que nós gostariamos de saber era, se os clubes de que fala a UEFA são os mesmos que de repente se tornam novos ricos - graças a fortunas Árabes ou Russas que aparecem sem se perceber muito bem de onde - e gastam centenas de milhões de euros em transferências sem precisar de vender ninguém para gerar receita. A mim cheira-me que não, porque há negócios que interessam a muita gente.
Assim sendo, é mais do mesmo!

O mercado dos grandes


FC PORTO:

Este é, possivelmente, o mais forte plantel do FC Porto nos últimos tempos. Pinto da Costa, aproveitando os lucros provenientes das vendas de jogadores dados como dispensáveis - cerca de 30 milhões - conseguiu segurar na Invicta todos os principais jogadores e deu a Vítor Pereira o avançado que este tanto pedia - Jackson Martinez - embora me pareça curto ter apenas duas opções nesta posição. O Porto soube aproveitar bem os vários jovens que tinha emprestados e, mais do que isso, soube integrá-los no seu plantel não abdicando dos elementos mais experientes. Assim sendo, o treinador português tem nas mãos um plantel de altíssima qualidade e com inúmeras opções. Para ter sucesso, Vítor Pereira tem que saber ser, além de bom treinador, um bom gestor de recursos humanos. Nem todos os jogadores vão jogar sempre e é preciso lidar bem com o ego dos atletas e com a sua motivação e confiança. Falta saber se Vítor Pereira tem mãos para este "Ferrari".

Neste mercado de transferência houve, ainda assim, casos que me deixaram algumas dúvidas. Sapunaru, por exemplo, rescindiu com o clube para assinar pelo Zaragoza por um valor que dizem os portugueses é zero e dizem os espanhóis anda entre os 600 mil euros e os 2 milhões. Isto acontece depois de o FC Porto ter comprado os 50% do passe que não lhe pertenciam por 2,5 milhões há mais ou menos um ano. Afinal, o que mudou neste último ano para que uma inicial aposta forte no romeno terminasse com uma saída a custo zero?

Mais complexo ainda está a ser o caso Rolando. O jogador que supostamente tinha mercado e já não seria opção continua sem sair quando são poucos os mercados abertos. Depois da saída de Álvaro Pereira por preço de "saldo", irá Rolando pelo mesmo caminho? São casos que me parecem mal geridos pela SAD do FC Porto e que podem afectar o rendimento da equipa, até porque, como já se viu no passado bem recente, ter jogadores contrariados no plantel não traz nada de positivo.

A aposta do FC Porto para esta época é forte e isso está à vista, mas muito do que será o FC Porto versão 2012/2013 vai depender do seu treinador e da forma como conseguir fazer a equipa jogar. Os lugares cativos não vão poder existir sobre o risco de desmoralização de jogadores e de comodismo de outros. O trabalho de motivação vai ser um dos desafios mais importantes para Vítor Pereira. A permanência de Hulk e João Moutinho poderá ser muito importante, mas também poderá representar exactamente o oposto e isso vai depender do estado de espírito com que os jogadores permanecem no clube e do trabalho de motivação desenvolvido ao longo da época pelo treinador. A época 2012/2013 será um enorme teste às capacidades de Vítor Pereira. Ficar com os jogadores mais valiosos pode ser, sem dúvida, importante, mas é preciso que os jogadores fiquem de alma e coração.



SL BENFICA:

O SL Benfica tem um conjunto de jogadores de grande qualidade e um ataque com opções de alto nível mas voltou, na minha opinião, a cometer erros graves na construção do seu plantel. Primeiro, porque mais uma vez começou a construi-lo da frente para trás o que, na minha opinião, é errado e depois porque começou por comprar - com custos elevados - sem vender primeiro e isso "obrigou" os lisboetas a deixar sair no último dia de mercado um jogador fundamental na estratégia de Jesus e para o qual não têm substituto à altura - Javi Garcia. Será que, tendo em conta as várias opções do plantel, não teria sido mais importante comprar um trinco em vez do ponta de lança Lima? Só o futuro o dirá.

O SL Benfica ataca esta época com um plantel onde existe imensa qualidade - principalmente ofensiva - mas um desequilíbrio que a mim faz confusão. Não consigo perceber que se tenham gasto 20 milhões de euros em dois extremos sem que nenhum dos quatro que já existiam tenha saído - a ideia passava, possivelmente, por vender Gaitan o que não aconteceu. Ainda menos percebo esses movimentos de mercado quando não existe um único lateral esquerdo de raiz no plantel em quem o treinador confie - existe Luisinho mas já se percebeu que é opção secundária - e quando não existe um trinco à altura daquele que saiu - a não ser que Matic surpreenda. Os principais reforços do SL Benfica - Salvio, Ola John e Lima - são, sem dúvida, de altíssima qualidade, mas não preenchem as principais e evidentes lacunas do plantel, que neste início de época até já custaram pontos. Jorge Jesus está confiante na evolução de Melgarejo como lateral e na criação de um novo Coentrão. Até pode acontecer, mas a verdade é que o risco é enorme.

O SL Benfica prepara-se para atacar uma longa e cansativa época - são quatro competições - com apenas um lateral direito, apenas um lateral esquerdo de raiz, apenas um trinco e seis extremos e quatro avançados. Num plantel de 24 jogadores a equipa de Jorge Jesus tem apenas sete jogadores de características defensivas - seis defesas e um trinco - o que me parece muito pouco viável, ainda mais se tivermos em conta as características dos jogadores mais ofensivos dos encarnados e a forma como as equipas de Jorge Jesus costumam jogar.

Vamos ter uma vez mais um SL Benfica de imenso caudal ofensivo, mas que pode vir a ser prejudicado pelo desequilíbrio criado com a adaptação de Melgarejo a lateral e, principalmente, com a ausência de Javi Garcia no meio campo. O espanhol era uma peça fundamental no equilíbrio táctico da equipa da Luz. Seja como for, os encarnados são, a par do FC Porto, os mais sérios candidatos ao título nacional.



SC BRAGA:

O SC Braga foi, sem dúvida alguma, o principal prejudicado deste último dia de transferências, pois perdeu o seu principal elemento ofensivo - 26 golos marcados na época 2011/2012 - e ainda por cima para um rival na luta pelo titulo. Se é verdade que o SC Braga se reforçou bem para esta nova temporada no que a avançados diz respeito aquirindo os serviços do ex-estudante Éder - um dos avançados com mais qualidade da nossa liga - e recebendo do SL Benfica o ex-Paços de Ferreira Michel - um jogador muito promissor -  não é menos verdade que nenhum deles é Lima e que o SC Braga vai ter que se adaptar a uma nova referência ofensiva. De qualquer forma, e não escondendo que o SC Braga perdeu muito com a saída de Lima, parece-me que a equipa de José Peseiro está bem servida nesse sector - Éder; Michel; José Luiz; Yazalde e Carlão.

Com a saída de Leonardo Jardim para a Grécia e a entrada de José Peseiro, o SC Braga, obviamente, mudou a sua forma de estar em campo e o seu estilo de jogo. Pelo que se tem visto neste inÍcio de temporada, os jogadores parecem estar a assimilar bem as novas ideias e o futebol parece até mais fluido do que era no passado. Sinceramente, creio que a equipa do SC Braga joga agora um futebol de maior qualidade do que jogava na época anterior. Para isso contribui muito o trabalho do seu novo treinador mas também a qualidade do plantel que é maior a cada ano que passa.

O trabalho do SC Braga tem passado muito pelo aproveitamento de jogadores que os ditos "grandes" - para mim o SC Braga já é um - desperdiçam. Vejamos que dos principais jogadores do SC Braga, nove passaram ou foram formados no FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP - Beto; Quim; Nuno André Coelho; Custódio; Hugo Viana; Rúben Amorim; Rúben Micael; Hélder Barbosa e Alan - e a verdade é que só o SC Braga conseguiu tirar deles o maior rendimento.

O SC Braga voltou a reforçar-se bem e estão à vista, não só as exibições colectivas, mas também individuais de jogadores como Rúben Micael, Beto ou Ismaily e, para além disso, soube resistir às tentações de mercado e segurar jogadores importantes como Hugo Viana, Mossoró e Alan. Creio que o SC Braga tem tudo para fazer uma época ainda melhor do que a última e fico agora com curiosidade em saber como vai reagir a equipa à saída de Lima e como se vai adaptar a uma nova referência ofensiva. Se o conseguir fazer rapidamente, então teremos a promessa de um SC Braga de alta qualidade.



SPORTING CP:

A equipa leonina foi, das quatro candidatas ao título, a que mais mexeu no seu plantel contratando seis novos jogadores - Boulahrouz; Rojo; Pranjic; Labyad; Gelson Fernandes e Viola -, fazendo ainda regressar dois emprestados - Cédric e Adrien. Fechado o mercado de transferências conclui-se que o plantel leonino está bastante mais forte do que no ano passado apesar de ter perdido aquele que, para mim, era o mais talentoso jogador - Matias Fernandez. Este ano, o Sporting CP tem, finalmente, dois centrais que se complementam e se entendem, tem dois laterais que defendem e atacam com qualidade, tem muitas e boas opções no meio campo - só não concordo com a forma como Sá Pinto distribui os jogadores - tem extremos rápidos e desequilibradores, mas tal como no ano passado tem limitação de opções para a frente de ataque onde vai mais uma vez ficar dependente da inspiração e momento de forma do holandês Wolfswinkel.

Para além da remodelação do plantel, o Sporting aproveitou também para equilibrar as suas contas vendendo Matias Fernandez e João Pereira - parece muito bem substituido por Cédric - e livrando-se de alguns "pesos mortos o plantel - Onyewu; Rodriguez; Bojinov; Ribas e Luis Aguiar são exemplo disso. Os leões conseguiram assim reduzir despesas e ao mesmo tempo aumentar a qualidade do plantel o que é sempre bom sinal.

Ainda assim, ao longo do mercado de transferências, fiquei sempre com a ideia de que era obrigatório o Sporting CP comprasse um ponta e lança para concorrer com Wolfswinkel por um lugar no onze. É por isso que me fez uma certa confusão ver Pongolle rescindir e sair a custo zero para o Saint-Étiene. É verdade que a sua passagem por Alvalade não foi de todo famosa, mas um jogador que custou 6,5 milhões e euros e que tem algum mercado em França poderia ter tido uma oportunidade ou pelo menos ter sido fonte de alguma receita.

O Sporting CP versão 2012/2013 é muito mais bem composto e equilibrado do que os de anos anteriores e a falta de um outro ponta de lança é mesmo a sua maior lacuna. Por outro lado, vamos ver o que consegue um treinador jovem como Sá Pinto fazer com um equipa quase toda nova e ainda em fase de reconhecimento e adaptação. Os pontos perdidos na liga já são alguns e o tempo vai começar a apertar.