sábado, 30 de agosto de 2014

CHAMPIONS LEAGUE - Análise do sorteio (GRUPO C)


GRUPO C: SL BENFICA; BAYER LEVERKUSEN; ZENIT; AS MONACO


Dos clubes portugueses em prova, o SL Benfica é aquele que tem a tarefa teoricamente mais complicada. Não tendo apanhado nenhum dos grandes "tubarões" do futebol europeu, saiu-lhe em sorte um grupo de enorme equilíbrio, com equipas de qualidade e recheadas de bons jogadores (em certos casos muito dinheiro também) e alguns velhos conhecidos que trazem boas e más memórias aos encarnados (Javi Garcia, Witsel e Garay encaixam no primeiro caso, Villas-Boas, Moutinho e Hulk encaixam no segundo). Num grupo onde não há um grande favorito ao apuramento o SL Benfica tem a história do seu lado pois ainda há bem pouco tempo afastou (sem dificuldades diga-se) Zenit e Bayer Leverkusen de provas europeias. Ainda assim, só um SL Benfica de grande qualidade e extremamente competente será capaz de seguir em frente num grupo onde todos os pontos serão preciosos e disputados até à exaustão.


BAYER LEVERKUSEN:
O Bayer Leverkusen tem sido um dos clubes mais regulares do campeonato alemão, mas isso não tem chegado para ir mais além do terceiro lugar da Bundesliga e muito menos para se afirmar na Europa. Há dois anos o SL Benfica não teve grandes dificuldades em afastar os homens de Leverkusen das competições europeias (no caso a Liga Europa), pelo que guarda boas recordações dos mais recentes confrontos. Este ano algumas coisas mudaram, os alemães contrataram um dos treinadores da moda no seu país (Roger Schmidt) que treinava na Áustria o Red Bull Salzburg e vai-se mostrando extremamente competente, num inicio de temporada em que já venceu fora de casa o Borussia Dortmund, um dos principais candidatos ao titulo nacional (se é que existe outro além do Bayern Munchen). Os alemães são um adversário complicado e com qualidade para se apurarem para os oitavos de final da prova. São uma equipa muito bem orientada e que conta com jogadores de referência como o goleador Kießling e o talentoso Calhanoglu recentemente contratado ao Hamburg SV. Ainda assim os homens de Leverkusen devem ser tidos em conta principalmente pelo forte colectivo que têm e não pelas individualidades. 

Bayer Leverkusen - Equipa Tipo

ZENIT ST PETERSBURG:
Após alguns anos de puro engano com um treinador que provou ser pouco mais do que banal, o Zenit aposta forte no jovem português André Villas-Boas, que procura relançar a sua carreira após o desastre inglês. Ao longo dos anos os russos têm-se comportado como uma equipa forte e temível em casa mas extremamente (até surpreendentemente) frágil a jogar fora de portas. O treinador português está a tentar mudar esse estigma implementando um futebol positivo na equipa que actualmente lidera o campeonato Russo. Apoiado no muito dinheiro que anualmente é injectado no clube, Villas-Boas tem ao seu dispor um plantel recheado de grandes jogadores como os bem conhecidos Javia Garcia, Witsel, Garay, Hulk ou Danny e os menos conhecidos mas não menos talentosos Rondon ou Kerzhakov. Não sendo um clube de topo europeu, será certamente um adversário com muita qualidade, recheado de grandes jogadores e que complicará a vida aos seus adversários principalmente nas deslocações à Russia, o que no caso do SL Benfica acontece em finais de Novembro.

Zenit - Equipa Tipo

AS MONACO:
Os monegascos reapareceram na Primeira Liga Francesa há um ano atrás com um projecto megalómano e muito dinheiro à mistura. Foram capazes de recrutar jogadores de classe mundial como Falcao, James ou Moutinho e criar um conjunto sólido que deu luta ao PSG pelo titulo de campeão francês. No final acabaram em segundo lugar mas a prometer mais e melhor para esta época... a promessa não está a ser cumprida (nem nada que se pareça). Depois do reaparecimento fulgurante da época passada, a equipa agora treinada por Leonardo Jardim parece estar a desinvestir e a perder as referências que a faziam estar num patamar acima das outras com as quais compete. De repente saiu James Rodriguez para o Real Madrid e quando se esperava uma grande contratação para fazer esquecer o mágico colombiano os monegascos foram buscar por empréstimo um miúdo da equipaB do SL Benfica (Bernardo Silva). Com o aproximar do fecho do mercado de transferências, o Mónaco arrisca-se cada vez mais a perder o seu principal jogador (Falcao) e não dá sinais de ter grande vontade de investir no fortalecimento do seu plantel. Para já a equipa de Leonardo Jardim ainda é uma incógnita mas os sinais não são nada bons e os adeptos começam a manifestar preocupação, afinal de contas a época começou com 2 derrotas (uma delas por goleada) e apenas uma vitória pela margem mínima... muito pouco para uma equipa com história e que já conta com uma presença na final da Champions League de 2004.   

AS Monaco - Equipa Tipo

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Operação Champions "Lille"



Após uma época miserável e uma revolução que resultou na contratação de mais de uma dezena de jogadores e numa nova equipa técnica o FC Porto apresenta, neste momento, um plantel com muito mais soluções e qualidade do que o anterior, onde em alguns sectores os índices de produtividade eram verdadeiramente sofríveis. Não é por isso de estranhar e, verdade seja dita, é perfeitamente legitimo que os dragões apostem e aspirem a uma boa prestação em provas internacionais (falo de Champions League claro) onde até são uma das equipas com mais participações. Até mesmo pela qualidade (potencial qualidade) do plantel ao serviço do espanhol Lopetegui, esse tem de ser um objectivo bem definido e trabalhado e, mais do que isso, tem de ser uma realidade. O contrário resultará apenas num claro fracasso.

Mas se o entusiasmo portista com esta nova equipa aponta para isso, a realidade e a frieza objectiva das coisas diz-nos que antes de dar como garantida uma boa prestação europeia ou sequer a presença na Champions League, o FC Porto tem de enfrentar um dos desafios mais importantes da temporada a todos os níveis: a pré-eliminatória da Champions League, que servirá para medir o pulso à equipa mas que fundamentalmente será a definição da realidade em que o clube ficará inserido, quer a nível futebolístico quer orçamental a um curto/médio prazo. Aqui não pode haver desculpa de equipa nova, de má forma física ou de falta de entrosamento entre os atletas. O FC Porto tem, para seu próprio bem, de vencer a eliminatória e apurar-se para uma competição que além de ser a enorme montra que todos reconhecem, representa 1/4 do orçamento azul e branco. O fracasso europeu do ano passado (a equipa caiu na fase de grupos) não se pode de forma alguma tornar a repetir, até porque cair na Liga Europa será quase trágico e por muito que uma vitória nesta prova seja desportivamente prestigiante (assim foi em 2002/2003 e em 2010/2011) em termos financeiros (e neste momento isso pesa muito) a competição é pouco mais do que irrelevante.

A necessidade de fazer parte da melhor competição futebolística do mundo é demasiado óbvia para os grandes clubes Portugueses. Ao contrário de SL Benfica e Sporting CP, o FC Porto, fruto da péssima época realizada no ano passado, colocou-se nesta incómoda posição de ser obrigado a uma prova de fogo ainda antes da fase de grupos começar. No fundo, este novo FC Porto é obrigado a mostrar valor já no inicio da temporada e a provar que merece o lugar entre os 32 clubes que estarão presentes na fase de grupos. O trabalho que tem sido desenvolvido pela equipa técnica e pelo corpo dirigente do clube tem sido certamente nesse sentido (nem seria lógico o contrário) e a verdade é que se constata que ao contrário de outros anos os reforços (pelo menos os principais) chegaram ao Dragão bem cedo e o treinador tem sido capaz de treinar desde o inicio (ou quase, em alguns casos) com os "craques" que pediu à direcção liderada por Pinto da Costa. O plantel portista está (até ver) quase montado e a equipa está a ser trabalhada, mas com tanto tempo que resta para o final do mercado de transferências um fracasso no apuramento para a fase de grupos da Champions League pode mudar tudo o que está a ser construído, o que seria um enorme revés para o clube. Uma não qualificação e um rombo de 1/4 do orçamento obrigaria o clube a fazer mais valias com a venda de activos, sendo assim obrigado a desmantelar parcialmente um plantel e um projecto que ainda agora começou a ser construído. 

Para que tal cenário não aconteça o FC Porto tem de eliminar os Franceses do Lille, terceiros classificados do campeonato Francês onde só não foram melhores do que os multi-milionários de Paris e do Mónaco. O Lille, treinado por René Girard, já está com a preparação bastante adiantada até porque foi obrigado a jogar a eliminatória anterior da Champions League e mantém basicamente a mesma equipa da época passada. É uma equipa bem treinada, tacticamente forte, que defende bem e se inspira na irreverência de Kalou e Origi (que grande jogador este) para provocar danos nas defesas contrárias, jogando principalmente em contra-ataque. Não se pense que são favas contadas porque os franceses são uma equipa muito competente. Para se apurar o FC Porto tem de ser sério, trabalhador, competitivo, humilde e tem que mostrar ser melhor e mais capaz do que o adversário. Deitar os foguetes antes da festa e contar as notas antes de as ter no bolso pode dar muito mau resultado. Para Lopetegui e a sua equipa só há duas hipóteses: é vencer ou vencer!

domingo, 3 de agosto de 2014

... sem passar na casa partida!




Depois de tanto ter resistido no seu posto de comando a vida do dirigismo desportivo começa (finalmente dirá quem ainda tem alguma estima pelo futebol português e já agora pela democracia) a correr mal ao senhor Mário Figueiredo. Quando até o seu sogro (ou ex-sogro ou seja lá o que os une) e principal apoiante coloca em causa a competência do presidente é sinal que alguma coisa vai mal nos corredores da liga... zangam-se as comadres e o resto já sabemos como é!

Ao longo dos últimos anos todos percebemos que o senhor Mário Figueiredo é um personagem pouco sério, uma criatura sedenta de poder e protagonismo e um bom aldrabão daqueles que não olha a meios para atingir fins. Mas uma coisa é certa, o senhor Mário é um homem inteligente... talvez inteligente seja uma palavra demasiado forte para descrever a figura... vá lá, digamos que o senhor até é esperto.
Quando decidiu abandonar o conforto da asa do sogro e dedicar-se a ser mais um dos que vive do futebol, o senhor Mário Figueiredo usou de todas as artimanhas ao seu alcance para vencer. Mentiu descaradamente, fez promessas utópicas e tão ridículas que ele próprio sabia não poder cumprir e, percebendo que a maioria dos dirigentes tem tanta sede de protagonismo como ele próprio, soube fazer destes autênticas marionetas e conseguiu uma vitória suportada pela grande maioria dos clubes de menor dimensão, que viram nas suas alucinantes promessas uma imensa janela de oportunidades.

Depois de chegar ao poleiro (como se diz em bom português) a história é a já conhecida e o seu mandato caracteriza-se pela incompetência e pelos esquemas com que se vai mantendo de cabeça à tona da água. A incapacidade para dirigir os destinos da Liga Portuguesa de Futebol é de tal forma gritante que uma das competições organizadas e geridas pelo órgão que preside é uma imagem fidedigna da sua direcção. A Taça da Liga é uma competição desajustada da realidade, mal organizada, pouco aliciante e ainda menos séria (assenta num formato desenhado com o objectivo claro de levar um dos clubes grandes à vitória). A competição esta de tal forma descredibilizada que já nem o presidente da Liga a defende, muito pelo contrário, é o primeiro a condená-la. Mas apesar de toda a incompetência e incapacidade Mário Figueiredo foi dirigindo a sua "democrática" Liga de Clubes (é um termo seu e não meu) sempre em torno do seu próprio umbigo, resistindo a todo o descontentamento e agarrando-se com unhas e dentes à sua confortável cadeira de poder, fazendo de tudo (legal e ilegal) para não ser despejado e não se ver novamente obrigado a bater à porta do sogro.

Durante os últimos tempos a contestação aumentou e aumentaram também os pedidos de explicações sobres as suas ideias e a sua liderança, mas Mário foi sendo capaz de se desviar de todas as "balas" evitando dar justificações, recusando reuniões extraordinárias e fechando as portas da "sua" liga a todos aqueles que deveria defender: os clubes. Mas (espantem-se) no meio de tudo isto ainda conseguiu ter o apoio de altas figuras do dirigismo desportivo que foram empurrando o problema com a barriga (cheia pois claro) para a data das eleições.
Como é óbvio, e nem é preciso ser tão esperto como o senhor Mário para perceber, alguém que sempre fez de tudo para manter o seu lugar de poder não iria permitir que tal regalia lhe fosse retirada com umas simples e estas sim democráticas eleições. Era óbvio que uma figura que tanto suga ao futebol não ia sair assim apenas e só porque umas míseras eleições dizem que tem de ser. Não me espantou por isso (acho que não pode espantar a ninguém) que ao perceber que qualquer uma das candidaturas adversárias era capaz de vencer a sua, o senhor presidente da Liga Portuguesa de Futebol tenha arranjado uma forma (legal ou não pouco lhe interessa) de, juntamente com as suas cabeças pensantes, tornar elegíveis todas as listas de candidatos com excepção da sua. Os oponentes não cumpriam os requisitos/regras que Figueiredo decidiu criar e por isso foram afastados da corrida pouco antes da data marcada para as eleições.

Mário Figueiredo foi, qual "ditadorzeco" de meia tigela, sozinho a votos e venceu (mesmo sozinho teve um número de votos mais ridículo do que as próprias eleições). Festejou, regozijou-se e ainda teve a distinta lata de dizer que com a sua vitória tinha sido o futebol português a vencer.
Como era de prever, tendo em conta a sujeira de todo este processo, os candidatos derrotados (neste caso afastados antes das eleições) não iam ficar de braços cruzados a ver o senhor presidente  embebido em orgulho ocupar a sua cadeira de poder e por isso recorreram à justiça nunca última tentativa de por cobro à situação e acabar com a pouca vergonha em que se transformou a Liga Portuguesa de Futebol. Assim sendo, o tribunal constitucional veio agora dizer o que já se previa e desconfiava desde o inicio, garantindo a legibilidade de pelo menos uma das candidaturas e considerando ilegal todo o "jogo de cintura" usado por Mário Figueiredo e pelos seus pares para manter o pomposo título de presidente. Posto isto, as eleições estão anuladas e serão repetidas futuramente, sendo que neste novo acto eleitoral o senhor Mário não irá sozinho às urnas. Como a derrota é um resultado quase garantido seja qual for o oponente, a máscara começa finalmente a cair, o tabuleiro deste autêntico jogo de monopólio a fugir-lhe por baixo dos pés e nem mesmo o apoio surpreendente de algumas figuras (tem o apoio do último cruzado na luta pela honestidade e verdade do futebol - Bruno de Carvalho!) vai impedir o futebol português de se livrar de uma das piores e mais tristes figuras da sua história. Agora restará ao senhor Mário voltar a bater à porta do sogro, esperando que este não lhe tenha fechado o portão à chave ou que, em ultimo caso, lhe solte os cães.

sábado, 26 de julho de 2014

A despedida de um ídolo




O dia de ontem marcou a despedida de Deco, o melhor futebolista que tive o prazer de ver jogar. O luso-brasileiro escolheu o palco do Dragão (aquele onde, segundo palavras suas, foi mais feliz) e as equipas campeãs europeias do FC Porto versão 2004 e FC Barcelona versão 2006 para fazer um jogo recheado de amigos e estrelas e colocar oficialmente um ponto final na carreira, numa festa que teve tanto de bonita como de merecida. Está de parabéns o Deco pela brilhante carreira que teve enquanto futebolista profissional, está de parabéns o FC Porto pela grandiosa festa que proporcionou a um dos seus (é pena ainda não o ter feito a gente como Vitor Baia ou Jorge Costa), está de parabéns o FC Barcelona por aceitar participar numa festa tão importante para Deco e estão de parabéns as dezenas de craques e ex-craques (uns mais gordinhos do que outros) que aceitaram o desafio de se juntar, proporcionar momentos de bom futebol e dizer um adeus sentido à carreira de um amigo.... e o jogo de ontem foi principalmente isso. Mais do que um jogo de grandes equipas e grandes jogadores (ou ex-jogadores) foi um jogo de amizade e agradecimento a um dos maiores talentos que o Mundo do futebol viu crescer (Obrigado Parreira por achares que no Brasil havia "Decos" ao pontapé e o deixares jogar pela nossa selecção). 

Quanto a Deco, foi sem dúvida um jogador de enorme talento e coração. Um homem que deu tudo dentro do campo em prol do clube que representava e que defendeu o símbolo que trazia ao peito sempre com a maior das convicções. Deco era um jogador diferente de todos os outros que consigo partilhavam o relvado. Jogava de forma diferente, movimentava-se de forma diferente, segurava a bola de forma diferente, via coisas diferentes onde outros não conseguiam sequer ver nada. Deco era único dentro do campo. Um jogador de uma leveza incrível e passada subtil, um jogador que quase parecia não correr mas aparecia sempre onde estava a bola, um jogador que ultrapassava os adversários com uma facilidade e elegância impressionantes. Olhando para Deco quase jurávamos que ele era diferente e feito de uma outra matéria, que ele era qualquer coisa criada apenas para nos presentear com aquilo que tão bem fazia dentro do campo. 

Para quem não teve a sorte de ver Deco jogar, para quem perdeu esta parte tão importante da história do futebol e não conheceu Deco, ontem o mágico mostrou um pouco de si na despedida e aquele golo no último segundo do jogo do Dragão foi o resumo perfeito de todo o seu talento... foi a forma mais bonita e poética que o luso-brasileiro descobriu para escrever o ponto final na sua bela e triunfante carreira. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Uma questão de formação




O resultado do jogo que ontem colocou frente a frente as selecções do Brasil e da Alemanha pode ter surpreendido muita gente mas não é mais do que o espelho do trabalho futebolístico que tem vindo a ser desenvolvido pelos dois países. Talvez o resultado seja ligeiramente exagerado e não reflicta com inteira justiça a diferença de qualidade entre os futebolistas brasileiros e os alemães, mas uma coisa é ter qualidade natural (aquela com que nascemos ou não) para dar chutos na bola e outra é trabalhar essa qualidade de forma a criar atletas de topo e é disso que se trata quando falamos de um mundial de futebol. O resultado pode portanto não reflectir verdadeiramente a diferença de qualidade entre as equipas mas certamente reflecte a capacidade de trabalho de cada um dos países (e estou a falar única e exclusivamente de futebol). 

No post de ontem falei da formação como uma necessidade para o futuro próximo do futebol português e hoje vou voltar a falar de formação, desta vez como exemplo máximo do rigor e capacidade de trabalho da Alemanha. 

Aquilo que os alemães vivem futebolisticamente neste momento não é fruto de um qualquer acaso e muito menos de uma dádiva divina (se assim fosse o Brasil ganhava 10-0 em todos os jogos tal a quantidade de orações feita por cada jogador ao longo dos 90 minutos). O momento que os alemães atravessam deve-se essencialmente ao trabalho competente desenvolvido pela sua federação de futebol e pelos seus clubes ao longo dos últimos anos, em prol da formação e da evolução do futebol do país. Enquanto muitos outros se limitam a arranjar desculpas para os mais escabrosos desaires, têm interesse em manter tudo na mesma e esperam que uma nova leva de talentos resolva ou disfarce os problemas (não sei porquê mas de repente lembrei-me da nossa federação), os alemães aproveitaram o desastre do campeonato da Europa do ano 2000 em que caíram na fase de grupos (quem não se lembra do Hat-trick do nosso Sérgio Conceição?) para renovar e revolucionar todo o seu futebol, não se limitando a esperar por melhores dias mas trabalhando para que eles pudessem existir.

Após o campeonato da Europa do ano 2000 a federação de futebol alemã percebeu que era urgente investir na formação de jogadores e fazer dela a principal bandeira do futebol alemão. A verdade é que a partir desse momento, e em concordância com os clubes e escolas do país, foram criadas medidas essenciais para a evolução que hoje se faz sentir. A federação alemã obrigou (a partir de 2001) todos os clubes a possuir uma academia de futebol para formar os seus jovens, sendo que só possuindo essa academia os clubes recebem as licenças necessárias para poder disputar as ligas profissionais de futebol do país (O Borussia de Dortmund era um dos clubes que antes de 2001 não tinha academia sendo hoje em dia um dos clubes da europa que forma mais e melhores futebolistas). Por outro lado a federação investiu, juntamente com as escolas do país, na criação de centros de treino para as crianças mais novas (com menos de 14 anos). Como se essas regras não bastassem (se calhar não bastavam mesmo) a federação criou regras financeiras que os clubes são obrigados a respeitar. Desde 2001 os clubes alemães, mesmo tendo investidores externos, devem pertencer maioritariamente aos sócios (51% no mínimo) e os excessivos gastos acima das receitas resultam na automática retirada da licença de participação  nos campeonatos profissionais, o que obriga os clubes a gastar menos do que aquilo que ganham.

No fundo, o grande objectivo da revolução do futebol alemão foi canalizar os milhões gastos em transferências e na intermediação destas para a formação de jovens, construindo academias e dotando-as de profissionais competentes. Nunca tiveram a vergonha de assumir que havia países a trabalhar melhor e enviaram durante anos e anos os seus técnicos para aprender nas academias desses mesmos países (Espanha e Itália por exemplo). Os alemães foram capazes de aprender com os seus erros e com as qualidades dos outros para corrigir o que estava mal e evoluir o seu futebol, atingindo o nível que está neste momento à vista de todos. Foi a formação que voltou a trazer a Alemanha para o topo do futebol Mundial.



*O campeonato do Mundo de futebol ainda não acabou e a Alemanha até pode não vencer a prova, mas mesmo que isso aconteça em nada altera o que aqui escrevi.
           

terça-feira, 8 de julho de 2014

Quem não tem dinheiro (não) tem vícios




É sabido que a saúde financeira dos clubes portugueses deixa muito a desejar e que, cada vez mais, é fundamental ser-se capaz de aplicar a máxima de fazer mais com menos. Urge ter olho e competência para formar jogadores dentro de portas, dando-lhes as condições necessárias para que estes possam evoluir e se tornem jogadores de topo. Será que isso alguma vez vai ser uma realidade no futebol português? Com a excepção de algum casos (Vitor Baía, Rui Costa, Figo, Ricardo Carvalho, Ronaldo, Nani e pouco mais) talvez isso não passe de uma utopia na realidade do nosso futebol... mais por culpa de quem dirige do que da tão propalada inexistência de matéria prima!
Durante anos a fio os clubes portugueses viraram costas à formação e fecharam os olhos a custos para criar equipas supostamente competitivas nas competições nacionais e internacionais. A Portugal chegaram "camiões" de jogadores estrangeiros, muitas vezes pagos a peso de ouro. E se na verdade alguns deles foram verdadeiras mais valias desportivas e financeiras (convém não esquecer que por cá passaram jogadores como Falcao, Hulk, James, Di Maria, Matic e Witsel) a grande maioria não passou de um enorme tiro no pé e um atestado de incompetência passado aos nossos jogadores e à nossa própria formação.

A realidade actual dos dois principais clubes portugueses (nem falo do Sporting CP pois esse ainda consegue a proeza de sozinho estar em pior situação do que os outros dois juntos) é de tal forma grave que obriga a cenários e manobras financeiras nunca antes vistas e de um desespero total. Os últimos relatórios de contas de SL Benfica e FC Porto foram de tal forma assustadores que, quando lidos com atenção, tornam visível o enorme buraco em que as respectivas direcções se deixaram cair. Quando Luis Filipe Vieira prometeu (e infelizmente para a saúde financeira do clube cumpriu) não vender nenhum jogador e construir a "famosa" equipa maravilha que iria lutar pela vitória na Champions League, pode ter enganado meia dúzia de distraídos e conquistado alguns (preciosos) votos para a sua reeleição, mas para os mais atentos à jogada estratégica do presidente encarnado, era óbvio que o resultado tinha tudo para ser desastroso e prejudicial ao clube. Não é possível, ou pelo menos não é aconselhável, a um clube português (por muito grande que seja) colocar-se em bicos de pés e agir como se de um grande europeu se tratasse, gastando dezenas de milhões de euros em jogadores sem concretizar qualquer encaixe significativo com vendas. Os clubes portugueses são clubes vendedores e, por muito que custe a admitir, essa é a realidade em que vivem. A estratégia da direcção do SL Benfica foi de tal maneira errada que o clube, após ter vencido tudo internamente (desportivamente a época foi um sucesso), está agora obrigado a desmantelar uma equipa vencedora vendendo pelo menos cinco ou seis jogadores titulares. Só mesmo o desespero de fazer dinheiro rápido para cumprir obrigações financeiras a curto prazo (tapar buracos) explica a venda do melhor central do campeonato português a um clube russo pelo "irrisório" valor de 6 milhões de euros (deste valor o SL Benfica recebe apenas 2,4 milhões de euros).

Mais a norte, o presidente Pinto da Costa, após a época desportiva mais desastrosa da história do FC Porto, veio "garantir" aos sócios que o clube não precisa de vender jogadores. Caso para dizer: "Importa-se de repetir?". Analisando o último relatório de contas do FC Porto e as obrigações financeiras do clube a curto prazo, facilmente se chega à conclusão de que o clube precisa não só de vender mas principalmente de vender muito e bem. O FC Porto que se orgulhava de comprar jogadores jovens e baratos, saber formá-los e depois vendê-los a preços elevadíssimos, mudou a sua forma de estar no mercado e nos últimos anos dedicou-se a "derreter" dinheiro em jogadores a um ritmo alucinantes (um ritmo de dezenas de milhares de euros por época), vendo-se muitas vezes com jogadores em carteira que não rendem desportivamente, custam milhões aos cofres do clube e recebem salários estupidamente elevados. A política de transferências dos últimos anos tem sido de tal forma errada (os negócios Izmaylov e Liedson são apenas exemplos disso) que o clube está neste momento perante o inédito cenário de ter de vender os seus três principais jogadores na mesma temporada e pior ainda, percebe-se a incapacidade para investir em mais valias (o mesmo acontece com o SL Benfica). E é esta incapacidade de investimento, criada em grande parte pela incompetência de quem gere, que leva os clubes (nenhum deles é excepção) a recorrer à "ajuda" dos fundos, que são apresentados como tábua de salvação para os clubes mas que, na verdade, não são mais do que uma nova forma de dar dinheiro a ganhar a alguns senhores que continuam gravitar em torno do futebol e de tornar os clubes cada vez menos donos de si próprios e dos seus activos. Os fundos a curto prazo poder-se-ão apresentar como uma solução útil e uma mais valia mas a médio/longo prazo apresentam uma elevada despesa e uma forma pouco clara (para ser simpático) de fazer circular dinheiro de mão em mão e de conta em conta até se perder o rasto.

Os relatórios de contas dos principais clubes são públicos e não escondem (pelo menos de quem tiver interesse em interpretá-los) o enorme buraco em que SL Benfica e FC Porto estão colocados.  Foram anos e anos a sustentar um sistema de negócio obscuro, pouco sério e de valores completamente pornográficos. Foram anos e anos a sustentar o vício de empresários e dirigentes desportivos. Foram anos e anos a viver em bicos de pés e acima das possibilidades reais.

E agora, saberão os clubes assumir os erros, mudar a  estratégia e "arrepiar" caminho para um futuro sustentável, ou continuarão a cavar bem fundo o buraco até ser impossível sair de lá? Só o futuro o saberá dizer, mas de uma coisa tenho total convicção: apenas aqueles que tiverem a capacidade de olhar para dentro, perceber os pontos fortes e as fraquezas, mudar a estratégia e deixar de parte o próprio umbigo em prol do clube serão capazes de sobreviver!     

domingo, 6 de julho de 2014

Lance de Génio



Este é o momento (119 minutos de jogo) em que Louis Van Gaal, um dos mais geniais treinadores de futebol mostra ao mundo que, ao contrário do que se costuma dizer (até mesmo pelos catedráticos comentadores), os penaltis não são uma questão de fortuna, mas sim de treino, estudo e conhecimento dos adversários e dos nossos próprios jogadores. Louis Van Gaal sabe tudo sobre futebol e o pormenor desta tardia substituição garantiu o apuramento da sua selecção para a meia final do Campeonato do Mundo de Futebol. 

Eis a prova de que nem só Messi, Ronaldo, Neymar ou James são capazes de deslumbrar os adeptos com momentos de pura magia... foi simplesmente brilhante!